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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A história de Nossa Senhora de Lourdes


Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.

Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.

Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Francisco para nos alertar sobre este chamado.

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Correio MFC Brasil #352


O papa Francisco conclamou os cristãos a escutar o clamor por justiça no mundo atual, o que é uma exigência que concerne a todos independentemente se têm alguma fé religiosa ou não. Isto implica entrar num autêntico diálogo que procure sanar efetivamente as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. 

Francisco e Economia
Manfredo Araújo de Oliveira
Padre e Filosofo, presidente da Adital

Esta tarefa tem dois momentos complementares: a cooperação para resolver as causas estruturais da pobreza e para promover o desenvolvimento integral dos pobres como os gestos mais simples e diários de solidariedade para com as misérias muito concretas que encontramos. Solidariedade aqui significa a gestação de um nova mentalidade: pôr em primeiro plano a comunidade, dar prioridade à vida de todos frente à apropriação de bens por parte de alguns, reconhecer a função social da propriedade e o destino universal dos bens como realidades anteriores à propriedade privada.

A solidariedade significa, assim, a decisão de devolver ao pobre o que lhe corresponde o que implica igualmente mudanças estruturais e novas convicções e atitudes.

Não se trata apenas de garantir comida ou um sustento decoroso, mas prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos o que engloba educação, acesso ao cuidados da saúde e trabalho.


Daí a urgência em atacar as causas estruturais da pobreza só pode acontecer renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e enfrentando as causas estruturais da desigualdade já que ela constitui a raiz dos males sociais. 

Isto permite articular um horizonte que deve nortear toda a política econômica: a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são os valores de base e por isto não devem ser reduzidos a apêndices acrescentados de fora para ampliar discursos políticos que não possuem nem perspectivas nem programas de um desenvolvimento integral.

Isto tudo implica que não se pode confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado. Um crescimento equitativo não se identifica pura e simplesmente com crescimento econômico, embora o pressuponha. Ele exige certamente decisões, programas, mecanismos e processos que estejam efetivamente orientados para uma melhor distribuição de renda, para criação de oportunidades de trabalho, para uma promoção dos pobres que supere o mero assistencialismo.

Sem um compromisso radical com a justiça muitas palavras fundamentais se tornam vazias e molestas: ética, solidariedade mundial, dignidade dos fracos, distribuição dos bens. Neste contexto, o papa lamenta que até os direitos humanos podem ser usados como justificação para uma defesa exacerbada dos direitos individuais e dos direitos dos povos mais ricos.

Respeitando as diferentes culturas, é preciso lembrar sempre que o planeta é de toda a humanidade e para toda a humanidade e o simples fato de ter nascido em lugares com menores recursos de nenhuma forma justifica que algumas pessoas vivam menos dignamente. Por isto para falar adequadamente de nossos direitos implica que sejamos capazes de alargar nosso olhar e abrir os ouvidos para o clamor de outras pessoas, de outras regiões de nosso próprio país, de outros povos, especialmente dos povos mais pobres da terra.


Nos primeiros séculos, perdoavam-se os divorciados recasados e podiam receber a comunhão; mas mais tarde, no Ocidente, esta prática foi abandonada. Hoje, o Papa Francisco volta a propô-la, enquanto os cardeais discutem o tema.

Quando a Igreja romana perdoava os recasados

Destaques da reportagem de Sandro Magister publicada no sítio Chiesa.it, 31-01-2014. A tradução é de .
Em meados de fevereiro, os cardeais e bispos do conselho da Secretaria do Sínodo reunir-se-ão para estudar as respostas ao questionário distribuído em outubro passado em todo o mundo.

O Sínodo tem por tema “os desafios pastorais sobre a família” e será realizado em Roma, entre 05 e 19 de outubro próximo. Entre as 39 perguntas do questionário, cinco dizem respeito aos católicos divorciados e recasados e sua impossibilidade de receber os sacramentos da eucaristia e da reconciliação.

Sobre este ponto as discussões são muito vivas e as pressões para admitir à comunhão os divorciados recasados são muito fortes na opinião pública, com o apoio de bispos e cardeais de renome.

De fato, atualmente, na Igreja católica o único caminho para que os divorciados recasados e que se mantêm firmes na sua união sejam admitidos à comunhão eucarística é a verificação da nulidade do casamento precedente celebrado na Igreja.

As causas da nulidade podem ser muitas e os Tribunais Eclesiásticos são, geralmente, generosos quando se trata de resolver por este meio os casos matrimoniais que são também difíceis.

Mas é impossível para os Tribunais Eclesiásticos fazer frente ao grande número de casamentos que supostamente poderiam ser inválidos. O Papa Francisco indicou – citando a este respeito o arcebispo de Buenos Aires que o precedeu – que os matrimônios nulos poderiam representar quase “a metade” dos matrimônios celebrados na Igreja, porque foram celebrados “sem maturidade, sem dar-se conta de que é para toda a vida, - ou por conveniência social”.

Enquanto isso, o acesso espontâneo dos divorciados recasados à comunhão converteu-se em uma prática generalizada, tolerada por sacerdotes e bispos e inclusive animada e oficializada em algumas partes, como na diocese alemã de Friburgo.
Com isto, corre-se o risco de descarregar tudo sobre a consciência do indivíduo, aumentando a distância entre a concepção elevada e exigente do matrimônio tal como aparece nos Evangelhos e a vida prática de muitos fiéis.

Nesta fase de aproximação ao Sínodo sobre a Família, o Papa Francisco abriu espaço para um confronto entre posições diferentes, até mesmo contrárias, contribuindo dessa maneira ele mesmo para criar expectativas de “abertura”.
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Os partidários desta mudança, ao explicitar suas posições, apoiam-se em última instância na convicção de consciência de cada indivíduo.Mas é a consciência a única via de solução para o problema dos divorciados recasados? De acordo com o que acontecia nos primeiros séculos do cristianismo, não. A solução, na época, era outra.
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Hoje, aqueles que querem centrar a atenção sobre a prática da Igreja dos primeiros séculos, propõem o retorno a um sistema penitencial similar ao adotado na época, sistema que ainda se conserva de certa forma nas Igrejas do Oriente.

Estendendo o poder da Igreja de absolver todos os pecados, inclusive àqueles que fracassaram no primeiro matrimônio e contraíram uma segunda união, se abriria o caminho – defendem – para “uma maior valorização do sacramento da reconciliação” e “para uma volta à fé de muitos que, hoje, se sentem excluídos da comunhão eclesial”.

Talvez o Papa Francisco estivesse pensando nisto quando, na entrevista no avião de volta do Rio de Janeiro, no dia 28 de julho de 2013, abriu e fechou “um parêntese” – palavras suas – sobre os ortodoxos que “seguem a teologia da ‘economia’, como a chamam, e dão uma segunda chance de matrimônio”.
Acrescentando imediatamente depois: “Creio que este problema [da comunhão às pessoas recasadas] deve ser estudado no marco da pastoral matrimonial”. 


Editorial

Estes dias estão marcados por episódios trágicos que apontam para a fragilidade da nossa condição humana e a precariedade dos espaços que habitamos. O ponto culminante destes dias foi a celebração do triste aniversário das mortes de mais de duas centenas de jovens, a maioria de universitários, em boate em Santa Maria. Foi comovente e chocante ver desenhados nas ruas os 234 contornos de corpos das vítimas e as lágrimas de seus parentes e amigos. Nestes mesmos dias, uma impressionante sucessão de acidentes de trânsito em algumas cidades do país produziu uma onda de mortes inesperadas. Ônibus lotados tombaram nas estradas, caminhão derrubou passarela esmagando carros e seus passageiros, ruas paulistas e centros comerciais se tornaram perigosos com manifestações desnecessariamente selvagens e destruidoras, com mortes em ônibus incendiados. O brasileiro perde a fama de povo alegre. É tempo de dor e tristeza.



PARA REFLETIR

Frases do padre Arnaldo


*      "É a partilha que salva".

*      "Sem partilha não há dignidade e comunhão, apenas acumulação"

*      "O bem não faz barulho, e o barulho não faz bem..."

*       "Amizade é mais do que ouro; amizade é vida!"

*       "As fronteiras psicológicas são muito mais duras que as fronteiras de pedras”.

*      "A primeira igreja é a casa paterna/materna..."

*      "Não tem coisa pior que construir estátua para nós mesmos"...

*      "A catedral de Jesus é o céu estrelado".

*      "Sem silêncio e quietude ninguém consegue encontrar o outro".

*      "É pelo toque, pelo encontro que a gente se enriquece".

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Momento do Angelus - 09/02/2014


Ao meio-dia deste domingo o Papa Francisco assomou à janela do apartamento pontifício - que dá para a Praça São Pedro - para a tradicional Oração Mariana do Angelus. Na sua reflexão, o Pontífice meditou sobre o Evangelho do dia, no qual Jesus pede aos discípulos para serem ‘Sal da terra e luz do mundo”.

Ao iniciar sua meditação, Francisco observou que os discípulos de Jesus eram pescadores, pessoas simples, “mas Jesus os vê com os olhos de Deus”. Ao exortá-los para serem “sal da terra e luz do mundo”, queria dizer: "se fordes pobres de espírito, humildes, puros de coração, misericordioso, vós sereis o sal da terra e a luz do mundo", o que pode ser compreendido como uma consequência das Bem-aventuranças. 

Então explicou o significado destas imagens, no contexto da época:

Para compreender melhor estas imagens, tenhamos presente que a Lei judaica prescrevia a colocação de um pouco de sal sobre cada oferta apresentada a Deus, como sinal de aliança. A luz, assim, era para Israel o símbolo da revelação messiânica que triunfa sobre as trevas do paganismo. Os cristãos, novo Israel, recebem então a missão diante de todos os homens: com a fé e com a caridade podem orientar, consagrar, tornar fecunda a humanidade”. 
“Todos nós batizados somos discípulos missionários – enfatizou o Santo Padre – e somos chamados a nos tornar no mundo um Evangelho vivo”:

“Com uma vida santa, daremos sabor aos diversos ambientes e os defenderemos da corrupção, como faz o sal; e levaremos a luz de Cristo com o testemunho de uma caridade autêntica. Mas se nós cristãos perdemos o sabor, apagamos a nossa presença de sal e luz, perdemos a eficácia. Mas, que bonita é esta missão que temos. Como é bonita!”. 

E falando de improviso, continuou:

“É também muito bonito conservar a luz que recebemos de Jesus. Guardá-la. Conservá-la. O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que traz a luz, que sempre dá luz. Uma luz que não é sua, mas é um presente de Deus, o presente de Jesus. E nós levamos em frente esta luz. Se o cristão apaga esta luz, a sua vida não tem sentido: é um cristão somente de nome, que não leva a luz, uma vida sem sentido”.
Neste ponto, o Papa Francisco dirigiu-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro e perguntou reiteradamente se queriam ser uma lâmpada acesa ou apagada: “Como vocês querem viver? Como uma lâmpada acesa ou como uma lâmpada apagada? Acesa ou apagada?, insistiu. “É justamente Deus que nos dá esta luz e nós a damos aos outros. Lâmpada acesa. Esta é a vocação cristã”, afirmou.

Após, Francisco recordou que em 11 de fevereiro será celebrada a memória da Virgem de Lourdes e o Dia Mundial do Enfermo.

Ao final do encontro dominical, o Santo Padre enviou sua saudação aos participantes dos Jogos de Inverno que se realizam em Sochi, na Rússia, saudou todos os presentes na Praça São Pedro - provenientes de diversas partes do mundo e da Itália - e recordou de forma especial os atingidos pelas catástrofes naturais:

“Rezo por todos que estão sofrendo danos e desconforto devido às calamidades naturais, em diversos países - também aqui em Roma. Estou próximo a eles. A natureza nos desafia a sermos solidários e atentos à custódia da Criação, também para prevenir, o quanto possível, conseqüências mais graves”.
Antes da tradicional despedida de "bom domingo e bom almoço”, Francisco dirigiu-se à multidão reunida na Praça São Pedro e perguntou novamente: “Quereis ser lâmpada acesa ou apagada?”.



Texto proveniente site da Rádio Vaticano 

Liturgia do 5° Domingo do Tempo Comum (ano A) - 09/02/2014





5º DOMINGO

DO TEMPO COMUM

  



PRIMEIRA LEITURA (Is 58,7-10)


Leitura do Livro do Profeta Isaías:
Assim diz o Senhor: 7Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne.

8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá.

9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: “Eis-me aqui”. Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


RESPONSÓRIO (Sl 111)


- Uma luz brilha nas trevas/ para o justo, permanece para sempre/ o bem que fez.

- Feliz o homem caridoso e prestativo,/ que resolve seus negócios com justiça./ Ele é correto, generoso e compassivo,/ como luz brilha nas trevas para os justos.

- Porque jamais vacilará o homem justo,/ sua lembrança permanece eternamente./ Ele não teme receber notícias más:/ confiando em Deus, seu coração está seguro.

- Seu coração está tranquilo e nada teme,/ ele reparte com os pobres os seus bens;/ permanece para sempre o bem que fez e crescerão a sua glória e seu poder.


SEGUNDA LEITURA (1Cor 2,1-5)


Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
1Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado. 3Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor.

4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


EVANGELHO (Mt 5,13-16)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.

14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa.

16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor!


HOMILIA

“BRILHE A VOSSA LUZ”

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.


MISSÃO DE TESTEMUNHAR
Jesus subiu ao monte e, como mestre, apontou os fundamentos de Sua doutrina. Mais que doutrina mostrou como Ele próprio vive. É Seu retrato falado. Assim deverão viver os filhos o Reino. Este é o sentido profundo para o cumprimento da nova lei, o modo de relacionar-se com o próximo e a exigência de uma opção do coração para entrar o Reino (Bíblia de Jerusalém – nota). Após falar das bem-aventuranças, diz que vivendo esta nova lei, torna-se um sinal do Reino que não pode ser escondido nem ser sem sabor. Jesus diz na Ceia: “Eu vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes frutos” (Jo 15,16). Isso é ser sal e luz. Não é possível esconder a luz de Cristo que está naquele que crê, e ocultar o sabor de sua vida. A cidade construída sobre o monte estará sempre visível. É mais fácil ocultar o mal que fazemos que o bem que praticamos. A luz que refletimos é a de Deus. O sabor é Dele também: “Provai e vede como o Senhor é bom” (Sl 33,9). O que vai dar a energia para a luz, a visibilidade para a cidade e o sabor para o sal é a vida de acordo com a vontade de Deus: “Reparte o pão como faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos, quando encontrares um nu, cobre-o”; Estas são atitudes para com os sofredores. Há também a orientação da própria vida apresentada pelo profeta: “Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixaram os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares socorro ao necessitado” (Is 58,7.9-10). A vida cristã não é sós um ato de fé, mas “uma fé que se torna operosa na caridade” (Gl 5,6). Perde-se o rumo se ficarmos só no espiritualismo e devocionismo sem compromisso com a caridade! Uma religião alienada muito cômoda não mexe com as estruturas do pecado pessoal e estrutural.

HOMEOPATIA ESPIRITUAL
Se ocorrer em nossa vida às atitudes de atenção aos necessitados, haverá um grande resultado: “Brilhará tua luz como a aurora e tua saúde a de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá”… nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio dia” (8.10). Ser sal e luz é resultado de uma atitude pessoal.  Fazer o bem nos faz bem. O bem feito aos outros volta a nós com grande força de renovação. Não buscamos a recompensa, mas acolhemos o fruto de nossa opção espiritual. Vemos as pessoas em busca de curas espirituais através de bênçãos e outras coisas mais, quando a cura está na caridade. Isso não nos deixará livres de problemas e sofrimentos, mesmo espirituais com dificuldades e até pecados. Mas o amor para com os necessitados nos dará a saúde espiritual. No salmo encontramos a indicação: “Feliz o homem caridoso e prestativo… seu coração está tranquilo e nada teme. Ele reparte com os pobres os seus bens; permanece para sempre o bem que fez” (Sl 111).

MÉTODO DE PREGAÇÃO
Paulo ensina que o testemunho não está na sabedoria das palavras, mas na coerência de vida com a Palavra de Deus. Seremos testemunhas se o espírito das bem-aventuras penetrar nossas atitudes. Paulo se faz modelo para os evangelizadores: “Quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana” (1Cor 2,1). Jesus tinha essa linguagem. O povo O entendia. Papa Francisco diz a mesma coisa dos outros, mas numa linguagem nascida da experiência do povo e da sabedoria de Deus. Falar simples é um passo além da ciência. O assunto que Paulo prega é Jesus Crucificado e o poder do Espírito Santo.


ORAÇÃO

                             
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Amém!

Editado por Jorge Maciel News

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Em cada tempo o Espirito Santo dá à Igreja o Papa que ela precisa


Parece ter sido outro dia, quando, na tarde chuvosa de 13 de março de 2013, após horas de espera e grande expectativa, a multidão que se encontrava apinhada no amplo espaço circundado pela colunata de Bernini, ouvia ecoar na Praça São Pedro, na voz do Cardeal proto-diácono Jean-Louis Tauran, o anúncio da eleição e o nome do novo Bispo de Roma.

No entanto, já se passou quase um ano daquele dia em que o Conclave varreu a tradição de mais de doze séculos ininterruptos da eleição de papas europeus. Vale lembrar que o primeiro Papa não-europeu foi propriamente o primeiro Papa da história: São Pedro era proveniente da Terra Santa, como Jesus.

De fato, o último Sucessor de Pedro não-europeu fora Gregório III, sírio, Pontífice de 731 a 741. Como se sabe, as novidades não ficaram por aqui: primeiro Papa do Continente Americano – filho da América Latina, primeiro da Companhia de Jesus a calçar as "Sandálias do Pescador", primeiro a chamar-se Francisco.

O mais importante, porém, estava por vir, e podia-se intuir da escolha do Papa Bergoglio, ao tomar para si o nome do pobrezinho de Assis: o manifesto desejo de "uma Igreja pobre, para os pobres", com os pobres e dos pobres; uma Igreja em estado permanente de missão, capaz de sair de si, de suas comodidades e ir "às periferias geográficas e existenciais" – como ama repetir –, "mesmo a custa de acidentar-se".

Em todo caso, é absolutamente dispensável evocar aqui aqueles elementos que têm levado ao que de há muito têm chamado de a "Revolução de Bergoglio", a grande atenção que este Pontificado tem despertado no mundo inteiro. Por isso, prefiro evitar o risco de tornar-me repetitivo.

De fato, de lá para cá, neste quase um ano, foram escritos dezenas de livros, produzidos centenas de documentários e reportagens, e milhares de artigos sobre o Bispo de Roma que veio "quase do fim do mundo", como definiu-se ele mesmo, da sacada da Basílica Vaticana, ao cair da tarde daquele 13 de março.

Por isso mesmo, sem a pretensão de acrescentar nada de realmente novo, gostaria somente de partilhar com você, amigo ouvinte e caro leitor – e assim convidá-lo a ulterior reflexão –, apenas algumas parcas considerações.

Como se sabe, o Espírito Santo dá à Igreja o Papa de que ela precisa para cada momento da história. Atendo-nos apenas aos últimos pontífices, podemos lembrar o bom Papa João XXIII, que por inspiração do Espírito Santo, convocou e iniciou o Concílio – trazendo uma verdadeira Primavera na Igreja; seguido do Papa Paulo VI, excelso pastor, homem de elevada envergadura cultural, a quem coube continuar, concluir e iniciar a aplicação do Concílio.

Depois tivemos Albino Luciani, o Papa João Paulo I, que tão logo partiu, ocupando a Cátedra de Pedro no breve espaço de um sorriso.

Em seguida, o grande Papa João Paulo II, cuja eleição, em 1978, interrompeu a tradição de quatro séculos e meio de papas italianos. De fato, o último não italiano havia sido Adriano VI, holandês.

Em 2005 tivemos a eleição de Bento XVI, grande catequizador, insigne teólogo, o Papa que em suas primeiras palavras como Pontífice se definiu "um humilde trabalhador na vinha do Senhor", que quase oito anos depois, num gesto de estrema humildade, lucidez e desapego, surpreendeu o mundo inteiro, renunciando em fevereiro do ano passado.

Décimo segundo Papa não-europeu, Bergoglio traz para a Cátedra de Pedro, de onde irradia o alto Magistério petrino, o modo de ser e de viver da Igreja na América Latina, subcontinente onde se encontra quase a metade de todos os católicos do mundo inteiro.

E traz para a velha e cansada Europa a experiência eclesial de uma Igreja jovem, viva e dinâmica, cujo Pontificado também representa mais responsabilidades e desafios para a Igreja nesta porção do "Continente da Esperança".

Manifestamente contrário ao "culto da personalidade", o Papa Francisco nos remete continuamente a Cristo e a seu Evangelho, incentivando-nos a fixar nosso olhar unicamente em Jesus, fazendo-nos sentir – como disse em outra circunstância e contexto seu vigário-geral para o Estado da Cidade do Vaticano, Cardeal Angelo Comastri – o perfume do Evangelho, o perfume da palha da gruta de Belém.

A Francisco, nosso irmão, nossas contínuas orações por ele, por suas intenções, pela Igreja e pelo mundo! 



Texto proveniente do site da Rádio Vaticano

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O valor da Santa Missa


Na Missa, Jesus vem e nos fecunda com a Sua redenção. As pessoas que apresentamos a Ele, os problemas e as situações que vivemos, tudo isso é assumido por Cristo no Seu sacrifício redentor. Para isso é preciso que nós católicos entendamos o valor da Santa Missa.

O inimigo de Deus tem consciência da importância da Santa Missa, por isso, faz questão de obscurecer o nosso entendimento. Ele trabalha a nossa mente para não darmos a devida importância a ela. Distrai-nos com tudo o que está acontecendo à nossa volta no momento da Celebração Eucarística, como as músicas, os instrumentos e as palmas. Passamos a ficar preocupados com a procissão de entrada e do ofertório, com os que vão fazer as leituras e a coleta. E assim, ocupados e distraídos com tantas coisas, ficamos alheios ao sacrifício da Cruz, a grande realidade invisível naquele momento.

Não podemos nos deixar enganar! Precisamos ter uma liturgia bem preparada, com procissões, leituras, músicas, mas tudo deve estar centrado na renovação do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, o sacrifício do calvário. Quando descobrirmos o valor da intercessão de Jesus na Santa Missa, encontraremos um grande tesouro.

Monsenhor Jonas Abib

Beato João Paulo II torna-se o padroeiro do JMJ

"Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu": este é o titulo da Mensagem que o Papa Francisco dirige aos jovens para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada em nível diocesano em 13 de abril.

Confira o texto:


Mensagem do Santo Padre Francisco para a XXIX Jornada Mundial da Juventude


(Domingo de Ramos, 13 de Abril de 2014)
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3)


Queridos jovens, 


Permanece gravado na minha memória o encontro extraordinário que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude: uma grande festa da fé e da fraternidade. A boa gente brasileira acolheu-nos de braços escancarados, como a estátua de Cristo Redentor que domina, do alto do Corcovado, o magnífico cenário da praia de Copacabana. Nas margens do mar, Jesus fez ouvir de novo a sua chamada para que cada um de nós se torne seu discípulo missionário, O descubra como o tesouro mais precioso da própria vida e partilhe esta riqueza com os outros, próximos e distantes, até às extremas periferias geográficas e existenciais do nosso tempo.


A próxima etapa da peregrinação intercontinental dos jovens será em Cracóvia, em 2016. Para cadenciar o nosso caminho, gostaria nos próximos três anos de refletir, juntamente convosco, sobre as Bem-aventuranças que lemos no Evangelho de São Mateus (5, 1-12). Começaremos este ano meditando sobre a primeira: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3); para 2015, proponho: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8); e finalmente, em 2016, o tema será: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7).


1. A força revolucionária das Bem-aventuranças


É-nos sempre muito útil ler e meditar as Bem-aventuranças! Jesus proclamou-as no seu primeiro grande sermão, feito na margem do lago da Galileia. Havia uma multidão imensa e Ele, para ensinar os seus discípulos, subiu a um monte; por isso é chamado o «sermão da montanha». Na Bíblia, o monte é visto como lugar onde Deus Se revela; pregando sobre o monte, Jesus apresenta-Se como mestre divino, como novo Moisés. E que prega Ele? Jesus prega o caminho da vida; aquele caminho que Ele mesmo percorre, ou melhor, que é Ele mesmo, e propõe-no como caminho da verdadeira felicidade. Em toda a sua vida, desde o nascimento na gruta de Belém até à morte na cruz e à ressurreição, Jesus encarnou as Bem-aventuranças. Todas as promessas do Reino de Deus se cumpriram n’Ele. 


Ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor assegura-nos a sua graça e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, há pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão quotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só Deus, amor infinito, pode dar. 


As Bem-aventuranças de Jesus são portadoras duma novidade revolucionária, dum modelo de felicidade oposto àquele que habitualmente é transmitido pelos mass media, pelo pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, é um escândalo que Deus tenha vindo para Se fazer um de nós, que tenha morrido numa cruz. Na lógica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes são considerados «perdedores», fracos. Ao invés, exalta-se o sucesso a todo o custo, o bem-estar, a arrogância do poder, a afirmação própria em detrimento dos outros. 


Queridos jovens, Jesus interpela-nos para que respondamos à sua proposta de vida, para que decidamos qual estrada queremos seguir a fim de chegar à verdadeira alegria. Trata-se dum grande desafio de fé. Jesus não teve medo de perguntar aos seus discípulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por outros caminhos (cf. Jo 6, 67). E Simão, denominado Pedro, teve a coragem de responder: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68). Se souberdes, vós também, dizer «sim» a Jesus, a vossa vida jovem encher-se-á de significado, e assim será fecunda. 


2. A coragem da felicidade


O termo grego usado no Evangelho é makarioi, «bem-aventurados». E «bem-aventurados» quer dizer felizes. Mas dizei-me: vós aspirais deveras à felicidade? Num tempo em que se é atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco de contentar-se com pouco, com uma ideia «pequena» da vida. Vós, pelo contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações! Como dizia o Beato Pierjorge Frassati, «viver sem uma fé, sem um património a defender, sem sustentar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas ir vivendo. Não devemos jamais ir vivendo, mas viver» (Carta a I. Bonini, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua beatificação, João Paulo II chamou-lhe «homem das Bem-aventuranças» (Homilia na Santa Missa: AAS 82 [1990], 1518).


Se verdadeiramente fizerdes emergir as aspirações mais profundas do vosso coração, dar-vos-eis conta de que, em vós, há um desejo inextinguível de felicidade, e isto permitir-vos-á desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas «a baixo preço» que encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a riqueza de modo egoísta e idolatrando-os, podemos experimentar também momentos de inebriamento, uma falsa sensação de satisfação; mas, no fim de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos impelidos a buscar sempre mais. É muito triste ver uma juventude «saciada», mas fraca.


Escrevendo aos jovens, São João dizia: «Vós sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós e vós vencestes o Maligno» (1 Jo 2, 14). Os jovens que escolhem Cristo são fortes, nutrem-se da sua Palavra e não se «empanturram» com outras coisas. Tende a coragem de ir contra a corrente. Tende a coragem da verdadeira felicidade! Dizei não à cultura do provisório, da superficialidade e do descartável, que não vos considera capazes de assumir responsabilidades e enfrentar os grandes desafios da vida.


3. Felizes os pobres em espírito…


A primeira Bem-aventurança, tema da próxima Jornada Mundial da Juventude, declara felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Num tempo em que muitas pessoas penam por causa da crise económica, pode parecer inoportuno acostar pobreza e felicidade. Em que sentido podemos conceber a pobreza como uma bênção?


Em primeiro lugar, procuremos compreender o que significa «pobres em espírito». Quando o Filho de Deus Se fez homem, escolheu um caminho de pobreza, de despojamento. Como diz São Paulo, na Carta aos Filipenses: «Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens» (2, 5-7). Jesus é Deus que Se despoja da sua glória. Vemos aqui a escolha da pobreza feita por Deus: sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). É o mistério que contemplamos no presépio, vendo o Filho de Deus numa manjedoura; e mais tarde na cruz, onde o despojamento chega ao seu ápice. 


O adjectivo grego ptochós (pobre) não tem um significado apenas material, mas quer dizer «mendigo». Há que o ligar com o conceito hebraico de anawim (os «pobres de Iahweh»), que evoca humildade, consciência dos próprios limites, da própria condição existencial de pobreza. Os anawim confiam no Senhor, sabem que dependem d’Ele. 


Como justamente soube ver Santa Teresa do Menino Jesus, Cristo na sua Encarnação apresenta-Se como um mendigo, um necessitado em busca de amor. O Catecismo da Igreja Católica fala do homem como dum «mendigo de Deus» (n. 2559) e diz-nos que a oração é o encontro da sede de Deus com a nossa (n. 2560).


São Francisco de Assis compreendeu muito bem o segredo da Bem-aventurança dos pobres em espírito. De facto, quando Jesus lhe falou na pessoa do leproso e no Crucifixo, ele reconheceu a grandeza de Deus e a própria condição de humildade. Na sua oração, o Poverellopassava horas e horas a perguntar ao Senhor: «Quem és Tu? Quem sou eu?» Despojou-se duma vida abastada e leviana, para desposar a «Senhora Pobreza», a fim de imitar Jesus e seguir o Evangelho à letra. Francisco viveu a imitação de Cristo pobre e o amor pelos pobres de modo indivisível, como as duas faces duma mesma moeda.


Posto isto, poder-me-íeis perguntar: Mas, em concreto, como é possível fazer com que esta pobreza em espírito se transforme em estilo de vida, incida concretamente na nossa existência? Respondo-vos em três pontos.


Antes de mais nada, procurai ser livres em relação às coisas. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evangélico caracterizado pela sobriedade, chama-nos a não ceder à cultura do consumo. Trata-se de buscar a essencialidade, aprender a despojarmo-nos de tantas coisas supérfluas e inúteis que nos sufocam. Desprendamo-nos da ambição de possuir, do dinheiro idolatrado e depois esbanjado. No primeiro lugar, coloquemos Jesus. Ele pode libertar-nos das idolatrias que nos tornam escravos. 


Confiai em Deus, queridos jovens! Ele conhece-nos, ama-nos e nunca se esquece de nós. Como provê aos lírios do campo (cf. Mt 6, 28), também não deixará que nos falte nada! Mesmo para superar a crise económica, é preciso estar prontos a mudar o estilo de vida, a evitar tantos desperdícios. Como é necessária a coragem da felicidade, também é precisa a coragem da sobriedade.

Em segundo lugar, para viver esta Bem-aventurança todos necessitamos de conversão em relação aos pobres. Devemos cuidar deles, ser sensíveis às suas carências espirituais e materiais. A vós, jovens, confio de modo particular a tarefa de colocar a solidariedade no centro da cultura humana. Perante antigas e novas formas de pobreza – o desemprego, a emigração, muitas dependências dos mais variados tipos –, temos o dever de permanecer vigilantes e conscientes, vencendo a tentação da indiferença. Pensemos também naqueles que não se sentem amados, não olham com esperança o futuro, renunciam a comprometer-se na vida porque se sentem desanimados, desiludidos, temerosos. 


Devemos aprender a estar com os pobres. Não nos limitemos a pronunciar belas palavras sobre os pobres! Mas encontremo-los, fixemo-los olhos nos olhos, ouçamo-los. Para nós, os pobres são uma oportunidade concreta de encontrar o próprio Cristo, de tocar a sua carne sofredora. 

Mas – e chegamos ao terceiro ponto – os pobres não são pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles têm tanto para nos oferecer, para nos ensinar. Muito temos nós a aprender da sabedoria dos pobres! Pensai que um Santo do século XVIII, Bento José Labre – dormia pelas ruas de Roma e vivia das esmolas da gente –, tornara-se conselheiro espiritual de muitas pessoas, incluindo nobres e prelados. De certo modo, os pobres são uma espécie de mestres para nós. Ensinam-nos que uma pessoa não vale por aquilo que possui, pelo montante que tem na conta bancária. Um pobre, uma pessoa sem bens materiais, conserva sempre a sua dignidade. Os pobres podem ensinar-nos muito também sobre a humildade e a confiança em Deus. Na parábola do fariseu e do publicano (cf. Lc 18, 9-14), Jesus propõe este último como modelo, porque é humilde e se reconhece pecador. E a própria viúva, que lança duas moedinhas no tesouro do templo, é exemplo da generosidade de quem, mesmo tendo pouco ou nada, dá tudo (Lc 21, 1-4).


4. … porque deles é o Reino do Céu


Tema central no Evangelho de Jesus é o Reino de Deus. Jesus é o Reino de Deus em pessoa, é o Emanuel, Deus connosco. E é no coração do homem que se estabelece e cresce o Reino, o domínio de Deus. O Reino é, simultaneamente, dom e promessa. Já nos foi dado em Jesus, mas deve ainda realizar-se em plenitude. Por isso rezamos ao Pai cada dia: «Venha a nós o vosso Reino».


Há uma ligação profunda entre pobreza e evangelização, entre o tema da última Jornada Mundial da Juventude – «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28, 19) – e o tema deste ano: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3). O Senhor quer uma Igreja pobre, que evangelize os pobres. Jesus, quando enviou os Doze em missão, disse-lhes: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento» (Mt 10, 9-10). A pobreza evangélica é condição fundamental para que o Reino de Deus se estenda. As alegrias mais belas e espontâneas que vi ao longo da minha vida eram de pessoas pobres que tinham pouco a que se agarrar. A evangelização, no nosso tempo, só será possível por contágio de alegria. 


Como vimos, a Bem-aventurança dos pobres em espírito orienta a nossa relação com Deus, com os bens materiais e com os pobres. À vista do exemplo e das palavras de Jesus, damo-nos conta da grande necessidade que temos de conversão, de fazer com que a lógica doser mais prevaleça sobre a lógica do ter mais. Os Santos são quem mais nos pode ajudar a compreender o significado profundo das Bem-aventuranças. Neste sentido, a canonização de João Paulo II, no segundo domingo de Páscoa, é um acontecimento que enche o nosso coração de alegria. Ele será o grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude, de que foi o iniciador e impulsionador. E, na comunhão dos Santos, continuará a ser, para todos vós, um pai e um amigo. 


No próximo mês de Abril, tem lugar também o trigésimo aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Redenção. Foi precisamente a partir daquele acto simbólico de João Paulo II que principiou a grande peregrinação juvenil que, desde então, continua a atravessar os cinco continentes. Muitos recordam as palavras com que, no domingo de Páscoa do ano 1984, o Papa acompanhou o seu gesto: «Caríssimos jovens, no termo do Ano Santo, confio-vos o próprio sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a ao mundo como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade, e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção».


Queridos jovens, o Magnificat, o cântico de Maria, pobre em espírito, é também o canto de quem vive as Bem-aventuranças. A alegria do Evangelho brota dum coração pobre, que sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o coração da Virgem, que todas as gerações chamam «bem-aventurada» (cf. Lc 1, 48). Que Ela, a mãe dos pobres e a estrela da nova evangelização, nos ajude a viver o Evangelho, a encarnar as Bem-aventuranças na nossa vida, a ter a coragem da felicidade


Vaticano, 21 de Janeiro – Memória de Santa Inês, virgem e mártir - de 2014.



Texto proveniente do site da Rádio Vaticano