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sábado, 22 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
CORREIO MFC BRASIL Nº 268
Vira e mexe, volta à baila o tema da descriminalização das drogas. Uns opinam que com o sinal verde e a legalização da venda e do consumo o narcotráfico perderia espaço e a saúde pública cuidaria melhor dos dependentes, a exemplo do que se faz em relação ao alcoolismo. Outros alegam que a maconha deveria ser liberada, mas não as drogas sintéticas ou estupefacientes como crack, cocaína e ópio.
DO FUNDO DO POÇO
Frei Betto
http://www.freibetto.org
Não tenho posição formada. Pergunto-me se legalizar o plantio e o comércio da maconha não seria um passo para, mais tarde, se deparar com manifestações pela legalização do tráfico e consumo de cocaína e ecstasy...
Presenciei, em Zurique, no início dos anos 90, a liberação do consumo de drogas no espaço restrito da antiga estação ferroviária de Letten. Ali, sob auspícios da prefeitura, e com todo atendimento de saúde, viciados injetavam cocaína, ópio, heroína, a ponto de o local ficar conhecido como Parque das Agulhas. Em 1995, encerrou-se a experiência. Apesar do confinamento, houve aumento do índice de viciados e da criminalidade.
Nem sempre o debate se pergunta pelas causas da dependência de drogas. É óbvio que não basta tratar apenas dos efeitos. Aliás, em matéria de efeitos, a minha experiência com dependentes, retratada no romance “O Vencedor” (Ática), convenceu-me de que recursos médicos e terapêuticos são importantes, mas nada é tão imprescindível quanto o afeto familiar.
Família que não suporta o comportamento esdrúxulo e anti-social do dependente, comete grave erro ao acreditar que a solução reside em interná-lo. Sem dúvida, por vezes isso se faz necessário. Por outras é o comodismo que induz a família a se distanciar, por um período, do parente insuportável. Dificilmente a internação resulta, além de desintoxicação, em abstenção definitiva da droga. Uma vez fora das grades da proteção clínica, o dependente retorna ao vício. Por quê?
Sou de uma geração que, na década de 1960, tinha 20 anos. Geração que injetava utopia na veia e, portanto, não se ligava em drogas. Penso que quanto mais utopia, menos droga. O que não é possível é viver sem sonho. Quem não sonha em mudar a realidade, anseia por modificar ao menos seu próprio estado de consciência diante da realidade que lhe parece pesada e absurda.
Muitos entram na droga pela via do buraco no peito. Falta de afeto, de auto-estima, de sentido na vida. Vão, pois, em busca de algo que, virtualmente, “preencha” o coração.
Assim como a porta de entrada na droga é o desamor, a de saída é obrigatoriamente o amor, o cuidado familiar, o difícil empenho de tratar como normal alguém que obviamente apresenta reações e condutas anômalas.
Do fundo do poço, todo drogado clama por transcender a realidade e a normalidade nas quais se encontra. Todo drogado é um místico em potencial. Todo drogado busca o que a sabedoria das mais antigas filosofias e religiões tanto apregoa (sem que possa ser escutada nessa sociedade de hedonismo consumista): a felicidade é um estado de espírito, e reside no sentido que se imprime à própria vida.
O viciado é tão consciente de que a felicidade se enraíza na mudança do estado de consciência que, não a alcançando pela via do absoluto, se envereda pela do absurdo. Ele sabe que sua felicidade, ainda que momentânea, depende de algo que altere a química do cérebro. Por isso, troca tudo por esse momento de “nirvana”, ainda que infrinja a lei e corra risco de vida.
Devemos, pois, nos perguntar se o debate a respeito da liberação das drogas não carece de ênfase nas causas da dependência química e de como tratá-las. Todos os místicos, de Pitágoras a Buda, de Plotino a João da Cruz, de Teresa de Ávila a Thomas Merton, buscaram ansiosamente isto que uma pessoa apaixonada bem conhece: experimentar o coração ser ocupado por outro que o incendeie e arrebate. Esta é a mais promissora das “viagens”. E tem nome: AMOR.
Em tudo dai graças
O apóstolo Paulo, recomenda que devemos dar graças a Deus por tudo o que nos acontece, tanto pelas coisas boas como pelas que nos parecem ruins. "Em tudo dai graças". È a fala preferida de uma pessoa querida: Ângela, esposa do Antonio Carlos do MFC que repete sucessivamente em qualquer situação. Transmite com uma profunda fé, que nos contagia.
Mas, será que devemos dar graças por qualquer catástrofe natural? Será que devemos dar graças por um acidente que nos trouxe tantos sofrimentos? Dar graças por doença que nos aflige? Dar graças pela morte de um filho? Sim, caros amigos, em qualquer circunstância devemos dar “Graças” sempre.
Exemplo disto foi experiência sofrida e dolorosa que vivenciamos com a doença do Milton. Quando o médico nos comunica que ele tem apenas 2% de chance de sobrevida com ou sem cirurgia; tirou-nos o chão.
Mil pensamentos, desespero, dor, angustia, apenas por imaginar continuar a vida sem a sua presença. “Alice prepare seu coração, a situação é muito grave, você sabe disto”, foi a recomendação carinhosa e terna do Pe Adilson.
Nestes momentos não sabia em que direção correr, mas... Deus conhece tudo e a todos. Conhece a necessidade de cada um de nós. Sua presença ativa e constante nos dá ânimo e infunde forças. E a força veio, à esperança chegam movidas não por obrigação ou compromisso... Apenas por amor.
Amor na voz preocupada do nosso pastor Pe Anacleto sempre ansiando por informações de melhora. Nas muitas orações feitas por toda a Comunidade Saletina, amiga e solidaria, pelos membros do Movimento Familiar Cristão, colegas e professores da faculdade.
Nas lagrimas de amor, nas preces feitas de joelhos dobradas num gesto de suplica, nos terços rezados com muito fervor, na hora Santa, nas intenções das missas, apenas para nós.
Sentimos estas manifestações de amizade nas ligações diárias (em torno de 50), na qual peço desculpas por não ter podido retornar. Nas inúmeras mensagens gravadas na secretaria. Especialmente de uma ministra e amiga querida, que todos os dias deixava na secretaria uma mensagem, louvando e agradecendo mais um dia na vida do Milton.
Manifestação de amor, quando me deparei no corredor da UTI, Pe Cristian, (com uma bola na mão, presente para o Milton ) que viera pela manhã de Cuiabá, retornando no mesmo dia, apenas para ver o seu amigo e companheiro de futebol, apenas para lhe prestar solidariedade e dizer “ouça a voz de Deus, ela é infinita”.
Diante desta profunda manifestação de verdade e amor, meus queridos Amigos, afirmo com toda a certeza de meu coração, que crer junto, celebrar junto, orar do mesmo jeito deu-me a certeza e a segurança de que não estávamos sozinhos.
Deu-nos a certeza que Deus os convocou a todos e a todas, para colaborar com Ele unindo-nos em preces para a cura do Milton. Ele te tornou responsável pelos filhos Dele num momento de dor e sofrimento.
Na Sua Misericórdia, diante de tantas suplicam feitas, realiza um ato de Amor como resposta, proporcionando ao Milton e a todos nós, a superação desta primeira batalha. Batalha que ainda não terminou.
Porém, - Ele que é Amor- sopra em meus ouvidos numa verdade profunda: “Creia, Sou o Deus dos impossíveis”. Portanto a atitude verdadeira de nossa parte é sem duvida, repetir: "Em tudo dai graças".
Deus não nos prometeu dias sem dor, porém, Ele prometeu a força para cada dia, consolo para as lagrimas e luz para o caminho.
Obrigada, por se importar com o Milton, comigo, e com meus filhos. Têm para sempre nossa gratidão e o nosso amor...
Fiquem com Deus.
Alice e Milton
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Vaticano e Bispos da Itália deploram violência e destruição de imagem da Virgem de Lourdes em Roma
O Diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, deplorou a violência e a destruição de um crucifixo e uma imagem da Virgem da Lourdes durante a manifestação dos “indignados” em Roma que se uniram ao protesto mundial (15- O, em referência a 15 de outubro) deste movimento surgido na Espanha.
No sábado 15 de outubro um grupo de vândalos em Roma saquearam lojas e bancos, queimaram veículos e enfrentaram as forças da ordem. Faziam parte de uma manifestação que começou na Praça da República e que terminou na Plaza São João do Latrão na Cidade Eterna.
O Pe. Lombardi disse no dia 16 de outubro sobre estes fatos que “a violência ocorrida ontem em Roma é inaceitável e injustificada. Condenamos toda a violência e também aquela contra os símbolos religiosos”.
A manifestação do sábado era parte da iniciativa mundial que uniu centenas de cidades como Barcelona, Nova Iorque, Sydney, entre outros, aonde os “indignados” protestaram por “uma mudança global” da situação econômica, política e social.
A cruz e a imagem da Virgem de Lourdes que destruíram os manifestantes em Roma se encontravam na antiga paróquia dos Santos Marcelino e Pedro em Latrão.
O jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR) recolhe em sua edição para o dia 18 de outubro as declarações do Presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Angelo Bagnasco, quem afirmou que “não podemos não expressar nosso total rechaço pela violência organizada por facínoras que turvaram a muitos que tentavam manifestar de modo pacífico suas preocupações”.
O Vigário do Papa para a diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, disse à sua vez que “a violência gratuita que profanou imagens sagradas, a agressão a pessoas e a destruição de coisas não podem ser não justificadas”.
“Roma, cidade acolhedora, que recebe a cada dia milhares de peregrinos e turistas, ficou agora ferida”, acrescentou.
O Arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola, disse em sua homilia de ontem na festa da dedicação da Catedral dessa cidade que “ofende-nos profundamente como cristãos a destruição da estátua da Virgem e a profanação do crucifixo, mas o episódio, além de nos ofender, entristece-nos muito e nos enche de dor de maneira grave porque expressa uma grave violência do sentido comum do humano”.
É necessário, disse o Cardeal, “responder com paz e justiça, reagir no sentido nobre da palavra, construindo boas relações. Não podemos sofrer tudo de modo inelutável”.
O LOR conclui ressaltando que nos 82 países onde se deram os protestos, “não se registrou felizmente graves desordens. Em Nova Iorque a polícia prendeu 40 pessoas que não obedeceram a ordem de sair de Times Square. Mas não há rastros de violência, exceto os de Roma”.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
MANIFESTO DE APOIO DO MFC A CNBB, OAB E ABI
O Movimento Familiar Cristão - MFC é uma associação civil, filantrópica, sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ sob o no 87.036.836/0001-24, declarada de Utilidade Pública Federal - Decreto 1400 de 26/09/1962. Presente em 18 estados e mais de 200 cidades brasileiras, com aproximadamente dez mil famílias. Tem como finalidade a promoção da família e seus valores humanos e cristãos, para cumprir sua missão de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum.
Em nome do MFC queremos nos aliar à CNBB, OAB e ABI que, juntas, promovem a conscientização da população para a gravidade da situação e a responsabilidade da denúncia da corrupção, em todos os níveis, da gestão e do gerenciamento dos bens públicos.
Concordamos com o que diz Alberto Nonô, Advogado e Membro do MFC de Maceió, em seu recente artigo “Voto de louvor à honestidade”, no qual manifesta seu apoio ao posicionamento de extrema coragem e cidadania, da ministra Eliana Calmon, que expôs a praga da corrupção que assola parte do Poder Judiciário Brasileiro. Alberto Nonô é enfático quando afirma que não podemos deixar passar esta oportunidade, talvez única, de sustar e de arrefecer essa doença contagiosa que está aos poucos destruindo a honra e a vergonha dos homens honestos deste país.
Recordamos ainda, que recentemente, no dia 22 de setembro de 2011, o Papa Bento XVI em discurso proferido no Parlamento da Alemanha, relembrou Santo Agostinho que sentenciou uma vez:
"Se se põe de parte o direito, em que se distingue então o Estado de uma grande banda de salteadores?"
(De civitate Dei IV, 4, 1).
Com estas manifestações, reiteramos o nosso apoio e engajamento nessa campanha de mobilização que tem como objetivo combater todas as formas de corrupção que corroem as riquezas do país.
Eduardo Lange Filho e Ismari de Souza Lange
Coordenadores - MFC Brasil
Paulo Roberto Ferrari e Maria Palmira Ferrari
Secretariado Nacional de Ação Política e Social - MFC Brasil
Jovens de Santa Catarina abrem espaço virtual para estudar o Catecismo Jovem
Recentemente foi lançado um livro, chamado de YouCat, abreviação das palavras Youth (Jovem) e Cathecism (Catecismo), na língua portuguesa, o Catecismo Jovem. Trata-se de uma edição do Catecismo da Igreja Católica voltado aos jovens, com uma linguagem apropriada, muitas imagens e textos complementares.
No formato é muito parecido com o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, que se dá em perguntas e respostas. Na estrutura e divisão de assuntos segue a divisão do próprio Catecismo: Em que cremos; Como celebramos os mistérios cristãos; A vida em Cristo; Como devemos orar.
Na mochila de todos os participantes da Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu em agosto deste ano, todos os jovens receberam como presente do próprio papa, um Catecismo Jovem. E no prefácio, Bento XVI fez um convite especial: “Formai grupos de estudo nas redes sociais, partilhai-o entre vós na internet. Permanecei deste modo num diálogo sobre a vossa fé”.
Atendendo a este pedido, cinco seminaristas da arquidiocese de Florianópolis (SC), estudantes de Filosofia em Brusque, resolveram criar espaços para a partilha e estudo do YouCat, abrindo assim um espaço virtual para o diálogo sobre a fé.
Inicialmente foi criado um twitter (@CatecismoJovem), rede social que está em destaque atualmente entre a juventude. Muitos seguem, twittam, mencionam muitas coisas durante o dia, e com este twitter abriu-se um espaço concreto para o jovem conhecer o que a sua Igreja tem a dizer, de uma forma jovem. Também foi criado um facebook (www.facebook.com/catecismojovem), que traz diariamente imagens, textos e frases do YouCat.
Posteriormente foi criado um blog (www.catecismojovem.blogspot.com), que é atualizado diariamente com assuntos e material retirado do próprio YouCat. Em uma linguagem acessível, leve e curta, o jovem pode ler a opinião da Igreja sobre determinados assuntos.
Os resultados foram rápidos, sendo quem em menos de três meses o twitter já tem mais de 1700 seguidores, 1200 amigos no facebook e mais de 10 mil visitas no blog. Porém, para os seminaristas, os números não é o dado mais importante. “O que mais nos faz felizes é ver a quantidade de jovens interagindo, perguntando e assim conhecendo melhor a sua fé” afirmou Paulo Chaves, seminarista e membro da equipe.
Além disso, em setembro deste ano, o Catecismo Jovem foi tema do Programa Revolução Jesus, na Canção Nova, sendo citados o twitter e blog como grande fonte de difusão do YouCat. “Para nós foi muito gratificante ver a repercussão que teve uma ideia simples como esta que tivemos, respondendo ao pedido do Papa. As redes sociais podem ser nossas aliadas na evangelização”, afirmou Diogo Cesar, membro da equipe.
Esta experiência reforça a importância da nova evangelização, da aproximação pedida pelo Papa, dos jovens em seu próprio espaço, tendo sempre em vista a evangelização e o anúncio de Jesus Cristo, que deverá transformar a vida de cada jovem.
Postado por PJCsa
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
DOAÇÃO A CASA DO SERVO SOFREDOR
Neste último sábado, dia 15, foi feito a entrega da Doação feito pelo MFC a Casa do Servo Sofredor em Curitiba. Tal doação destina-se a manutenção da Casa das Servas, também mantida pelo Mosteiro Monte Carmelo.
O valor foi de R$ 500,00, em anexo a foto do momento da entrega feita pelo Grupo Ancora, representado pelas mefecistas Sra. Lenis Monteiro e Bernadete Castro.
A casa fica muito agradecida, e este valor será muito bem utilizado.
QUE DEUS ABENÇOE O MFC
domingo, 16 de outubro de 2011
29º Domingo do Tempo Comum
Por: Padre Wagner Augusto PortugaL
"Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me." (Sl 16,6.8)
Irmãos e irmãs,l
Refletiremos neste domingo acerca da soberania de Deus e o nosso relacionamento com as coisas do mundo político. Está presente a famosa frase “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”(cf. Mt 22,21). Na primeira leitura desta Santa Missa(cf. Is 46,1.4-6) o rei pagão, Ciro, é instrumento de salvação nas mãos de Javé, o rei verdadeiro. O rei Crio, o pagão que fez os judeus voltar do Exílio. Embora ele conheça Deus só por ouvir dizer, Deus o conhece, o toma pela mão; o profeta até o chama de “ungido”, o título da dinastia davídica: pois ele atua em favor do povo de Israel. Ciro é um bendito instrumento nas mãos de Javé, para tornar conhecido seu nome, sua fama de ser um Deus que salva.
Caros irmãos,
Jesus, ao fim de sua pregação, entrou abertamente em conflito com as autoridades do povo judeu. Em vista disso, quiseram armar para Jesus uma cilada, para que as autoridades o pegassem em alguma palavra que pudesse ser o motivo de sua condenação, ou seja, que fosse contra os princípios judaicos.
Esse trecho do Evangelho de hoje (Mt 22,15-21) é bem conhecido de todos: O que é de César e o que é de Deus. Inúmeras vezes, durante toda a caminhada pública de Jesus, o Salvador enfrentou os chefes do povo e aqueles que se colocavam contra a sua Pessoa, o seu Reino e a sua Missão. Tudo isso porque Jesus veio pregar a libertação, denunciar o sistema religioso de então, maculado pelos interesses mesquinhos, cheio do rigorismo de prescrições rituais que mais amarravam, do que proporcionavam a salvação.
Mateus, portanto, nos ensina neste domingo de quais virtudes os cristãos devem se lembrar na sua caminhada: a sinceridade, a honestidade, a abertura do coração, o espírito do acolhimento, a prática de boas obras, a coerência entre o dizer e o fazer, entre outras diretivas para o bem viver de uma vida voltada para as coisas do Senhor da Vida.
Os fariseus não tinham coragem de enfrentar Jesus, por isso eles mudaram de tática, tentando provocar Jesus a cair em tentação.
Meus irmãos,
Jesus nos pede hoje que tenhamos atenção em dois pecados muito recorrentes e comuns nos dias de hoje: a exploração e a falsidade.
O contexto atual é igual ao de dois mil anos atrás. A Palestina era colônia romana, totalmente dependente do poder central. Na colônia, todos deveriam pagar tributos exorbitantes, ou seja, impostos ao Imperador Romano, que era conhecido pelo nome de César - César Augusto. O tributo era pago com uma moeda de prata, chamada denário, que tinha impressa a figura do Imperador. Além de não poder citar o nome de César Augusto, porque “augusto” era um adjetivo reservado somente para Deus e proclamá-lo em vão era uma blasfêmia, os judeus queriam que Jesus entrasse em contradição, até porque eles se sentiam profundamente humilhados no pagamento do imposto, que era exorbitante e pesado. Mais do que isso, um judeu pagar imposto para um rei que não fosse hebreu, era um absurdo, porque teria que reconhecer nele o representante de Deus, o que contradizia as leis, os profetas, costumes e dignidade de raça. Manusear essa moeda para eles também era um sacrifício, uma idolatria, porque no denário estava inscrito “divino” Augusto. Tudo em volta do tributo era repugnante, porque ia contra os sentimentos de dignidade, sobretudo dos fariseus, que eram muito xenóbofos e nacionalistas.
Respondendo que os judeus deveriam pagar o tributo poderiam acusá-lo de estar a serviço dos estrangeiros, de ser explorador do povo, de trair sua raça, podendo ser apedrejado por isso. Se respondesse não, seria acusado de subversão e de sonegação, podendo ser levado ao procurador romano para ser condenado. Enfim, tudo foi colocado para que Jesus, respondendo afirmativa ou negativamente, fosse sumariamente condenado e eliminado, porque incomodava ao poder religioso de então, que era medíocre e sem compromisso com a edificação do Reino de Deus.
Meus irmãos e irmãs,
O homem é, ao mesmo tempo, corpo e espírito, terra e céu.
A religião não abrange somente a alma. Ela envolve o homem inteiro, seu ser e seu fazer, seu presente e seu futuro. A lição do Evangelho é que todas as dimensões: religiosa, social, política e econômica se complementam, se necessitam e devem ser igualmente respeitadas, acontecendo - ao mesmo tempo e com a mesma meta – a felicidade escatológica.
A pessoa humana é o todo. “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” significa não negligenciar nem a dimensão para o alto, nem a dimensão social em suas diversas manifestações. Quando dizemos “dar a César o que é de César” nunca podemos deixar Deus de lado. Também nossos compromissos com o país, com a economia, com a política, com a cultura, com o trabalho e com o progresso devem sempre respeitar os mandamentos de Deus que ilumina todos os setores da vida do homem. Em tudo, mas em tudo mesmo, Deus deve estar presente em primeira mão. Tudo isso porque Ele nos criou à sua imagem e semelhança. Em vista disso, todos nós trazemos a marca de Deus.
Caríssimos,
A segunda leitura (1Tessalonicenses 1,1-5) nos fala da chegada da parusia.
O texto nos apresenta um itinerário de vida para esta semana: fé atuante, caridade abundante e esperança perseverante. Paulo, nesta carta, tem bons motivos para dar ação de graças, poucas semanas trabalhou em Tessalônica teve que partir às pressas, mas a fé cresceu, a forca de Deus operou neles: eles são os eleitos. A carta toda é agradecida lembrança e experiência da vinda do Senhor.
A missa de hoje nos questiona: a construção da cidade terrestre é uma tarefa importante, mas não será ela caduca? Construindo a cidade dos homens contribui-se ou não para a edificação do Reino de Deus? Não serão dois reinos distintos?
Para nós católicos a esperança não se realiza, certamente, em plenitude, senão na vida eterna. Entretanto, a esperança se manifesta e é eficaz aqui e agora: é uma força imensa no mundo, é um fermento poderoso que o faz levedar, é um sal que dá sentido e sabor ao esforço humano de libertação, ao empenho temporal.
Não existem duas esperanças: uma terrena e outra celeste. A esperança é uma só: ela está intimamente ligada ao Céu, mas através do empenhamento cristão, a antecipa na realidade terrestre.
O cristão deve dizer sim à vida e não à violência que traz o uso das armas de fogo. Os irmãos e irmãs de caminhada devem ter a fé de Deus, que nos fez à sua imagem e semelhança, para iluminar os rumos do Brasil, com caridade e esperança nestes momentos difíceis. Porque de esperança e esperança, dando a César o que lhe pertence e a Deus tudo o que lhe devemos, vamos construir uma grande Nação, sendo a meta o centro da liturgia de hoje: estarmos, todos, à disposição do supremo Senhor, na construção da globalização da solidariedade
Refletiremos neste domingo acerca da soberania de Deus e o nosso relacionamento com as coisas do mundo político. Está presente a famosa frase “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”(cf. Mt 22,21). Na primeira leitura desta Santa Missa(cf. Is 46,1.4-6) o rei pagão, Ciro, é instrumento de salvação nas mãos de Javé, o rei verdadeiro. O rei Crio, o pagão que fez os judeus voltar do Exílio. Embora ele conheça Deus só por ouvir dizer, Deus o conhece, o toma pela mão; o profeta até o chama de “ungido”, o título da dinastia davídica: pois ele atua em favor do povo de Israel. Ciro é um bendito instrumento nas mãos de Javé, para tornar conhecido seu nome, sua fama de ser um Deus que salva.
Caros irmãos,
Jesus, ao fim de sua pregação, entrou abertamente em conflito com as autoridades do povo judeu. Em vista disso, quiseram armar para Jesus uma cilada, para que as autoridades o pegassem em alguma palavra que pudesse ser o motivo de sua condenação, ou seja, que fosse contra os princípios judaicos.
Esse trecho do Evangelho de hoje (Mt 22,15-21) é bem conhecido de todos: O que é de César e o que é de Deus. Inúmeras vezes, durante toda a caminhada pública de Jesus, o Salvador enfrentou os chefes do povo e aqueles que se colocavam contra a sua Pessoa, o seu Reino e a sua Missão. Tudo isso porque Jesus veio pregar a libertação, denunciar o sistema religioso de então, maculado pelos interesses mesquinhos, cheio do rigorismo de prescrições rituais que mais amarravam, do que proporcionavam a salvação.
Mateus, portanto, nos ensina neste domingo de quais virtudes os cristãos devem se lembrar na sua caminhada: a sinceridade, a honestidade, a abertura do coração, o espírito do acolhimento, a prática de boas obras, a coerência entre o dizer e o fazer, entre outras diretivas para o bem viver de uma vida voltada para as coisas do Senhor da Vida.
Os fariseus não tinham coragem de enfrentar Jesus, por isso eles mudaram de tática, tentando provocar Jesus a cair em tentação.
Meus irmãos,
Jesus nos pede hoje que tenhamos atenção em dois pecados muito recorrentes e comuns nos dias de hoje: a exploração e a falsidade.
O contexto atual é igual ao de dois mil anos atrás. A Palestina era colônia romana, totalmente dependente do poder central. Na colônia, todos deveriam pagar tributos exorbitantes, ou seja, impostos ao Imperador Romano, que era conhecido pelo nome de César - César Augusto. O tributo era pago com uma moeda de prata, chamada denário, que tinha impressa a figura do Imperador. Além de não poder citar o nome de César Augusto, porque “augusto” era um adjetivo reservado somente para Deus e proclamá-lo em vão era uma blasfêmia, os judeus queriam que Jesus entrasse em contradição, até porque eles se sentiam profundamente humilhados no pagamento do imposto, que era exorbitante e pesado. Mais do que isso, um judeu pagar imposto para um rei que não fosse hebreu, era um absurdo, porque teria que reconhecer nele o representante de Deus, o que contradizia as leis, os profetas, costumes e dignidade de raça. Manusear essa moeda para eles também era um sacrifício, uma idolatria, porque no denário estava inscrito “divino” Augusto. Tudo em volta do tributo era repugnante, porque ia contra os sentimentos de dignidade, sobretudo dos fariseus, que eram muito xenóbofos e nacionalistas.
Respondendo que os judeus deveriam pagar o tributo poderiam acusá-lo de estar a serviço dos estrangeiros, de ser explorador do povo, de trair sua raça, podendo ser apedrejado por isso. Se respondesse não, seria acusado de subversão e de sonegação, podendo ser levado ao procurador romano para ser condenado. Enfim, tudo foi colocado para que Jesus, respondendo afirmativa ou negativamente, fosse sumariamente condenado e eliminado, porque incomodava ao poder religioso de então, que era medíocre e sem compromisso com a edificação do Reino de Deus.
Meus irmãos e irmãs,
O homem é, ao mesmo tempo, corpo e espírito, terra e céu.
A religião não abrange somente a alma. Ela envolve o homem inteiro, seu ser e seu fazer, seu presente e seu futuro. A lição do Evangelho é que todas as dimensões: religiosa, social, política e econômica se complementam, se necessitam e devem ser igualmente respeitadas, acontecendo - ao mesmo tempo e com a mesma meta – a felicidade escatológica.
A pessoa humana é o todo. “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” significa não negligenciar nem a dimensão para o alto, nem a dimensão social em suas diversas manifestações. Quando dizemos “dar a César o que é de César” nunca podemos deixar Deus de lado. Também nossos compromissos com o país, com a economia, com a política, com a cultura, com o trabalho e com o progresso devem sempre respeitar os mandamentos de Deus que ilumina todos os setores da vida do homem. Em tudo, mas em tudo mesmo, Deus deve estar presente em primeira mão. Tudo isso porque Ele nos criou à sua imagem e semelhança. Em vista disso, todos nós trazemos a marca de Deus.
Caríssimos,
A segunda leitura (1Tessalonicenses 1,1-5) nos fala da chegada da parusia.
O texto nos apresenta um itinerário de vida para esta semana: fé atuante, caridade abundante e esperança perseverante. Paulo, nesta carta, tem bons motivos para dar ação de graças, poucas semanas trabalhou em Tessalônica teve que partir às pressas, mas a fé cresceu, a forca de Deus operou neles: eles são os eleitos. A carta toda é agradecida lembrança e experiência da vinda do Senhor.
A missa de hoje nos questiona: a construção da cidade terrestre é uma tarefa importante, mas não será ela caduca? Construindo a cidade dos homens contribui-se ou não para a edificação do Reino de Deus? Não serão dois reinos distintos?
Para nós católicos a esperança não se realiza, certamente, em plenitude, senão na vida eterna. Entretanto, a esperança se manifesta e é eficaz aqui e agora: é uma força imensa no mundo, é um fermento poderoso que o faz levedar, é um sal que dá sentido e sabor ao esforço humano de libertação, ao empenho temporal.
Não existem duas esperanças: uma terrena e outra celeste. A esperança é uma só: ela está intimamente ligada ao Céu, mas através do empenhamento cristão, a antecipa na realidade terrestre.
O cristão deve dizer sim à vida e não à violência que traz o uso das armas de fogo. Os irmãos e irmãs de caminhada devem ter a fé de Deus, que nos fez à sua imagem e semelhança, para iluminar os rumos do Brasil, com caridade e esperança nestes momentos difíceis. Porque de esperança e esperança, dando a César o que lhe pertence e a Deus tudo o que lhe devemos, vamos construir uma grande Nação, sendo a meta o centro da liturgia de hoje: estarmos, todos, à disposição do supremo Senhor, na construção da globalização da solidariedade
sábado, 15 de outubro de 2011
DIVÓRCIO E SEPARAÇÕES CONJUGAIS
DRA. ALICE SIBILE KOCH
DRA. DAYANE DIOMÁRIO DA ROSA
ABC da Saúde
O divórcio, quando ocorre, ou quando sua possibilidade se torna real na vida dos casados, é uma das mais importantes crises da vida do adulto.
No casamento, ambos os parceiros mudam ou evoluem com os anos, geralmente em diferentes ritmos, e não necessariamente em direções complementares, podendo surgir a necessidade de separação.
Assim, diante de um casamento não satisfatório, começam a surgir inúmeros problemas no convívio e no relacionamento, que chamaremos aqui de desajustes conjugais. Ocorrendo a separação, ambos os ex-parceiros , independente de quem tenha tomado a iniciativa, passam por um período de sofrimento em decorrência da perda da relação, por pior que essa estivesse no período imediatamente anterior ao divórcio.
Falaremos aqui em divórcio como sinônimo de separação de corpos e de domicílios, independente do tipo de casamento, seja civil, religioso ou consensual (amigável).
UMA MAIOR ACEITAÇÃO DO DIVÓRCIO
A maior facilidade legal para o divórcio e a diminuição da influência da religião com dogmas rígidos tornaram a separação um acontecimento mais aceitável, com as pessoas separadas sofrendo menor preconceito que no passado.
Uma mostra disso é o fato de no Brasil desde 1940 até 1990, segundo o IBGE, o percentual de pessoas divorciadas, na população em geral, aumentou aproximadamente 15 vezes. Outro aspecto que contribuiu foi a busca mais acentuada pelo bem-estar individual, através da maior oferta de prazer (real ou ilusória) na sociedade atual para aqueles que abrem mão da vida a dois.
COMO SE PERPETUAM RELAÇÕES DESAJUSTADAS NO CASAMENTO
Em um casamento, quando ocorre um desajuste conjugal, a responsabilidade pelo problema é de ambos os cônjuges, mesmo que aparentemente a situação aponte para um único responsável.
Isso porque ocorre o que pode ser chamado de acordo inconsciente entre os dois no casamento, isto é: um problema que aparentemente é de apenas um dos cônjuges, é, em geral, compartilhado ou até mesmo aceito pelo outro.
Assim, uma pessoa ao se casar ou manter-se casada o faz pelas virtudes do parceiro ou da própria união. Porém, com as virtudes, aparecem as diferenças e até mesmo os problemas.
Questões sócio-culturais também são muito importantes na manutenção de casamentos muito desajustados, principalmente em culturas e classes sociais em que a mulher (ou o homem) tem uma educação rígida em relação ao casamento, não tendo uma vida pessoal própria, independente, mesmo profissionalmente, em que o casamento e a maternidade são vistos como meio de vida, muitas vezes por necessidade e não como opção.
Além disso, muitos casamentos mantêm-se pela extrema dependência afetiva dos cônjuges um do outro, que faz com que desajustes intensos no casamento sejam tolerados, de modo que a tristeza pela perda do casamento seja intensa ou até insuportável, não permitindo uma separação mesmo que os problemas conjugais sejam vários.
CAUSAS DO DIVÓRCIO
Da mesma forma que ocorre com o casamento, o divórcio é uma questão única para cada dupla que se separa.
Geralmente a separação é mais comum entre casais que se uniram na adolescência ou entre membros de diferentes níveis sócio-econômicos e culturais. Também pessoas cujos pais eram separados têm maior tendência a resolver um problema conjugal optando pelo divórcio.
Outra experiência provocadora de tensões no casamento é a paternidade, fazendo com que o parceiro sinta menos prazer com o outro após o nascimento de filhos.
A presença de doença nos filhos também gera uma tensão ainda maior, sendo que casamentos em que um dos filhos morre por doença ou acidente têm uma tendência de cerca de 50% em terminarem no divórcio.
DIVÓRCIO E RELAÇÕES EXTRACONJUGAIS
Na meia idade (40 a 60 anos) 60% dos homens e 40% das mulheres tiveram pelo menos um encontro extraconjugal (segundo dados americanos). A maioria desses acontecimentos é mantida em segredo, mas a sua revelação raramente se transforma em causa suficiente para a separação.
Muitas vezes, contudo, a relação extraconjugal sinaliza insatisfações prévias dentro do casamento, de um ou de ambos os parceiros, e não necessariamente apenas insatisfações sexuais.
MOTIVOS PSICOLÓGICOS PARA O DIVÓRCIO
Inúmeras e praticamente incontáveis podem ser as razões objetivas e práticas de separações. As pessoas que se separam podem atribuir a perda do amor, a presença de um relacionamento extraconjugal, o esfriamento sexual, as brigas constantes, a interferência dos sogros, a falta de dedicação ao casamento, e tantos outros que propiciam um desajuste conjugal.
Porém, da mesma forma que vimos antes em relação aos fatores inconscientes (não percebidos pela pessoa) que são capazes de manter uniões “desajustadas”, também ocorrem fatores psicológicos (inconscientes) da pessoa que agem na hora de optar-se por separações, além dos fatores objetivos, práticos, que se mostram mais evidentes.
Podemos falar nos seguintes fatores psicológicos que determinam as separações:
Escolha do cônjuge:
Não é raro que uma escolha insatisfatória tenha uma repercussão através do divórcio somente após anos de casamento. O nascimento de filhos, o surgimento de rotinas, a estabilização da vida sexual, a maior independência dos filhos crescidos, entre outros aspectos comuns do casamento, porém geradores de ansiedade, podem levar a uma reflexão sobre a escolha do cônjuge apenas após anos de vida a dois.
Amadurecimento do casal:
Uma segunda causa psicológica para o divórcio seria o amadurecimento desigual do casal. As mudanças naturais que ocorrem em cada pessoa ao longo da vida podem gerar nos parceiros de casamento diferenças que se tornam difíceis de conciliar.
Decadência dos aspectos saudáveis do casamento:
A diminuição do efeito saudável, ou terapêutico, do casamento é algo que muitas vezes determina seu fim. Não é raro que uma pessoa encontre no parceiro alguém que vai poder aliviar sua ansiedade ou angústia diante de alguns de seus problemas pessoais. É importante lembrar que isso, em si, não é algo anormal ou um problema em si. É algo natural das uniões. Porém pode extremar-se ou tornar-se um problema. Mas quando este lado de alívio da ansiedade dentro do casamento é rompido, a união pode acabar.
Mudança psicológica de um dos cônjuges:
Muitas vezes o que pode aproximar duas pessoas são seus lados problemáticos, ou conflituosos. Assim, o divórcio pode estar ligado à melhora psicológica de um dos cônjuges, sem ser acompanhado pelo outro.
Surgimento de um problema psicológico em um dos cônjuges:
Uma mulher pode ver-se diante de uma forte necessidade de separar-se de um marido que, com o passar dos anos, foi se tornando deprimido e alcoolista. Da mesma forma, um homem pode não mais conseguir manter-se com uma mulher que, diante das inseguranças e sentimentos depressivos do período de climatério (menopausa), começa a ter casos extraconjugais, como forma de reafirmar sua sexualidade e feminilidade, muitas vezes abaladas nesse período.
Ilusões sobre o divórcio:
Às vezes pode também ocorrer da pessoa iludir-se a respeito da vida do divorciado (que seria mais prazerosa) e acabar optando pela separação. Portanto, não é tão raro ou estranho que separações retrocedam.
A CRISE DO DIVÓRCIO
Divórcio é um momento de crise importante na vida da pessoa. Em geral, ocorre uma reação de luto pelo fim da união, por pior que esta estivesse antes da separação. Falamos de luto pela tristeza decorrente da perda do casamento, tristeza que pode iniciar antes mesmo da separação definitiva. A maioria das pessoas relata sentimentos de depressão e angústia intensa, relacionada a dúvidas e mudança constante no humor na época do divórcio (às vezes alegre, eufórico, às vezes triste, outras irritado). Apesar de uma separação poder ocorrer de forma rápida, estudos mostram que o processo de recuperação psicológica da crise do divórcio leva cerca de dois anos para ter uma resolução satisfatória, quando torna-se possível que o ex-cônjuge seja visto de modo neutro (sem raiva ou rancor intensos ou, por outro lado, quando deixa de ser visto como "uma paixão insubstituível e perfeita"), com cada um dos separados aceitando sua nova identidade de pessoa solteira ou descasada.
OS FILHOS DO DIVÓRCIO
Como ficam as crianças após o divórcio é uma preocupação freqüente dos pais e daqueles que profissionalmente se dedicam a minimizar o efeito do divórcio nos filhos dos separados.
Portanto, conseqüência para as crianças existem, e mais ou menos, de acordo com vários fatores, incluindo a própria resolução favorável da separação para os pais, a idade das crianças e o seu grau de desenvolvimento.
Do ponto de vista da criança, é preciso levar em conta que a separação é um projeto dos pais. Muitas crianças conseguem ser razoavelmente felizes e sentirem-se bem cuidadas em famílias em que um ou ambos os cônjuges sentem-se infelizes.
Poucas crianças demonstram sentirem-se aliviadas com a decisão do divórcio.
Uma repercussão imediata dos filhos ao divórcio é variável de acordo com o desenvolvimento e a idade dos mesmos. As crianças mais novas, pré-escolares, de 3 a 5 anos, podem apresentar uma regressão depois que um dos pais deixa o lar, podendo voltar a urinar na cama, a serem mais solicitantes, demonstrando ter vários medos e a ter alterações no sono. Podem se tornar irritáveis e exigentes.
Crianças de 5 a 8 anos geralmente demonstram uma tristeza aberta pelo divórcio, freqüentemente se refletindo no declínio do rendimento escolar.
Na idade de 8 a 12 anos em geral a criança reage com raiva franca de um ou de ambos os pais, por terem causado a separação. Por vezes demonstram ansiedade, solidão e sentimentos de humilhação por sua própria impotência diante do ocorrido. O desempenho escolar e o relacionamento com colegas podem ter prejuízo nesta fase.
Vimos como as conseqüências do divórcio nas crianças a médio e a longo prazo é muito variável. Já os adolescentes sofrem com o divórcio muitas vezes com depressão, raiva intensa ou com comportamentos rebeldes e desorganizados.
Contudo, como escreveu Judith Wallerstein, uma importante estudiosa de separações conjugais, em “Filhos do Divórcio”: "quando os pais decidem pela separação após pensar bem e considerar cuidadosamente as alternativas, quando previram as conseqüências psicológicas, sociais e econômicas para todos os envolvidos, quando acertaram manter um bom relacionamento entre pais e filhos, então é provável que as crianças não venham a sofrer interferência no desenvolvimento ou desgaste psicológico duradouro. Por outro lado, se o divórcio for realizado de modo a humilhar ou enraivecer um dos parceiros, se o ressentimento e a infelicidade dominarem o relacionamento pós-divórcio, ou se as crianças forem mal amparadas ou informadas, se foram usadas como aliadas, alvo de disputa ou vistas como extensões dos adultos, se o relacionamento da criança com um ou ambos os pais for empobrecido e perturbado e se a criança se sentir rejeitada, o desfecho mais provável para as crianças será a interferência no desenvolvimento, a depressão ou ambos".
O DIVÓRCIO NA BALANÇA: OS PRÓS E OS CONTRAS DO DIVÓRCIO.
Invariavelmente a separação em um casamento não é uma mera opção da pessoa, o que implica dizer que se separar não é fácil, pois há sofrimento envolvido, por mais que o casamento esteja aparentemente pouco satisfatório, ou mesmo desajustado.
A separação em geral força a pessoa, antes mesmo de separar-se, a tornar-se autônoma, a sair de uma posição de dependência, sendo que esta posição pode ser difícil de ser conquistada, especialmente se ambas as pessoas estão acostumadas a serem dependentes uma da outra (como normalmente acontece no casamento, em que há dependência e uma certa mistura da vida de duas pessoas, para que ele exista satisfatoriamente).
Mais comumente, a iniciativa da separação parte apenas de um dos cônjuges. Por vezes este poderá enfrentar sentimentos de culpa, principalmente se o casal possuir filhos, o que intensifica a dúvida da separação. A pessoa que toma a iniciativa poderá sentir-se causadora de sofrimento aos filhos, a si própria e até mesmo ao cônjuge de quem está separando-se, principalmente se esse se mostra muito fragilizado com a possibilidade do divórcio.
De modo similar, pode ocorrer o medo e a incerteza diante do futuro da vida de descasado, com os sentimentos de abandono, de solidão e de vazio pela perda da relação conjugal.
Por outro lado, o divórcio coloca na balança o sofrimento que pode ser causado pela permanência em um casamento insatisfatório. A pessoa pode sentir-se sacrificada dentro de uma relação que não lhe permite satisfação pessoal. O amadurecimento pessoal de cada um, se for desigual ou em direções muito diferentes, pode afastar as pessoas, de modo que a permanência da união poderá causar problemas emocionais para um ou para ambos.
Da mesma forma, uma escolha do cônjuge que não foi madura, em uma época muito inicial da vida ou baseada em aspectos psicológicos doentios, como foi descrito anteriormente, pode fazer o casamento tornar-se difícil de ser mantido, marcado por sentimentos de raiva do cônjuge, ou de tristeza e depressão, existindo um sentido de obrigação para manter o casamento e não um desejo sincero e maduro de mantê-lo e desfrutá-lo.
Além disso, muitos casamentos podem se manter por aspectos psicológicos pouco sadios, com poucos sentimentos de amor, carinho, respeito, podendo predominar desprezo, raiva, inveja, que resultam em uniões marcadas por competição, constantes acusações, brigas, agressões físicas, ou dependência doentia de um ou de ambos os casados.
DIVÓRCIO E TRATAMENTOS PSICOLÓGICOS
Sendo o divórcio uma crise importante na vida das pessoas que o enfrentam, muitos procuram algum tipo de tratamento psicológico em decorrência do mesmo, seja antes, durante, ou após a separação.
A maioria das pessoas, contudo, não o fazem, seja por não sentirem necessidade, seja por falta de condições (ou não possuírem algum tratamento acessível) ou por falta de conhecimento a respeito de auxílios psicológicos.
Além disso, muitas vezes, no senso comum, existe a idéia de que tratamentos psicológicos (psiquiátricos, psicoterápicos ou psicanalíticos) fazem com que a pessoa que se trata termine por se separar.
Entretanto, tratamentos psicológicos bem orientados objetivam reduzir as perturbações no relacionamento, muitas vezes favorecendo a manutenção do casamento e o enriquecimento do vínculo afetivo do casal.
Além disso, muitas pessoas podem sentir necessidade de tratamento após a separação, justamente pela perda que esta envolve, ou pelas modificações de vida decorrentes da mesma. Por último, no casamento podem ressurgir problemas psicológicos de um ou de ambos os parceiros anteriores ao próprio casamento, mas que se exacerbam durante a vivência a dois ou em família.
Postado por MFC ALAGOAS
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Jovem cantor iraquiano comove a Austrália com história marcada pela caridade católica
A audição do jovem iraquiano Emmanuel Kelly em no reality show musical australiano X-factor já chegou às cinco milhões de vistas no Youtube. Sua história de luta e superação comove australianos e estrangeiros mas poucos sabem que atrás dela estão a dedicação de sua mãe adotiva, uma conhecida católica, e as Missionárias da Caridade, fundadas pela Beata Teresa da Calcutá.
Emmanuel não sabe quando nasceu, mas sabe que está vivo graças às feiras que o resgataram junto a seu irmão Ahmed quando era muito pequeno.
“Estávamos em uma caixa de sapatos, em meio de uma zona de guerra”, recorda. Os irmãos conservam os rastros da guerra química no Iraque e padecem de sérias deformações nos braços e pernas.
Moira Kelly, uma conhecida católica australiana dedicada às obras humanitárias e que trabalhou por anos com a Madre Teresa de Calcutá, encontrou os irmãos no orfanato da Missionárias da Caridade em Bagdá, adotou-os e os criou na Austrália onde receberam tratamento médico, reabilitação e muito amor.
Kelly decidiu dedicar sua vida à caridade quando era menina após ver um documentário sobre o trabalho da Madre Teresa e hoje dirige a organização humanitária Children First Foundation e recebeu numerosos reconhecimentos por seu trabalho. Há pouco assumiu o desafio de cuidar de umas meninas siamesas de Bangladesh –unidas pela cabeça–, que foram operadas com êxito e hoje se reabilitam com ajuda de sua organização.
Emmanuel assegura que o que mais gosta de fazer é cantar. Sua audição foi a mais aplaudida do concurso e de longe a mais comovedora. Seu irmão Ahmed, que carece das extremidades, é nadador e tem como objetivo chegar às Paraolimpíadas de Londres 2012.
Embora Emmanuel não tenha podido chegar à final do concurso por decisão do jurado –o que causou um ardoroso protesto dos televidentes–, o testemunho de valor, coragem e amor familiar que compartilhou em sua audição está dando a volta ao mundo através das redes sociais.
O vídeo (legendado em português) pode ser visto no youtube:
clique aqui
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