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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 310




    
BENTO XVI RENUNCIOU, VIVA O PAPA!
Luiz Alberto Gómez de Souza
Sociólogo, diretor do Programa Ciência e Religião da UCAM

Assim se proclamava, nas monarquias, quando um rei morria ou era deposto e o sucessor vinha saudado. Mais importante do que o panegírico do que partia, era hora de olhar para frente, com esperança ou receios.

E
u estava numa reunião no palácio São Joaquim, aqui no Rio, em 2005, durante o último conclave, almoçando com os bispos auxiliares, quando foi anunciada a fumaça branca. Saímos da mesa e corremos à televisão. Foi quando eu disse: “Não sei quem será, mas vai chamar-se Bento XVI”. Quando Ratzinger saiu no balcão, alguns me olharam como se eu tivesse feito uma adivinhação. Na verdade, foi uma aposta por eliminação. O novo papa certamente não retomaria a série dos Pios, não seria um seguimento de João ou de Paulo, nem do composto João Paulo. Restava, no século XX, um papa, Bento XV, que ficara poucos anos, de 1914 a 1922, mas que interrompera a caça antimodernista de Pio X. Não saiu papa um reacionário como o secretário de estado espanhol Merry Del Val (o Sodano ou o Bertone daquele momento). Era um bispo de uma diocese importante, Bolonha, que fora pouco antes denunciado de modernista, em carta, a seu antecessor. O novo papa abriu a missiva, lacrada por ocasião da morte de Pio X e convocou o assustado acusador.

Uma lógica destas apontaria, indo um pouco mais atrás, na eleição de 1878, para um possível futuro Leão XIV. O papa anterior do mesmo nome também interrompera a prática de seus dois antecessores reacionários, Gregório XVI e Pio IX. E indicou que esperassem o próximo consistório, para verem seu novo estilo. E foi então quando nomeou cardeal o grande teólogo John H. Newman, convertido da Igreja Anglicana, crítico do Vaticano I e mal visto pelo outro cardeal inglês, Henry Manning. Aliás, o papa Bento XVI tinha Newman em grande admiração e o beatificou em 2010 (alguns historiadores, para incômodo de muitos, falaram de um companheiro de toda a vida, enterrado junto com ele, numa possível porém incerta relação homossexual, o que não diminuiria em nada seu enorme valor). Mas atenção, voltando ao presente, as lógicas não se repetem e o futuro é sempre inesperado.

Com o atual precedente, um papa pode (e até deve, em certos casos) deixar o poder ainda em vida, num movimento que passa dos poderes absolutos e pro vita, para uma visão com possíveis prazos para o exercício de um poder que aparecia nos últimos séculos como irrenunciável .

O importante agora é descobrir o que estará diante do futuro papa. Tudo parece indicar que João Paulo I morreu ao tomar consciência da dimensão dos problemas que o esperavam. Carlo Martini (que tantos sonhamos como um possível “Papa bianco”), em 1999 lembrou temas estratégicos a serem enfrentados por possíveis futuros concílios: a posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a prática do sacramento da penitência, a relação com as Igrejas irmãs da ortodoxia e, em um nível mais amplo, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Poderíamos agora dizer que são temas colocados hoje diante do papa que vem aí.

Cada vez é mais importante desbloquear posições congeladas. Uma, urgente, seria superar o impasse criado por Paulo VI em 1968, no seu documento Humanae Vitae, sobre a contracepção. Tratar-se-ia de aceitar, ao nível do magistério, o que já é uma prática normal de um número enorme de fiéis: o uso dos contraceptivos.

Mas nos textos de teólogos espanhóis, sacerdotes alemães e austríacos, declarações de bispos australianos, estão outros pontos da agenda.Haveria que começar por superar a dualidade e uma hierarquia rígidas entre ministérios ordenados (dos padres) e não ordenados, abrindo para uma pluralidade de ministérios (serviços), como na Igreja dos primeiros séculos. E aí se coloca o tema da ordenação das mulheres. No dia da ressurreição, as mulheres foram as primeiras a serem enviadas (ordenadas) a anunciar a Boa Nova (Mateus, 28,7; Marcos, 16,7:”Ide dizer aos discípulos e também a Pedro...”; Lucas, 24,9; João, 20,17).

Teria também que desaparecer o que é apenas próprio da Igreja latina desde o milênio passado: o celibato obrigatório. O celibato é próprio da vida religiosa em comunidade e não necessariamente dos presbíteros (sacerdotes). Os escândalos recentes de uma sexualidade reprimida e doentia estão exigindo uma severa revisão. Isso levaria a ordenar homens e mulheres casados.

Há que levar a sério a ideia da colegialidade do Vaticano II, sendo o bispo de Roma o primeiro entre todos no episcopado. Numa visão ecumênica, o segundo seria o Patriarca de Constantinopla, que vive no Fanar, um bairro grego pobre de Istambul, onde estive no ano passado. Os encontros fraternos e a oração em comum de João XXIII e de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, foram abrindo caminho nessa direção.

Claro, são antes de tudo anseios, mais do que possibilidades certas. Mas a história é inexorável e, pouco a pouco, posições que pareciam petrificadas podem ir sendo revistas ou, pelo menos, vão crescendo pressões nesse sentido. A Igreja, arejada por tempos novos na sociedade, seculares e republicanos, não poderá ficar à margem de um processo histórico contagiante. Talvez temas congelados terão que esperar futuros pontificados ou outros concílios, mas estarão cada vez mais presentes e incômodos, num horizonte que desafia os imobilismos.
  
OS ANOS DE CHUMBO (X)
O DEPOIMENTO-CONFISSÃO
DE UM CRIMINOSO

Destaques das notas do jornalista Pedro Pomar*, publicadas em 13/07/2012, sobre o livro “Memórias de uma guerra suja” (editora Topbooks, 291 páginas), que traz longo depoimento do ex-delegado de polícia Cláudio Guerra sobre os crimes que cometeu a serviço da Ditadura Militar, recolhido pelos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto.

“(...) Após ler a obra, convenci-me de que se trata de importantíssimo subsídio para uma investigação acurada de diversos episódios-chave da repressão política levada a cabo pelo regime militar. Isso não quer dizer que se deve tomar por integralmente corretas e confiáveis as versões apresentadas por Cláudio Guerra para os muitos casos apresentados no livro. (...)

Uma das mais impactantes revelações de Guerra é a de que pelo menos onze corpos de militantes de esquerda torturados e assassinados pela Ditadura Militar foram incinerados por ele na década de 1970, no forno da usina de açúcar Cambahyba, localizada em Campos (RJ) e pertencente ao então vice-governador Heli Ribeiro Gomes. No livro ele cita dez corpos, mas em visita posterior ao local o ex-delegado lembrou-se de outro. A visita foi acompanhada por um dos jornalistas co-autores do livro (Marcelo Netto), por agentes da Polícia Federal e pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro. Segundo o advogado, um antigo funcionário relatou a presença frequente de militares na usina. (...)

Neste caso específico, as declarações do ex-delegado são bastante consistentes. (...) Guerra diz que a decisão de incinerar foi tomada em fins de 1973 (p. 50). (...). Também do ponto de vista geográfico a explicação é plausível, pois quase todos esses militantes passaram pelos cárceres do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, na rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, e vários foram sabidamente conduzidos à “Casa da Morte”, em Petrópolis. Portanto a usina Cambahyba era relativamente próxima do local onde as pessoas foram assassinadas. (...)

Outra revelação importante diz respeito ao paradeiro do corpo de Nestor Veras, militante que ingressou ainda jovem no PCB, nos anos 1940, desaparecido desde abril de 1975 sem qualquer pista. Guerra assume a execução de Veras, que “tinha sido muito torturado e estava agonizando” na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte. “Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois”, relata (p. 39). O membro do comitê central do PCB teria sido enterrado numa mata próxima a Belo Horizonte, “na estrada para Itabira” (p. 64).

O ex-delegado descreve também no livro como e onde aconteciam as reuniões dos comandantes da tortura no Rio de Janeiro: no restaurante Angu do Gomes, próximo à Praça Mauá, e numa sauna vizinha. Reportagem posterior à publicação dos trechos do livro confirmou a existência do local, e o antigo dono atestou informações de Guerra sobre os frequentadores. Entre eles, os coronéis Freddie Perdigão, figura central do DOI-CODI do I Exército, Marcelo Romeiro da Roza, Otelo da Costa Ortiga (p. 177), todos do Exército, o comandante Antonio Vieira, da Marinha, e outros oficiais superiores. (...)

O clímax desse processo conspirativo foi o frustrado atentado ao Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, planejado pelos comandantes do DOI-CODI do I Exército com a finalidade de acuar a esquerda (e o governo). Os conspiradores pretendiam explodir três bombas no local, onde se realizava um grande show em homenagem ao Dia do Trabalho, com a participação de artistas de renome nacional. “Participei do atentado ao Riocentro e fiz parte das várias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior tragédia, o grande golpe contra o projeto de abertura democrática”, conta Guerra.

Para azar dos assassinos e sorte de quem participava do show, uma das bombas explodiu acidentalmente no colo do sargento Guilherme do Rosário, especialista em explosivos do DOI-CODI, que morreu dentro do carro em que ainda se encontrava com outro militar, o capitão Wilson Machado, que ficou gravemente ferido. (...)

Parece razoavelmente convincente a narrativa de Guerra sobre o atentado ao Riocentro. Uma das novidades, em relação ao que já se sabia, é que o à época major (ou tenente-coronel) Carlos Alberto Brilhante Ustra, que na década anterior comandara o DOI-CODI do II Exército, teria sido um de seus mentores, ao lado dos oficiais Perdigão e Vieira (p. 164). “Ustra, muito respeitado entre nós, veio de Brasília para acompanhar o atentado”, relembra o ex-delegado (p. 169). Até então, o que se sabia sobre esse militar, único declarado torturador em sentença judicial até agora, era seu envolvimento em diversos casos de tortura e morte de presos políticos. (...)

O livro tem problemas, é possível que algumas de suas afirmações sejam incorretas ou inverídicas, mas é inegável que ele joga luz sobre episódios da Ditadura Militar que não podem ser esquecidos.

*Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em Ciências da Comunicação.

FRASES SEMPRE LEMBRADAS
William Shakespeare
A sorte só põe o que Deus dispõe.
Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono.
Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria essência, não com os ornamentos.
Muito mais feliz na terra é a rosa que destilar se deixa do que quantas no espinho virgem crescem, vivem, morrem em sua solitária beatitude.


CORREÇÃO: Na edição anterior deste Correio foi omitido o nome de João Tavares, autor da tradução do artigo de Bernard Häring sobre a sucessão do papa, Tradução do original italiano. Pedimos desculpas pela omissão involuntária.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 309




Na segunda (11), Bento XVI surpreendeu os católicos do mundo inteiro. Anunciou a decisão em latim, em uma reunião do conselho de cardeais.

“Queridos irmãos, convoquei vocês para comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter repetidamente reexaminado minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que minhas forças, devido a minha idade avançada, não são mais adequadas para o exercício do ministério de Pedro”, anunciou.

O Papa disse também que, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças, é necessário vigor do corpo e do espírito, e que nos últimos meses ele sentiu que suas forças se deterioravam ao ponto de ter que reconhecer a incapacidade de cumprir o trabalho que lhe foi confiado. Bento XVI falou que por essa razão e ciente da gravidade da renúncia, ele deixava o cargo. Disse ainda que, a partir do dia 28 de fevereiro, às 20h pelo horário de Roma seu lugar estará vago.
  
O teólogo Bernard Häring, já falecido, escreveu o anúncio que ele esperava do papa a ser eleito depois do falecimento de João Paulo II, na linha do papado anterior de João XXIII. Na próxima sucessão de Bento XVI, a proposta de Häring, parcialmente transcrita a seguir, poderá ser lembrada.

NADA É IMPOSSÍVEL
Uma proposta profética do teólogo Bernard Häring antes da eleição de Bento XVI.


O anúncio papal que não aconteceu

(...) “A conversão ecumênica reforçou e promoveu um espírito de diálogo, de respeito, e de busca conjunta da verdade. Apesar do pleno conhecimento das dificuldades ainda existentes, proponho hoje alguns pontos para a vida da Igreja Católica, tendo em vista a tão desejada unidade dos cristãos:

1 – Já que o trono, a tiara e os títulos pomposos eram sintomas de patologias profundas e causa de irritação entre Igrejas irmãs, proíbo energicamente que se chame o Papa com títulos como “Sua Santidade”. E nem sequer o título de Santo Padre me agrada, pois Jesus, na Sua Grande oração pela Unidade, chama Seu Pai de “Pai Santo” (Jo, 17, 11). Esperamos que, no futuro, jamais alguém se permita chamá-lo “Santíssimo”, ou “Beatíssimo”.

2 – Não existirão mais os chamados “prelados de honra de Sua Santidade”. Os cardeais da Igreja Romana não se vestirão de púrpura “como fazem os ricos”. No Vaticano não mais títulos como “Eminência” ou “Excelência”. Somos todos irmãos em torno de Cristo, humilde servo de Deus, que se fez homem para a nossa salvação.

3 – Os diversos diálogos interconfessionais das últimas décadas produziram resultados surpreendentes. Ouvindo juntos a palavra de Deus, conseguimos remover muitos obstáculos sendo, por isso, chegada a hora de pôr fim a todas as consequências possíveis e dar passos decisivos, rumo à unidade e à reconciliação, numa fecunda diversidade.

4 – Como sinal desse renovado fervor, o “Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos” será elevado ao nível dos mais importantes Dicastérios Romanos, melhor ainda, tornar-se-á Congregação, com a específica competência de criar e animar estruturas capazes de favorecer o processo e o acolhimento dos resultados provenientes dos diálogos interconfessionais, em estreita colaboração com as Conferências Episcopais e as Faculdades Teológicas de todo o mundo .

5 – 0 Papa propõe-se a fazer todo o possível para tornar viva e operante a Colegialidade em todos os níveis. Para recuperar as estruturas sinodais do primeiro milênio, muito teremos a aprender das Igrejas irmãs que conservaram e desenvolveram com muita eficácia aquelas estruturas.

6 – Tendo em vista a função ecumênica do Bispo de Roma, todas as Conferências Episcopais e todos os Patriarcados participarão da eleição dele. As modalidades exatas serão determinadas pelo próximo Sínodo dos Bispos.

7 – 0 mesmo Sínodo decidirá sobre a função e o futuro do “corpo diplomático”. Até mesmo o nome não é mais aceitável. As Igrejas não podem definir-se como instituição diplomática. Bem ao contrário, precisamos é de organismos completamente diferentes, que sirvam para a missão da Igreja na promoção da Paz e da Justiça.

Em relação a tudo aquilo que se refere à ligação e à comunicação contínua entre o Bispo de Roma e as Igrejas locais, serão encontrados modelos semelhantes aos do primeiro milênio.

8 – Uma ponderada interpretação teológica do primado do Papa, feita à luz da Palavra de Deus e dos documentos dos Concílios, demonstrou que o magistério e o governo do Papa só estão plenamente integrados no interior da Igreja.

Motivo pelo qual o Papa não é um mestre de fé de fora para dentro ou de cima para baixo. Ele faz parte dos discípulos reunidos em torno de Cristo, único Mestre, e faz parte tanto da “Igreja Docente” quanto da  “Igreja Discente”.

No exercício de sua atividade pastoral para a Igreja Universal, ele é obrigado a seguir o exemplo do humilde Servo de Deus, Jesus Cristo. Por isso, ele observará escrupulosamente o principio da subsidiariedade.

9 – 0 Papa tem o direito de saber o que se crê na Igreja, com sinceridade de consciência e com a liberdade dos filhos de Deus. Não poderá exercer o seu magistério e ministério da unidade se não existir um amplo espaço de diálogo franco e sincero dentro da Igreja.

É por isso que, certo de poder contar com  consenso dos irmãos Bispos, faço abolir, com efeito imediato, o que, no Código de Direito Canônico, está prescrito sobre punibilidade do não assentimento em relação aos documentos não infalíveis do Papa.

(Cân. 1371 — Seja punido com justa pena: 1) quem, fora do caso previsto no cân. 1364 § 1, ensinar uma doutrina condenada pelo Romano Pontífice ou pelo Concílio Ecuménico, ou rejeitar com pertinácia a doutrina referida no cân. 750 § 2 ou no cân. 752, e, admoestado pela Sé Apostólica ou pelo Ordinário, não se retrata)

10 – Além da comum profissão de fé e dos votos ou promessas batismais, não se farão mais, na Igreja Católica, juramentos particulares de fidelidade e lealdade. Basta seguir a palavra firme de Jesus: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa, procede do maligno” (Mt. 5,37).

Já que vivemos da contínua antecipação de confiança que nos é concedida por Deus, também nós faremos todo o possível para criar uma atmosfera de confiança recíproca. Por este motivo, estão abolidos todos os instrumentos de controle e se criará um clima de confiança uns nos outros.

11 – Todos os problemas polêmicos, como, por exemplo, a função da mulher na Igreja, a participação das mulheres nos processos decisórios de toda a Igreja e uma eventual ordenação das mulheres para o sacerdócio ministerial, serão discutidos no diálogo ecumênico e dentro da Igreja com franqueza, respeito e paciência. E a decisão final terá caráter estritamente colegial.

12 – A Cristandade inteira, todos os discípulos de Cristo, juntos, são chamados a ser luz do mundo, sacramento de paz, de justiça, de salvação e de cura. Por isso, buscaremos um diálogo respeitoso com todas as religiões não-cristãs, mais ainda, com todos os homens de boa vontade.

Perscrutando os sinais dos tempos, daremos especial atenção ao evangelho da paz e ao caminho da não-violência, a exemplo de Jesus, aproveitando também, com muita alegria, tudo o que a graça de Deus operou, em relação a isto, entre as religiões não-cristãs. (...)”

CARTA DO IMPERADOR VESPASIANO PARA SEU FILHO TITO (79 dC)

“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, Imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas.

De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pares a construção do Colosseum.  Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.

Alguns senadores te criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas.  Não dê ouvidos a esses poucos.  Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.

Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.
Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.

‘Moralistas e loucos dirão, que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (até um cego vê isso). Portanto, deves construir esse estádio em Roma.

Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: ad captandum vulgus, panem et circenses (para seduzir o povo, pão e circo).

Esperarei por ti ao lado de Júpiter”.

Vespasiano, Imperador de Roma

FRASES PARA REFLETIR
Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas. (Sêneca)
Ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo. (Confúcio)
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. (Antoine de Saint-Exupéry)
A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. (Platão)
Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.  (Confúcio)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 306




A união de um homem e uma mulher, fundada no amor, num projeto de vida a dois que inclui a constituição de uma família, firme desejo de estabilidade, respeito às individualidades, compromisso recíproco de empenho na plena realização pessoal do outro, é um relacionamento humanizador por excelência.
   
OS SACRAMENTOS DIVINOS (III)
*HELIO AMORIM – MFC/RJ

O POTENCIAL HUMANIZADOR
DA UNIÃO CONJUGAL
   
P
ara os cristãos, numa perspectiva de fé, uma união assim assumida, se apresenta como um símbolo da relação amorosa e humanizadora de Deus com o seu Povo.

Se os que assim se unem, assumem a sua união com plena consciência de sua dimensão simbólica, e tomam o amor de Deus como inspiração e modelo para a vivência e crescimento do amor conjugal, este símbolo é proclamado como sinal ou sacramento do amor de Deus.

Dizemos que o sacramento, naquela visão de fé, é um sinal sensível (que se percebe pelos sentidos, é visível nos seus gestos e manifestações) e eficaz (reproduz e alimenta o seu conteúdo simbólico). Ou seja, o casal que assim se ama, nos faz recordar o amor de Deus e, ao mesmo tempo, faz crescer o amor daqueles que o assumiram nessa perspectiva sacramental.

O sacramento do matrimônio é um sacramento divino, por sua referência a Deus. Como nos demais sacramentos, há uma matéria prima indispensável: o amor entre um homem e uma mulher que, numa perspectiva de fé, tomam o amor de Deus por nós como modelo para o seu amor. Os que assim se unem conheceram como o Deus da Bíblia nos ama: amor gratuito e fiel, amor-doação-serviço comprometido com a nossa humanização, que respeita a nossa originalidade, e aceita nossas limitações. Amor que não domina, antes nos liberta, que não manipula e sufoca, antes nos promove e ajuda a caminhar, um amor capaz de levar a dar a vida por nós (o que não é simples hipótese romântica mas morte real e de cruz).

Então percebem que a sua união, fundada no amor, é um sinal ou reflexo ainda que pouco luminoso do amor de Deus. Estão dispostos a viver esse amor numa profunda relação interpessoal, dialogal, de revelação mútua, comprometidos com a realização das potencialidades do outro, que se expresse em atos concretos e gestos simbólicos. Nunca fechado em si mesmo, mas aberto ao mundo e comprometido com a justiça e a humanização da história humana, nela intervindo, como Deus sempre o fez, em favor nos mais fracos. Estão prontos, então, a proclamar que a sua união é um sacramento divino. Para isso, convidarão a comunidade cristã, seus parentes e amigos, aos quais anunciarão a sua união e pedirão apoio para vivê-la nessa dimensão sacramental. Esse é o sentido da celebração religiosa do casamento que inaugura uma nova família cristã. A comunidade presente, consciente do que está sendo celebrado, responderá ao pedido do casal, comprometendo-se a ajudá-lo na concretização da sua disposição de se amarem sempre como Deus nos ama.

O sacerdote que, em nome da comunidade preside a celebração, reconhece e proclama, então, que essa união é um sacramento divino, cujos ministros são, na verdade, os que se casam. Porque, de fato, somente eles são capazes de dar à sua união essa dimensão sacramental. Este ritual tão emocionante e a vivência do casal serão os sinais sensíveis desse sacramento. A Graça que tornará esse sinal eficaz será derramada por Deus sobre o casal e sobre todos aqueles que assumiram o compromisso de ajudá-lo a viver a sua união como sacramento.

Temos que reconhecer que muitos, talvez a maioria dos casamentos que se celebram nas igrejas, não são sacramento, não obstante a bela coreografia montada, com música, flores e tapetes. Não passam de um ato social, enraizado na nossa cultura, mas nada tendo a ver com a fé, sem referência consciente ao amor Deus tomado como modelo de uma união humanizadora, com os compromissos dele decorrentes.

Por outro lado, há graus de sacramentalidade matrimonial. Se a dimensão sacramental decorre da qualidade e profundidade do amor que une o casal, quanto mais se amam, mais se assemelhará o seu amor ao amor de Deus, portanto, mais nítida e real será a sua sacramentalidade. Na vivência do casal, ao longo de sua vida conjugal, haverá tempos de maior e tempos ou momentos de menor densidade sacramental.

Essa concepção representa um desafio evidente. Quer dizer que o sacramento não é um selo de garantia ou marca indelével e definitiva gravada numa linda celebração. Aquele não foi um ato mágico, que transformou em sacramento o que antes não era. Na verdade, a sacramentalidade nasceu no momento em que os dois reconheceram a semelhança do seu amor com o amor de Deus e o assumiram como tal. A celebração foi o anúncio e o pacto estabelecido com a comunidade cristã. Tampouco ficou definido, naquele momento, o grau de sacramentalidade da sua união. Talvez fosse apenas incipiente e ainda débil essa dimensão sacramental, diante do imenso potencial de crescimento e amadurecimento do amor dos dois.

Esse é o desafio: a sacramentalidade da união conjugal é chamada a crescer, consolidar e aprofundar-se. Ou seja, o amor que os uniu terá que ser cultivado cuidadosamente, no dia-a-dia da vida conjugal e familiar para que cada vez mais se pareça com o amor de Deus.

Assim, todos os gestos e ações que contribuem para o crescimento do amor, acrescentarão mais densidade sacramental à união conjugal. O carinho e gestos de ternura, o relacionamento sexual como expressão e celebração festiva do amor, a ajuda mútua, o reconhecimento das qualidades do outro, o incentivo à sua realização pessoal, o respeito à individualidade - tudo contribuirá para o crescimento do amor e, portanto, para a crescente densidade sacramental da união conjugal. Mas vice-versa: a falta desses alimentos pode esvaziar o amor e a sacramentalidade no princípio assumida.

Podemos concluir que o potencial humanizador da união do homem e da mulher está diretamente relacionado com a sua sacramentalidade, se esta tem sua densidade definida pela profundidade do amor humanizador que os une.

Isto vale para os cristãos e os não-cristãos. Estes, se vivenciam a sua união fundada num amor humanizador semelhante ao amor de Deus, não saberão, por estar ausente a fé, que nela há uma dimensão de sacramentalidade, não expressa e proclamada. Essa dimensão é percebida pelos que os conhecem e os veem com os olhos da fé. Em qualquer tempo poderão descobri-la e anunciar com alegria a sacramentalidade só então percebida. E reconhecer que ela é muito anterior à descoberta tardia.

*Descomplicando a fé” – Editora Paulus

O MACHISMO NA HISTÓRIA DO POVO DE DEUS
          
L
emos no Eclesiástico, em sua tradução mais branda: "É melhor a maldade do homem do que a bondade da mulher: a mulher cobre de vergonha e chega a expor ao insulto". (Eclo. 42, 14).

São Paulo não escapa aos condicionamentos culturais do seu tempo: "As mulheres se calem nas assembleias porque não lhes compete falar, mas viver sujeitas, como diz a Lei. Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem em casa a seus maridos, porque não é conveniente a mulher falar na assembleia" (1Cor 14, 34-35).

"A mulher ouça a instrução em silêncio, com espírito de submissão. Não permito que a mulher ensine nem se arrogue autoridade sobre o marido, mas permaneça em silêncio, pois o primeiro a ser criado foi Adão, depois Eva. E não foi Adão que se deixou iludir, mas sim a mulher que, enganada, incorreu em transgressão; mas ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade" (1Tm 2, 11-15).

Santo Tomás de Aquino, o santo teólogo, fortemente influenciado por Aristóteles, reforçava essa discriminação: "A mulher foi criada mais imperfeita que o homem, porque, naturalmente, no homem há mais discernimento e razão".

"A mulher é um ser acidental e falho. Por natureza, a mulher é inferior ao homem, em força e dignidade, e por natureza lhe está sujeita, pois no homem, o que domina, pela sua própria natureza, é a facilidade de discernir, a inteligência".

Algumas grotescas e divertidas: "A beleza física não vai além da pele. Se os homens vissem o que está sob a pele, a visão das mulheres lhes viraria o estômago. Quando nem sequer podemos tocar com a ponta do dedo um cuspe ou esterco, como podemos desejar abraçar esse saco de excremento?" (Odon, abade de Cluny, sec. X).

"Dentre todas as armadilhas que nosso inimigo ardiloso armou através de todas as colinas e planícies do mundo, a pior e aquela que quase ninguém pode evitar é a mulher, funesta cepa de desgraça, muda de todos os vícios, que engendrou no mundo inteiro os mais numerosos escândalos". (Marborde, bispo de Rennes e depois monge em Angers).

Essa breve coletânea serve para confirmar que o preconceito existe, é antigo e bastante arraigado na reflexão da Igreja. Impede até hoje que sequer se cogite, por exemplo, a ordenação de mulheres e sua inserção no governo da Igreja...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

LITURGIA DO 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 03/02/2013


  
  
4º DOMINGO DO TEMPO COMUM
   
     
TESTEMUNHAR A VIDA NOVA TRANSFORMADA POR DEUS!
ACIMA DE TUDO, O AMOR!

O amor é a única força capaz de vencer as guerras, as violências e até mesmo a morte. Quem ama, mesmo na perseguição, não desiste da missão, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Jesus foi rejeitado por seu povo e, apesar disso, prosseguiu seu caminho. O amor é a essência de Deus e o ideal maior do relacionamento humano. Participemos da Eucaristia, dom do amor, para sermos no mundo a presença do próprio Deus.
   
LITURGIA DA PALAVRA
 
1ª Leitura: Jr 1,4-5.17-19
Salmo Responsório:  70
2ª Leitura: 1Cor 12,31—13,13
Evangelho: Lc 4,21-30

EVANGELHO
Lucas 4,21-30

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”

23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.

24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.

27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos.29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício.30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

 — Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor.

HOMILIA
Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Auxiliar de Aracaju - Sergipe
   
Se procurarmos uma idéia que dê unidade às leituras da Missa de hoje, encontraremos a fé. Comecemos pelo Evangelho. Após ler o trecho do rolo de Isaías, “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu… para levar a Boa Nova aos pobres e proclamar o Ano da graça do Senhor”, Jesus afirma, cheio de autoridade: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. É uma afirmação ousada. Somente quando o Messias viesse tal Escritura seria cumprida. Jesus, portanto, apresenta-se como o Messias. E o encanto de seu ensinamento dá testemunho de que ele é verdadeiro… Mas, infelizmente, crer não é fácil… sobretudo quando Deus nos visita de modo humildade, corriqueiro, nas coisas pequenas e banais. E, assim, os nazarenos se escandalizam com Jesus: “Não é este o filho de José?” Como pode alguém nosso, alguém tão do nosso meio ser o Messias? Como pode Deus se manifestar por este, que cresceu e viveu entre nós? Santo de casa não faz milagre! Gostamos do excepcional, da novidade, do exótico! O quanto é necessário sermos abertos para discernir a Palavra e o apelo do Senhor naqueles que nos são enviados e convivem conosco! O quanto precisamos aprender que Deus não é somente Deus de longe, mas também Deus de perto! A mesma experiência o profeta Jeremias fizera antes de Jesus. E o Senhor ordena que seu profeta fale e que não tenha medo, ainda que seja incompreendido e rejeitado pelo seu povo e seus parentes: “Não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze… Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque estou contigo para defender-te!”

Por um lado, o Senhor exige fé e confiança absoluta daqueles que ele envia, de seus profetas; por outro lado, espera daqueles aos quais o profeta é enviado, espera do seu povo, a capacidade de discernir, de acolher, de crer! E quantas vezes não cremos: pensamos que Deus se calou, que não mais se manifesta, não mais nos dirige a Palavra. E, no entanto, o Senhor nos interpela por seus profetas, por aqueles que , tantas vezes, são na Comunidade e na vida uma palavra de Deus para nós! Caso não sejamos abertos à Palavra, corremos o risco de perdê-la. É o que Jesus recorda aos nazarenos: a viúva pagã de Sarepta e o leproso Naamã, também ele pagão, foram mais abençoados que as viúvas e os leprosos de Israel, porque foram abertos… Os nazarenos sentiram-se ofendidos porque Jesus insinuou que eles não tinham fé e não sabiam discernir nele Aquele que o Pai enviara… e terminam por expulsar Jesus de sua cidade. É dramático: a falta de fé fez os nazarenos expulsarem o Messias, o Enviado de Deus. A falta de fé e discernimento, a cegueira do coração, a dureza e o fechamento para as novidades de Deus, podem fazer o mesmo conosco: expulsar do coração e da vida aqueles que nos trazem a Palavra do Senhor e sua vontade a nosso respeito.

Mas, por sua vez, aqueles que são testemunhas do Senhor e ministros do Evangelho, devem estar preparados para a possibilidade de serem rejeitados. Somente os falsos pregadores, os malditos vendedores do Evangelho, os missionários de televisão, é que pregam uma adesão a Jesus fácil e que resolve nossos problemas. Na verdade, seguir o Cristo nos amadurece e nos faz, muitas vezes, enfrentar problemas e contradições. Qualquer um que queira colocar-se a serviço do Senhor deve preparar-se para tal contradição: “Meu filho, se te ofereceres para servir o Senhor, prepara-te para a prova. Endireita teu coração e sê constante… Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes que te humilharem, sê paciente” (Eclo 2,1.4). Como Jesus e os profetas que vieram antes dele, o serviço e a fidelidade ao Evangelho nos colocam em dificuldades e provações! É a dor do Reino de Deus!

A mesma visão de fé que faz distinguir os profetas do Senhor, também nos abre os olhos para reconhecer nos outros irmãos de verdade, irmãos no Senhor, e amá-los de todo o coração. É este o verdadeiro dom, o maior carisma de que fala São Paulo na segunda leitura. Aí, o Apóstolo não fala de um amor-sentimento, amor-simpatia, amor-amizade, mas do amor-caridade, o amor de Deus, que é o Espírito Santo derramado em nossos corações, amor que é capaz de dar a vida… amor como aquele do Cristo que nos amou primeiro e amou-nos até o fim! É este amor, que nasce da raiz do amor a Deus, da abertura para Deus, da intimidade com Deus, que dá sentido a todas as coisas. E sem ele, nada tem sentido para o Reino de Deus… nem a fé! Em última análise, quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé! E o amor a Deus, que desabrocha no amor aos irmãos, é concreto, tem que ser concreto: pode ser visto na paciência, na benignidade, na generosidade, na humildade, na gratuidade, na mansidão, na retidão, na verdade… E São Paulo recorda que um amor assim é coisa de adultos na fé. Quem não ama é imaturo na fé, é criança que pensa e age como criança! Só o amor nos amadurece, só o amor nos faz ver os outros e a vida com os olhos de Deus

Eis, então, de modo resumido, o desafio, o convite da Palavra de Deus hoje: (1) uma fé, uma capacidade de acolher o Senhor, de tal modo que reconheçamos que ele vem a nós na palavra e no testemunho de tantos irmãos e irmãs que conosco convivem; (2) uma fé capaz de suportar com paciência e alegria os reveses da missão que Deus nos confiou e (3) uma fé capaz de desabrochar em amor aos irmãos; amor provado e revelado em atitudes concretas.

Creiamos: somos a Igreja, Comunidade do Senhor Jesus, continuamente vivificada e orientada pelo seu Espírito de amor! Arrisquemos crer; arrisquemos viver de amor… e experimentaremos a doçura do Senhor e a alegria de viver como irmãos.

ORAÇÃO
   
Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Amém!
    
LEMBRE-SE:
“SE NÃO PARTICIPARMOS DA MISSA, DE NADA VALE NOSSO ESFORÇO SEMANAL.”

Editado por Jorge/MFC ALAGOA

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Vida: Questão de Perspectiva

No ventre de uma mulher grávida estavam duas criaturas conversando quando uma perguntou à outra:
- Você acredita em vida após o nascimento?
A resposta foi imediata:
- Certamente. Algo tem que haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento! Como seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical é o que nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: a vida após o nascimento é uma hipótese definitivamente excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Sabe? Acredito mesmo que haverá algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém veio de lá, ninguém voltou depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. Vida que, no fim das contas, é nada mais do que uma angústia prolongada nesta absoluta escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas, com certeza, veremos mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita em mamãe? E onde ela supostamente estaria?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi mamãe alguma, o que comprova que mamãe não existe.
- Bem, mas, às vezes, quando estamos em silêncio, me parece poder ouvi-la cantando e até sentir que ela afaga esse nosso mundo. Sabe? Acho que a vida real está a nossa espera e que, agora, estamos apenas  nos preparando para ela. (anônimo)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 304



Há sacramentos humanos que são sinais e expressão de valores humanos. Há sinais que é o reconhecimento da presença de Deus e do seu amor em nossas vidas e na história humana. Ou fazem referência explícita à nossa relação com Deus e ao compromisso do cristão com o Seu projeto humanizador. São os sacramentos divinos. Suas expressões e ritos, sinais sensíveis, são criações da cultura e tradição da Igreja, atualizados ao longo dos séculos. Como sinais eficazes, essa eficácia virá da Graça, dom gratuito de Deus.

OS SACRAMENTOS DIVINOS (I)
*HELIO AMORIM – MFC/RJ

  
S
acramentos divinos são incontáveis. Tudo o que nos faz sentir a presença de Deus na história humana é sacramento. Mas a Igreja privilegia alguns muito especiais e os celebra com ritos plenos de significado. Esses sacramentos correspondem às realidades humanas mais marcantes referidas a Deus. Nem sempre a essência humanizadora desses sacramentos, o seu significado mais profundo e os compromissos deles decorrentes são bem compreendidos por muitos cristãos. Também nem sempre os ritos com que são celebrados contribuem para essa compreensão. Nessa matéria, a linguagem e conceitos usados na catequese continuam falhos e inadequados, ainda muito presos a categorias superadas pelas concepções e conhecimentos próprios do mundo moderno. Vêm sendo profundamente revistos, embora lentamente, com uma saudável preocupação pedagógica: os ritos colaborando com uma catequese mais adulta, superando reações conservadoras. Estes são os sacramentos mais marcantes na vida do cristão.

Batismo: por definição, é a acolhida de uma pessoa por uma comunidade. Jesus foi batizado por João Batista, como sinal de sua acolhida pelo grupo dos que o seguiam. Usa-se a mesma palavra para o rito de acolhida dos novos membros de qualquer grupo social. O piloto que participa da primeira missão de combate dirá que teve o seu batismo de fogo e é acolhido pelos veteranos como integrante do seu grupo.

Para os cristãos, o batismo é o rito que marca a acolhida dessa pessoa pela comunidade dos que aderiram ao projeto de Deus e constituem o Seu Povo, a Igreja. Há muitos séculos, entretanto, predomina o batismo de crianças recém-nascidas.

No início do cristianismo não era assim. Só adultos, depois de uma longa catequese, eram batizados. As crianças não têm consciência do que se passa. Por isso, não se trata, na atual prática da Igreja, de um sacramento da criança, mas da comunidade que a acolhe. O rito precisa da presença da comunidade cristã nesse ritual para assumir o compromisso de orientar aquela criança para uma adesão futura e adulta ao projeto de Deus. A comunidade delega aos pais e a alguns dos seus membros, chamados padrinhos, a responsabilidade mais direta e próxima, mas não se exime da corresponsabilidade coletiva pela formação da criança.

Que comunidade é essa? Os cristãos formam a comunidade daqueles que aderiram ao projeto humanizador de Deus. Mas vivem num mundo modelado pelos que não aderiram, antes se rebelaram contra o projeto de Deus, representados por Adão e Eva no relato mítico do Gênesis.

Essa rejeição ao projeto de Deus, pela humanidade, constitui o pecado original assim chamado por ser a origem de todos os males do mundo. Pelo batismo, a comunidade acolhe aquela criança que se insere no seio do povo fiel ao projeto de Deus, ou seja, o povo que rejeitou o pecado original. Por isso, se dirá que o batismo preservará a criança do pecado original, não como um gesto que lava uma mancha na alma, herdada de personagens míticos, mas o cuidado pelo risco sempre latente de desvio ao projeto de Deus.

A Graça que dá eficácia ao batismo, sacramento comunitário, é oferecida por Deus à comunidade dos cristãos, especialmente aos pais e padrinhos, para que consigam ser fiéis ao compromisso por todos eles assumidos. Mais tarde, conhecendo a responsabilidade própria do ser cristão, consciente da sua missão, aquela criança do batismo prematuro de acolhida, é convidada, já adulta, a confirmar, livremente, a sua adesão ao projeto humanizador de Deus, com todas as suas consequências.

Essa confirmação ou crisma, corresponde ao batismo nas primeiras comunidades cristãs. A preparação para essa confirmação exige, portanto, uma diligência muito especial, para não se reduzir a um ritualismo inconsequente, no crismar por crismar, ou porque toda a turma da escola católica vai por aí, como prática já institucionalizada e anualmente repetida. A Graça que dará eficácia ao sacramento será derramada por Deus, como sempre gratuitamente, sobre aquele cristão que assumiu, agora conscientemente, sua missão humanizadora, como expressão de uma fé adulta.

Reconciliação. Acontece que o cristão, por suas limitações humanas e pelas pressões sociais a que está sujeito, é frequentemente infiel aos compromissos da missão que assumiu. Afasta-se do projeto de Deus e se desumaniza ou contribui para a desumanização dos outros. Deus então o convida amorosamente para reconhecer suas limitações e restabelecer a rota que leva à plena humanização. O rito para celebrar esse retorno também tem variado, ao longo dos séculos. Durante muito tempo e até recentemente a passagem pelo confessionário em conversa com um sacerdote era a única fórmula para ser perdoado.

Hoje se entende que um encontro de reconciliação com Deus e o seu projeto também se pode realizar no íntimo da consciência e do coração de cada cristão, num ato de reconhecimento das próprias limitações e de ilimitada confiança no amor gratuito de Deus. A Graça que dá eficácia a este sacramento é oferecida por Deus ao cristão que precisa de forças para superar suas fragilidades e reforçar suas resistências às influências externas negativas que tentam afastá-lo da humanização.

* “Descomplicando a Fé” – Editora Paulus - (continua)

FRASE PARA REFLETIR



A
 mudança não virá se esperarmos por outra pessoa ou outros tempos. Nós somos aqueles por quem estávamos esperando. Nós somos a mudança que procuramos.
 (Barack Obama)



CRACK: INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA EM SP
  
O
 programa do governo de São Paulo para acelerar as internações compulsórias de usuários de droga tem esbarrado na burocracia do próprio governo estadual e na incapacidade para dar conta do número de pessoas que procuram ajuda para parentes e amigos. O governo estadual anunciou dispor de 691 leitos para a internação de usuários de drogas, dos quais 360 estão na capital paulista, mas a disponibilidade dessas vagas não é imediata. Na madrugada de segunda-feira, no primeiro dia da iniciativa estadual, os dez leitos temporários disponíveis no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) já estavam preenchidos. Nesta terça-feira, membros do anexo do Poder Judiciário, instalado no centro de referência, reclamavam da falta de leitos temporários para a internação de novos dependentes químicos que chegaram ao local. A burocracia em disponibilizar vagas em clínicas de reabilitação, o que poderia desafogar os leitos temporários no centro de referência, também foi alvo de críticas.