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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A FÉ EM PERIGO



Dom Fernando Arêas Rifan
Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney

E
m 11 de outubro último, teve início o ANO DA FÉ, estabelecido pelo Papa Bento XVI. A data coincide com a comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e dos 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica.

Quando estava em Roma, no ano 2001, assisti admirado, na Praça de São Pedro, à chegada de milhares de fiéis do movimento Kolping, vindos da Alemanha, sobretudo homens, cantando com entusiasmo contagiante. Comentei então com um Cardeal alemão que estava ao meu lado: "Diante disso, Eminência, não se pode dizer que a Alemanha não seja um país católico!" Ele, porém, observou, acalmando um pouco o meu entusiasmo: "É, mas a Fé sempre corre perigo!". Era o Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

O Papa tem se mostrado preocupado com a crise da Fé: "Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo... Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas. Não devemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida... Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos..." (Carta Apostólica Porta Fidei, pela qual Bento XVI proclama o Ano da Fé).

Nesse momento, reúne-se com o Santo Padre em Roma a XIII Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos, tendo por tema "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã".

O que moveu o Papa a essa nova evangelização ele já havia lembrado no discurso inaugural da Conferência do CELAM, em Aparecida: "Percebe-se certo enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica". Na mesma linha, os Bispos do CELAM escreveram: "O Santo Padre nos responsabilizou ainda mais, como Igreja, na grande tarefa de proteger e alimentar a fé do povo de Deus... Nas últimas décadas vemos com preocupação, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as práticas religiosas... Não resistiria aos embates do tempo atual uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de algumas normas e de proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais das verdades da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados. Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez" (Documento de Aparecida, n. 7, 12, 100 f).

domingo, 14 de outubro de 2012

LITURGIA DO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 14/10/2012



  
   
“A CAUSA DE CRISTO E DO EVANGELHO!”
A Palavra de Deus nos questiona: pode um rico salvar-se? Sabemos que não basta o mero cumprimento de normas e leis. É preciso radicalidade no seguimento de Cristo. Ao dizermos que para Deus tudo é possível, não estamos entendendo que o rico será salvo mesmo que continue acumulando riquezas para si. Deus salva ao tocar seu coração e espera que se converta e viva a comunhão com Deus e com os irmãos.

 
   
28º DOMINGO COMUM
1ª Leitura: Sb 7,7-11
Salmo Responsório:  89
2ª Leitura: Hb 4,12-13
Evangelho: Mc 10,17-30

EVANGELHO
Marcos 10,17-30

Naquele tempo, 17quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”

18Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe”.

20Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”.

21Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”

22Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

23Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!”

24Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”

26Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?”

27Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.

28Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”.

29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.

— Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor.

HOMILIA
Padre Queiroz

VENDE TUDO O QUE TENS E SEGUE-ME!

Neste Evangelho, Jesus nos ensina que a pobreza voluntária é necessária para entrar no Reino de Deus. O Evangelho tem três partes:

1ª) Um homem rico quer seguir a Jesus, mas Jesus coloca como condição que ele venda todos os seus bens e dê aos pobres. Claro que pode acontecer que os próprios pobres digam ao homem: “Está bem, seus bens agora são nossos. Mas nós lhe pedimos que os administre para nós”. Assim, o homem deixa de ser rico e se torna administrador de bens que não são dele. Muitos e muitas hoje fazem isso e continuam aparentemente donos dos bens que antes possuíam.

2ª) Jesus instrui os discípulos sobre a questão da riqueza. Ela é tão arraigada na pessoa rica, que é mais fácil um camelo (animal) passar pelo buraquinho de uma agulha (dessas agulhas normais, com as quais as costureiras remendam roupa). Quer dizer: é impossível. Mas para Deus tudo é possível. O que Jesus não aceita é segui-lo pela metade.

3ª) A recompensa de Deus para quem se desprende dos bens materiais por amor a Cristo é generosa: A pessoa ganha cem vezes mais tudo o que renunciou.

O Evangelho começa dizendo que Jesus saiu a caminhar. Ele estava sempre caminhando, indo atrás das ovelhas. Não ficava parado, esperando que elas o procurassem.

Quando o homem rico de aproximou, “Jesus olhou para ele com amor”. Jesus sempre nos olha com amor. Entretanto, se alguém quer segui-lo, aí ele é exigente e, antes que a pessoa dê o primeiro passo, Jesus já coloca a condição mais importante: renunciar ao outro “deus” que são os bens materiais. Isso porque não podemos levar uma vida dupla, servindo a dois senhores (Cf Lc 16,13).

O amor é por si mesmo totalizante. Os namorados, por exemplo, não aceitam que seu parceiro ou parceira divida o amor com outra pessoa.
O Evangelho diz que o homem “foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”. A riqueza trás uma felicidade ilusória, que leva sempre à tristeza.

Não é Deus que fecha a porta do Céu ao rico; é ele que não quer entrar. A felicidade ilusória e o apego levam o rico até a matar pessoas por causa de alguns centavos. Ele se torna tão auto-suficiente, que pensa não precisar nem de Deus.

A riqueza tira o gosto pelas coisas de Deus, cega os olhos, ensurdece os ouvidos e torna o coração duro como pedra. “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). O rico passa inevitavelmente da posse de bens para a posse de pessoas. Ser dono de bens pode, mas ser dono de pessoas Deus não aceita!

Muitos acham que a questão do uso dos bens materiais não faz parte da vida cristã. Mas faz sim, e de cheio. Todas as vezes que Jesus falou do juízo final, ele colocou como ponto central do julgamento a partilha dos nossos bens materiais com os necessitados.

“Enquanto houver um pobre em vosso meio, a vossa Missa foi mal rezada” (Um santo padre da Igreja primitiva). Mais do que pobres, eles são empobrecidos, isto é, a sociedade é que os fez pobres. “Os pobres não precisam de esmola, precisam de justiça” (Madre Teresa de Calcutá).

“... e terás um tesouro no Céu.” Seguir a Jesus integralmente é o melhor tesouro que podemos adquirir. É uma riqueza que “a traça não corrói e o ladrão não rouba”. O resto é tudo vaidade. “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 12,8), exceto amar a Deus e só a ele servir. “Tudo para mim é lixo, exceto o seguimento de Jesus Cristo” (S. Paulo). “Buscai os bens do alto...” (S. Paulo).
Havia, certa vez, um sitiante que tinha em seu sítio dois cavalos. De longe, pareciam cavalos normais, mas, quando se olhava bem, percebia-se que um deles era cego. Contudo, o dono não se desfez dele e arrumou-lhe um companheiro, um cavalo mais jovem.

Quando alguém fica observando, logo ouve o barulho de um sino que está amarrado no pescoço do cavalo mais novo. Assim, o cavalo cego sabe onde está seu companheiro e vai até ele. Ambos passam o dia comendo e no fim do dia o cavalo cego segue o companheiro até o estábulo.

Quem observa, logo percebe que o cavalo que tem o sino está sempre olhando se o outro o acompanha. Às vezes pára para esperá-lo. E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo.

Como colocou no instinto dos animais, Deus não se desfaz de nós, quando temos alguma deficiência ou limitação. A pobreza é uma limitação, e Deus quer amparar os pobres, através daqueles que têm um pouquinho mais de recursos, que somos nós.

O Anjo Gabriel saudou Maria Santíssima com a expressão “cheia de graça”. Esta é a sua riqueza. Que ela nos ajude a ter a coragem de renunciar a tudo, a fim de ganhar as riquezas do céu.

Vende tudo o que tens e segue-me!

ORAÇÃO
Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça, para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Amém!

Editado por MFC ALAGOAS

LEMBRE-SE:
“SE NÃO PARTICIPARMOS DA MISSA, DE NADA VALE NOSSO ESFORÇO SEMANAL.”
  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

12 de outubro - Nossa Senhora da Conceição Aparecida


No dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos lembrem-se de
todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Nosso feriado nacional, no entanto, deve-se somente à primeira data, e, embora a devoção à santa remonte aos idos do século XVIII, só foi decretado em 1980.
Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.
Segundo estas fontes, em 1717 os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso pescavam no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu. Ou melhor, tentavam pescar, pois toda vez que jogavam a rede, ela voltava vazia, até que lhes trouxe a imagem de uma santa, sem a cabeça. Jogando a rede uma vez mais, um pouco abaixo do ponto onde haviam pescado a santa, pescaram, desta vez, a cabeça que faltava à imagem e as redes, até então vazias, passaram a voltar ao barco repletas de peixes. Esse é considerado o primeiro milagre da santa. Eles limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.
Durante os próximos 15 anos, a imagem permaneceu com a família de Felipe
Pedroso, um dos pescadores, e passou a ser alvo das orações de toda a comunidade. A devoção cresceu à medida que a fama dos milagres realizados pela santa se espalhava. A família construiu um oratório, que, logo constatou-se, era pequeno para abrigar os fiéis que chegavam em número cada vez maior. Em meados de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou construir uma capela no alto do Morro dos Coqueiros para abrigar a imagem da santa e receber seus fiéis. A imagem passou a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.

Em 1834 iniciou-se a construção da igreja que hoje é conhecida como Basílica Velha. Em 06 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e deixou para a santa uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com o manto azul. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, em 1930, o papa Pio XI decreta-a padroeira do Brasil, declaração esta reafirmada, em 1931, pelo presidente Getúlio Vargas.
A construção da atual Basílica iniciou-se em 1946, com projeto assinado pelo
Engenheiro Benedito Calixto de Jesus. A inauguração aconteceu em 1967, por ocasião da comemoração do 250.º Aniversário do encontro milagroso da imagem,
ainda com o templo inacabado. O Papa Paulo VI ofertou à santa uma rosa de ouro, símbolo de amor e confiança pelas inúmeras bênçãos e graças por ela concedidas. A partir de 1950 já se pensava na construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.

A data comemorativa à Nossa Senhora Aparecida (aniversário do aparecimento
da imagem no Rio) foi fixada pela Santa Sé em 1954, como sendo 12 de outubro, embora as informações sobre tal data sejam controversas. É nesta época do ano que a Basílica registra a presença de uma multidão incontável de fiéis, embora eles marquem presença notável durante todo ano.

A imagem encontrada e até hoje reverenciada é de terracota e mede 40 cm de
altura. A cor original foi certamente afetada pelo tempo em que a imagem esteve mergulhada na água do rio, bem como pela fumaça das velas e dos candeeiros que durante tantos anos foram os símbolos da devoção dos fiéis à santa. Em 1978, após o atentado que a reduziu a quase 200 pedaços, ela foi reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Peritos afirmam que ela foi moldada com argila da região, pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, embora esta autoria seja de difícil comprovação.

Seja qual for a autoria da imagem ou a história de sua origem, a esta altura ela pouco importa, pois as graças alcançadas por seu intermédio têm trazido esperança e alento a um sem número de pessoas. Se quiser saber mais detalhes sobre a Basílica e sua programação, visite o site www.santuarionacional.com.br, no qual também é possível acender uma vela virtual. E já que a fé, assim como a internet, não conhece fronteiras, eu já acendi a minha, por um mais paz e igualdade no mundo. Acenda a sua e que
Nossa Senhora Aparecida nos ouça e ilumine o mundo, que está precisando tanto de cuidados.


Além da farta pescaria, muitos outros milagres são atribuídos à Nossa Senhora Aparecida. Veja alguns abaixo:
A libertação do escravo Zacarias
O escravo Zacarias havia fugido de uma fazenda no Paraná e acabou sendo
capturado no Vale do Paraíba. Foi caçado e capturado por um famoso capitão
do mato e, ao ser levado de volta, preso por correntes nos pulsos e nos pés,
e como passassem perto da capela da Santa, pediu permissão para rezar diante
da imagem. Rezou com tanta devoção que as correntes milagrosamente se
romperam, deixando-o livre. Diante do ocorrido, seu senhor acabou por
libertá-lo.

O cavaleiro ateu
Um cavaleiro que passava por Aparecida, vendo a fé dos romeiros, zombou
deles e tentou entrar na igreja a cavalo para destruir a imagem da santa. Na
tentativa, as patas do cavalo ficaram presas na escadaria da igreja. Até
hoje pode-se ver a marca de uma das ferraduras em uma pedra, na sala dos
milagres da Basílica Nova.

A cura da menina cega
Uma menina cega, ao aproximar-se, com a mãe, da Basílica, olhou em direção a
ela e, de repente, exclamou "Mãe, como aquela igreja é bonita." Estava
enxergando, perfeitamente curada.


Baseado no artigo de Márcia Busanello
Fonte: site Ao Mestre Com Carinho -
 www.aomestrecomcarinho.com.br

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Bento XVI: A Reconciliação é a via mestra da Nova Evangelização


VATICANO - Na homilia da Missacelebrada na manhã de domingo na ocasião em que o Papa Bento XVI, que inaugurou a XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, assegurou que “deixar-se reconciliar com Deus e com o próximo é a via mestra da nova evangelização”.
O Sínodo dos Bispos deste ano tem como tema central “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.
O Santo Padre precisou que “só purificados, os cristãos podem encontrar o legítimo orgulho da sua dignidade de filhos de Deus, criados à Sua imagem e redimidos pelo sangue precioso de Jesus Cristo, e podem experimentar a sua alegria, para compartilhá-la com todos, com os de perto e os de longe.”.
Bento XVI expressou que ao olhar o ideal da vida cristã, “expressado na chamada à santidade”, vemos com humildade “a fragilidade de muitos cristãos, antes, o seu pecado, pessoal e comunitário, que se apresenta como um grande obstáculo para a evangelização; e nos encoraja a reconhecer a força de Deus que, na fé, vem ao encontro da fraqueza humana.”.
“Portanto, não se pode falar da nova evangelização sem uma disposição sincera de conversão”, sublinhou.
O Santo Padre pediu aos Bispos participantes no Sínodo, no início da Assembléia, “acolher o convite a fixar os olhos no Senhor Jesus, ‘coroado de glória e honra por sua paixão e morte’”.
“A Palavra de Deus nos coloca diante do crucificado glorioso, de modo que toda a nossa vida e, em particular, o compromisso desta assembléia sinodal, se desenvolva na presença d’Ele e à luz do seu mistério. A evangelização, em todo tempo e lugar, teve sempre como ponto central e último Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1,1); e o Crucificado é por excelência o sinal distintivo de quem anuncia o Evangelho: sinal de amor e de paz, chamada à conversão e à reconciliação. Sejamos nós, Venerados Irmãos, os primeiros a ter o olhar do coração dirigido a Ele, deixando-nos purificar pela sua graça”.
Bento XVI assinalou que “o Crucificado é por excelência o sinal distintivo de quem anuncia o Evangelho: sinal de amor e de paz, chamada à conversão e à reconciliação”.
“Sejamos nós, Venerados Irmãos, os primeiros a ter o olhar do coração dirigido a Ele, deixando-nos purificar pela sua graça”, alentou o Pontífice.
O Papa refletiu brevemente, sobre a «nova evangelização», relacionando-a com a evangelização ordinária e com a missão da gente.
“A Igreja existe para evangelizar. Fiéis ao mandamento do Senhor Jesus Cristo, seus discípulos partiram pelo mundo inteiro para anunciar a Boa Nova, fundando, por toda a parte, comunidades cristãs. Com o passar do tempo, essas comunidades tornaram-se Igrejas bem organizadas, com numerosos fiéis”, apontou o Santo Padre.
O Santo Padre também sublinhou durante sua homilia de forma especial “o tema do matrimônio”, pois merece “uma atenção especial”.
“O matrimônio se constitui, em si mesmo, um Evangelho, uma Boa Nova para o mundo de hoje, em particular para o mundo descristianizado. A união do homem e da mulher, o ser «uma só carne» na caridade, no amor fecundo e indissolúvel, é um sinal que fala de Deus com força, com uma eloqüência que hoje se torna ainda maior porque, infelizmente, por diversas razões, o matrimônio, justamente nas regiões de antiga tradição cristã, está passando por uma profunda crise”.
“O matrimônio se fundamenta, enquanto união do amor fiel e indissolúvel, na graça que vem do Deus Uno e Trino, que em Cristo nos amou com um amor fiel até a Cruz. Hoje, somos capazes de compreender toda a verdade desta afirmação, em contraste com a dolorosa realidade de muitos matrimônios que, infelizmente, acabam mal”.
Bento XVI assinalou que existe uma “clara correspondência entre a crise da fé e a crise do matrimônio. E, como a Igreja afirma e testemunha há muito tempo, o matrimônio é chamado a ser não apenas objeto, mas o sujeito da nova evangelização. Isso já se vê em muitas experiências ligadas a comunidades e movimentos, mas também se observa, cada vez mais, no tecido das dioceses e paróquias, como demonstrou o recente Encontro Mundial das Famílias”.
O Papa destacou que “a chamada universal à santidade é uma das idéias chave do renovado impulso que o Concílio Vaticano II deu à evangelização que, como tal, aplica-se a todos os cristãos. Os santos são os verdadeiros protagonistas da evangelização em todas as suas expressões”.
“Com sua intercessão e o exemplo de suas vidas, aberta à fantasia do Espírito Santo, mostram a beleza do Evangelho e da comunhão com Cristo às pessoas indiferentes ou inclusive hostis, e convidam aos crentes mornos, por dizê-lo assim, a que com alegria vivam de fé, esperança e caridade”, assinalou.
“Eles são, em particular, também os pioneiros e os impulsionadores da nova evangelização: pela sua intercessão e exemplo de vida, atentos à criatividade que vem do Espírito Santo, eles mostram às pessoas, indiferentes ou mesmo hostis, a beleza do Evangelho e da comunhão em Cristo; e convidam os fiéis, por assim dizer, tíbios, a viverem a alegria da fé, da esperança e da caridade; a redescobrirem o «gosto» da Palavra de Deus e dos Sacramentos, especialmente do Pão da Vida, a Eucaristia”, destacou também o Papa.
Ao finalizar sua homilia, Bento XVI encomendou a Deus os trabalhos da Assembléia sinodal, e invocou a intercessão dos grandes evangelizadores, entre os quais queremos contar com grande afeto o beato João Paulo II, cujo longo pontificado “foi também exemplo de nova evangelização”.
“Queridos irmãos e irmãs, confiamos a Deus o trabalho da Assembléia sinodal com o sentimento vivo da comunhão dos santos invocando, em particular, a intercessão dos grandes evangelizadores, dentre os quais queremos incluir com grande afeto, o Beato Papa João Paulo II, cujo longo pontificado foi também um exemplo da nova evangelização”.
“Colocamo-nos sob a proteção da Virgem Maria, Estrela da nova evangelização. Com ela, invocamos uma especial efusão do Espírito Santo, que ilumine do alto a Assembléia sinodal e torne-a fecunda para o caminho da Igreja, hoje no nosso tempo”, concluiu.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

FAMÍLIA... TEMOS MUITO A APRENDER!


Elza, Flávio, Ilson, Luciana, Lindinalva e Olímpio Alvis
Equipe Sagrada Família – MFC Rondonópolis/MT

A
tualmente somos bombardeados por uma infinidade de informações, mas assimilamos poucos aprendizados. Falamos muito, olhamos para muitas coisas diferentes, mas vemos pouco e pouco aprendemos, porque não há tempo para debruçar sobre os fatos; para “reparar” o que realmente acontece à nossa volta.

Dia desses, ouvimos a história de um pai que vale a pena reproduzi-la para uma reflexão: “Um pai ao chegar a sua casa foi logo para o quarto e nem percebeu que o seu filho estava brincando na sala. Foi para o banho e ao sair do banheiro deparou com o filho que logo se atirou em seus braços e lhe disse: papai, o senhor está bem? O senhor entrou e nem me viu na sala. Parece que o senhor nem reparou que a mamãe não está em casa. Ela passou mal e foi para a casa da vovó. Será que ela vai ficar boa?”.

Naquele momento, o pai sentiu um aperto no coração, pois percebeu o quanto estava ausente, não só do filho, mas de toda a família. A preocupação da criança o sensibilizou e, a partir daquele dia, resolveu diminuir o ritmo do trabalho e se dedicar mais à esposa e aos filhos.

E você, como está se relacionando com a sua família? Está aberto a aprender com as crianças e com os seus familiares? Como tem sido o diálogo em sua casa?

Por mais difícil que seja a experiência do diálogo, a partilha em família nos ajuda a crescer no amor e na união.  Experimente olhar com mais atenção para as pessoas que te rodeiam. Tente entender porque agem dessa ou daquela maneira antes de criticá-las. Busque perceber as qualidades das pessoas e não perca a oportunidade de elogiá-las com sinceridade, pois o elogio engrandece, gera alegria e cria laços de harmonia.

Ao contrário da linguagem televisiva e da mídia em geral que se preocupa mais em mostrar fatos catastróficos, de violência e desamor, aprendamos a espalhar o amor, a começar pela nossa casa, lembrando que “gentileza gera gentileza”.

Ser gentil custa pouco e é um ótimo investimento. Experimente tratar sua família como você trataria seu melhor cliente; afinal, quando a família é bem sucedida, o primeiro a ser beneficiado será você mesmo.

Pense nisso... Como refletia nosso saudoso papa João Paulo II “investir na família é construir o futuro”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CORREIO MFC BRASIL Nº 296




VIOLÊNCIA É UMA DROGA
HELIO AMORIM – MFC/RJ

A matança de jovens em Mesquita, com todos os requintes de crueldade própria de monstros inflados por ódios desumanos desperta na população, mais que medo, um profundo desalento e desesperança na busca da construção de uma civilização verdadeiramente humana que se tenta concretizar.

E
ssa barbárie repetida está sempre vinculada ao tráfico de drogas. São ações “corretivas” que só traficantes drogados são capazes de executar para impor o pavor nos “pés de chinelo”, punindo os que “traíram” a confiança dos chefes. Advertência desumana para os que ainda não “pisaram na bola”. Esse é o idioma dos becos do tráfico para garantir a fidelidade dos adolescentes e jovens cooptados para o comércio de drogas. Já há presos e fugitivos identificados.

Esse crime hediondo não pode deixar de ser punido exemplarmente, para inibir novas chacinas. A guerra ao tráfico é difícil, revelam-se a cada dia cumplicidades inesperadas. Deve ser levada a consequências visíveis nas cúpulas escondidas em apartamentos de luxo, esconderijos às vezes conhecidos, mas imunes à repressão policial por parcerias criminosas de alto nível. Denúncias dos capi desse comércio devem ser premiadas generosamente, prêmios gordos anunciados para estimular essa “traição dos cúmplices” do crime organizado.

Não se combate eficazmente o tráfico prendendo apenas os que atuam nos pontos de venda e seus chefes imediatos vivendo com alguns luxos modestos nas próprias favelas em que comandam esse comércio. As ações devem ser focadas com mais intensidade e inteligência, nos bairros nobres das cidades. Os grandes gestores e financiadores do tráfico são ricos, não moram nos lugares de vendas e armazenamento de drogas nem deles chegam perto. Não se expõem a perigos desnecessários. Comandam de longe, invisíveis, com cuidados e bons advogados, deixando os riscos com suas quadrilhas de fornecedores e traficantes transfronteiras, transportadores e distribuidores internos.

Do outro lado, estão os consumidores, dependentes desse veneno do corpo e do espírito. Se a repressão pudesse ter êxito completo, como ficariam os que se drogam compulsivamente? Onde encontrar a droga agora necessária para não viverem transtornos psíquicos que podem desencadear grande sofrimento, angústia e atos desesperados? Esse é o desafio, além do esforço competente do apoio terapêutico mais amplamente disponível e acessível para uma superação efetiva da dependência. O mundo procura a possível solução desse dilema planetário. Em primeiro lugar, é preciso partir da consciência de que havendo procura haverá oferta. É a regra imutável do mercado.
  
Crescendo a repressão, o preço da droga aumentará e a ansiedade exigirá novos artifícios para conseguir dinheiro para a compra. O adolescente já não sabe explicar como some a mesada ou para onde foi o dinheiro que desapareceu misteriosamente de casa. Pais desconfiam, mas não têm certeza. A descoberta é sempre tardia.

Essa necessidade incontrolável pode levar ao crime, mesmo nas classes privilegiadas. Roubar e mesmo matar para comprar e consumir. A alternativa para o viciado seria o crack, muito barato, mas mortal no curto prazo. Os viciados das classes médias melhor informados já conhecem esse risco de morte e não se arriscam.

Uma das muitas saídas, todas igualmente difíceis de administrar, seria o cadastramento dos viciados que aceitassem acompanhamento médico em serviços de saúde credenciados e recebessem um cartão de dependente, para conseguir a sua droga grátis ou a preço simbólico em drogarias cuidadosamente selecionadas para esse serviço. Aquisição por entidade sanitária pública em país produtor conhecido, mediante acordo entre organismos de governos, a preços do agricultor local, considerando tratar-se de política de governo contra a praga. Objetivo inicial, interromper a relação direta com o traficante e competir para reduzir o seu mercado. O interesse do drogado seria livrar-se do preço crescente do traficante motivado pela repressão policial, aceitando orientação e controle da dosagem farmacêutica e algum tipo de acompanhamento de especialistas - ou, ainda, participação em grupos de apoio mútuo que apresentam resultados animadores (“grupos de drogados anônimos”).

Outras medidas de controle sanitário e policial mais efetivas e eficazes somadas, focadas na oferta de saídas aos dependentes e na identificação e prisão dos financiadores ocultos, com premiação da denúncia, poderiam levar a bons resultados a médio prazo. A preparação das escolas e seus professores para uma orientação competente e constante dos alunos, com recursos didáticos adequados, debate de filmes, verbas generosas para viabilizar tudo que contribua para a consciência dos riscos desde a infância e a adolescência, tudo somado e articulado, resultará em conquistas apreciáveis. Mas não dá para esperar.

EPÍSTOLA DE S. TIAGO, IRMÃO DE JESUS (Tg 5, 1-6)
1. E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós.
2. Vossa riqueza está apodrecendo e vossas roupas estão carcomidas pelas traças.
3. Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo! Amontoastes tesouros nos últimos dias.
4. Vede: o salário dos trabalhadores que ceifaram vossos campos, que deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor.
5. Vós vivestes luxuosamente na terra, entregues à boa vida, cevando vossos corações para o dia da matança.
6. Condenastes o justo e o assassinastes, ele não resistiu a vós.

A denúncia de Tiago atravessa dois milênios e nos chega como uma espada, advertindo-nos para a injustiça que permanece no mundo. O desafio aos cristãos é o dever da denúncia corajosa de toda forma de exploração, dominação e marginalização dos pobres numa sociedade de competição cruel e desigual. E o engajamento efetivo na luta pela construção de um país e um mundo melhores, prenúncio do Reino.

PENSAMENTOS DE RUBEM ALVES
POETA E EDUCADOR

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo.  Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo  Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo  isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

domingo, 7 de outubro de 2012

LITURGIA DO 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 07/10/2012



   
“FIDELIDADE DE DEUS E
FIDELIDADE DOS ESPOSOS!”
Deus falou: “Não é bom que o homem esteja só”. Fomos criados à sua imagem e não conseguimos viver sem companhia. Somos essencialmente sociais porque precisamos uns dos outros e porque a vida em comunhão é nosso caminho de realização. O matrimônio e a família foram planejados por quem entende do ramo. O que Jesus nos fala sobre isso continua ou não sendo uma boa notícia? 
   
27º Domingo Comum
 
1ª Leitura: Gn 2,18-24
Salmo Responsório:  127
2ª Leitura: Hb 2,9-11
Evangelho: Mc 10,2-16

EVANGELHO
MARCOS 10,2-16

Naquele tempo, 2alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher.

3Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?”

4Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”.

5Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. 6No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8Assim, já não são dois, mas uma só carne.

9Portanto, o que Deus uniu o homem não separe!”

10Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto.

11Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12E, se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.

13Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam.

14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”.

16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.

 — Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor.

HOMILIA
Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Auxiliar de Aracaju - Sergipe

Neste domingo, a Palavra de Deus trata do matrimônio e de sua indissolubilidade. Eis aqui um tema que se tornou tabu nos tempos atuais e, por isso mesmo, precisa ser tratado com toda clareza pelos cristãos… Afinal, se o Evangelho não for sal e luz, para que serve?

Comecemos com o plano de Deus, descrito no Gênesis de modo figurado, como as parábolas que Jesus contava. São textos que não devem ser tomados ao pé da letra! Se lermos com atenção, perceberemos algo muito belo: Deus, à medida que vai criando, vê que tudo é bom… Ao criar o ser humano, vê que “era muito bom” (Gn 1,31). Mas, há algo na criação que o Senhor Deus viu que não era bom: “Não é bom que o homem esteja só”. Se o ser humano é imagem do Deus-Trindade, ele não foi criado para a solidão, mas deve viver em relação com outros: “Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja semelhante”. Notemos os detalhes tão belos da criação da mulher: (1) “O Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão”. Por quê? Para ficar claro que o homem não participou da criação da mulher; esta é tão obra de Deus quanto aquele. (2) “Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher”. A imagem é bela: tirada do lado do homem, como companheira e igual! (3) “E Adão exclamou: ‘Desta vez sim, é osso de meus ossos e carne da minha carne!’” É a primeira vez que o homem falou, na Bíblia! E sua palavra foi uma declaração de amor… não a Deus, mas à mulher que o Senhor Deus lhe dera de presente: osso de meus ossos, carne de minha carne… parte de mim, cara metade, outro lado do meu coração! E, finalmente, o preceito de Deus, inscrito no íntimo do coração humano pelo próprio Criador: “O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”. Pronto! Esta é o sonho de Deus para o amor humano!

Já aqui há três observações a serem feitas: (a) o laço de amor entre o homem e a mulher é superior a qualquer outro laço, inclusive aquele que liga pais e filhos: o homem e a mulher deixarão pai e mãe para ir ao encontro de sua esposa, de seu esposo. (b) Esta união, no sonho original de Deus, envolve a pessoa toda, corpo e alma: “serão uma só carne”! É uma união completa, abrangente, total: serão um só coração, um só sonho, uma só conta bancária, uma só casa, um só futuro, um só destino! (c) A relação matrimonial, no sonho de Deus, é uma relação entre um homem e uma mulher. Por isso mesmo, jamais os cristãos poderão equiparar a união entre homossexuais ao matrimônio! O respeito às pessoas homossexuais é dever de todos nós; o respeito pela consciência dessas pessoas, que têm o direito de dar o rumo que acharem justo às suas vidas, é obrigação nossa, é gesto de amor que Jesus espera de seus discípulos. Mas, equiparar a relação matrimonial a qualquer outra relação afetiva, sobretudo homossexual, nunca! Por fidelidade a Cristo, nunca! Por respeito ao plano de Deus, jamais! Hoje, no Direito, há uma forte corrente aqui no Brasil, que considera como sendo família qualquer união simplesmente afetiva: não importa se a união é entre marido e mulher, entre amigos ou entre duas pessoas do mesmo sexo. Para nós cristãos, tal concepção é inaceitável! A família, para nós, não é uma realidade simplesmente natural, mas tem sua raiz no próprio plano de Deus. A família é uma realidade também teológica! É preciso escutar o que Deus tem a dizer sobre a família! O problema é que nossa sociedade já não é cristã; é pagã e pensa e age como pagã; é atéia e age como se Deus não existisse… Nossa sociedade acha que o homem é a medida de todas as coisas, o senhor do bem e do mal, do certo e do errado. Isso é absolutamente inaceitável para o cristão!

Agora podemos compreender a palavra de Jesus no Evangelho! Naquele tempo havia o divórcio… E Jesus, que é tão misericordioso, condena sua prática: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés” permitiu o divórcio! “No entanto, no princípio da criação Deus os fez homem e mulher… Já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” É uma palavra que parece dura, e os próprios discípulos tiveram dificuldades em compreender… como muitíssimos a têm hoje em dia. Compreendamos! Jesus veio para reconduzir este mundo ferido pelo pecado ao plano original de Deus. Ora, o sonho de Deus para o amor conjugal é que ele seja uma entrega total e plena, no amor indissolúvel, fiel e fecundo. Este é o ideal que Jesus aponta aos seus discípulos! Na perspectiva de Jesus, o divórcio é contrário ao plano de Deus para o amor humano! Por isso mesmo, o matrimônio abraçado por um cristão e uma cristã, no Senhor Jesus, é indissolúvel! Aqui é preciso deixar claro que a Igreja não tem autoridade para ensinar ou fazer diferente! Seria trair o Senhor! Surgem, no entanto, algumas questões sérias e graves:

(1) Como prometer amor por toda a vida, se nosso coração é inconstante? Primeiramente é necessário recordar que o matrimônio cristão somente pode ser abraçado na fé, sabendo os esposos que jamais a graça de Cristo lhes faltará. Com toda certeza, o Senhor haverá de conduzir os esposos no caminho do amor. Isto, no entanto, de modo algum, dispensa os esposos de cultivarem esse amor, com o diálogo, os gestos de carinho e de perdão, de compreensão e de atenção. Amor não é só sentimento: o amor não nasce de repente, não é fatal, não é cego, nem morre de repente. O amor pode e deve ser cultivado, cuidado. Como dizia São João da Cruz: “Onde não há amor, semeia amor e colherás amor”. A grande ilusão do mundo atual é pensar que o amor se reduz a sentimento, que não precisa ser cuidado nem cultivado! Confunde-se amor com paixão!

(2) Como fazer uma aliança para sempre, se esta depende não só de mim, mas também da outra pessoa? A questão é séria e, para nós, cristãos, deve ser pensada na fé. O matrimônio entre cristãos é sinal, é sacramento, do amor entre Cristo e a Igreja. São Paulo explica este mistério de modo belíssimo no capítulo quinto da Carta aos Efésios: marido e mulher devem se amar como Cristo e a Igreja (cf. Ef 5,21-32). Ora, este amor foi selado na cruz e na ressurreição; é amor pascal, amor que envolve morte e vida! A indissolubilidade não deveria ser vista como um fardo, mas como uma proposta de um Deus que crê no homem que criou; um Deus que nunca brinca com o amor, um Deus que aposta na nossa capacidade, quando aberta à sua graça! Ora, este amor-doação matrimonial, imagem daquele outro, entre Cristo e a Igreja, certamente terá a marca da cruz. As dificuldades conjugais, para o cristão, têm o nome de cruz, cruz que, assumida com amor e por amor, é transformada em alegria e plenitude de ressurreição. Aqui não se trata somente de palavras bonitas, mas de uma realidade impressionante: quem capitula, quem desiste ante as dificuldades, nunca plantará um amor no sentido cristão! A presença de Cristo na união conjugal não exclui as crises, as dificuldades, a incompatibilidade de temperamentos e até mesmo os erros na escolha do cônjuge! Mas tudo isso, por quanto doloroso possa ser, pode se tornar, em Cristo, um modo libertador e eficaz de participar com generosidade e desapego da cruz do Senhor e caminho de felicidade! “Loucura! Insanidade! Demência!” – dirá o mundo! Mas, a linguagem da cruz é loucura para o mundo! A sabedoria da cruz é tolice para o mundo! Nunca esqueçamos isso! Mas, para quem crê, é poder de Deus e sabedoria de Deus! (cf. 1Cor 1,18; 3,18-20). O problema é que as pessoas casam como os cristãos, mas não crêem nem vivem como os cristãos! Que fique bem assentado: o sonho de Deus em Cristo para o matrimônio é a indissolubilidade!

(3) E os nossos irmãos e irmãs que fracassaram na aliança conjugal e estão numa nova união? É uma situação dolorosa. Se são cristãos de verdade, a coisa é primeiramente difícil para eles. Não nos compete julgar suas intenções e sua história! Compete-nos respeitá-los e acolhê-los com espírito fraterno, ajudando-os a viver esta nova união do melhor modo possível. Isto, no entanto, não significa aprovação da separação nem da nova união. Mas, simplesmente, respeito pela história, pela consciência e pelo mistério da vida e das opções de cada irmão e de cada irmã. Mesmo porque, quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra. Cuidado, irmãos: não coloquemos fardos na vida dos outros!

Que o Senhor socorra as famílias e fortaleça no amor os esposos cristãos, fazendo-os simples como as crianças, capazes de acolher a proposta do Cristo para o matrimônio e que, nas dificuldades, recordem-se que Cristo, autor da nossa salvação, também foi levado à consumação passando pelos sofrimentos. Que nossos sofrimentos, unidos aos dele, sejam semente e penhor de vida eterna. Amém.

ORAÇÃO
Ó Deus eterno e todo poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Amém!

LEMBRE-SE:
“SE NÃO PARTICIPARMOS DA MISSA, DE NADA VALE NOSSO ESFORÇO SEMANAL.”

Editado por MFC ALAGOAS

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

MFC JOVEM EM AÇÃO

MFC JOVEM DE CURITIBA
Como um exemplo para todos nós, alguns integrantes do MFC Jovem e seus orientadores Jorge e Juliana, no último sábado 29/09 foram até o Hemobanco fazer doação de sangue. Pequenos gestos como este fazem uma grande diferença na vida de muitas pessoas. Mais uma vez registramos nosso parabéns a estes jovens.