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sábado, 19 de abril de 2014

A descida do Senhor a mansão dos mortos


Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a Terra. Um grande silêncio e uma grande solidão, porque o Rei está dormindo. A Terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito Homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou na mansão dos mortos.

Ele vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e Seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, O viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós!”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te
guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.



Monsenhor Jonas Abib

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Celebração da Paixão do Senhor


O Papa Francisco presidiu, na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica Vaticana, a celebração da Paixão do Senhor, com o rito da Adoração da Cruz, que caracteriza esta celebração. Como habitual nesta ocasião, a homilia foi feita pelo pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa.

"Estava com eles também Judas, o traidor." A homilia do frei capuchinho partiu desta afirmação, frisando que a primeira comunidade cristã tem refletido muito sobre ele e que nós faríamos mal se não o fizéssemos o mesmo. Judas tem muito a nos dizer, destacou.

O religioso lembrou que "Judas não tinha nascido traidor e não o era quando foi escolhido por Jesus; tornou-se! Estamos diante de um dos dramas mais obscuros da liberdade humana. Por que se tornou?" – perguntou.

Frei Cantalamessa recordou que em anos não distantes tentou-se dar a seu gesto motivações ideais, outros pensaram que Judas estivesse desapontado com a maneira em que Jesus realizou a sua idéia do "reino de Deus" e que quisesse forçá-lo a agir no plano político contra os pagãos.

Os Evangelhos falam de um motivo muito mais terra-terra – observou: o dinheiro. Judas tinha a responsabilidade da bolsa comum do grupo; na ocasião da unção em Betânia havia protestado contra o desperdício do perfume precioso derramado por Maria aos pés de Jesus, não porque se preocupasse pelos pobres, assinala João, mas porque “era um ladrão e, como tinha a bolsa, tirava o que se colocava dentro"(Jo 12, 6). A sua proposta aos chefes dos sacerdotes é explícita: “Quanto estão dispostos a dar-me, se vo-lo entregar? E eles fixaram a soma de trinta moedas de prata" (Mt 26, 15).

Mas por que maravilhar-se desta explicação e achar que ela é banal? Não foi quase sempre assim na história e não é ainda assim hoje em dia? Mamona, o dinheiro, não é um dos muitos ídolos; é o ídolo por excelência; literalmente, “o ídolo de metal fundido" (cf. Ex 34, 17), frisou o pregador da Casa Pontifícia.

Quem é, nos fatos, o outro patrão, o anti-Deus, Jesus no-lo diz claramente: “Ninguém pode servir a dois senhores: não podeis servir a Deus e a Mamona” (Mt 6, 24). O dinheiro é o "deus visível", em oposição ao verdadeiro Deus que é invisível.

Mamona é o anti-Deus, porque cria um universo espiritual alternativo, muda o objeto das virtudes teologais. Fé, esperança e caridade não são mais colocados em Deus, mas no dinheiro. Ocorre uma sinistra inversão de todos os valores. "Tudo é possível ao que crê", diz a Escritura (Mc 9, 23); mas o mundo diz: "Tudo é possível para quem tem dinheiro”. E, em certo sentido, todos os fatos parecem dar-lhe razão.

Citando a Escritura, Frei Cantalamessa lembrou que "o apego ao dinheiro é a raiz de todos os males". Por trás de todo o mal da nossa sociedade está o dinheiro, ou pelo menos está também o dinheiro.

O que está por trás do tráfico de drogas que destrói tantas vidas humanas, a exploração da prostituição, o fenômeno das várias máfias, a corrupção política, a fabricação e comercialização de armas, e até mesmo - coisa horrível de se dizer - a venda de órgãos humanos removidos das crianças? E a crise financeira que o mundo atravessou e que este país ainda está atravessando, não é, em grande parte, devida à "deplorável ganância por dinheiro", o auri sacra fames, de alguns poucos? Judas começou roubando um pouco de dinheiro da bolsa comum. Isso não diz nada para certos administradores do dinheiro público? 
Mas sem pensar nesses modos criminosos de ganhar dinheiro, por acaso, já não é escandaloso que alguns percebam salários e pensões cem vezes maiores do que daqueles que trabalham nas suas casas, e que já levantem a voz só com a ameaça de ter que renunciar a algo, em vista de uma maior justiça social?

Como todos os ídolos, o dinheiro é "falso e mentiroso": promete a segurança e, em vez disso, a tira; promete a liberdade e, em vez disso, a destrói, ressaltou Frei Cantalamessa.

Após afirmar que o deus dinheiro se encarrega de punir, ele mesmo, os seus adoradores, o frei capuchinho recordou que "é possível trair Jesus também por outros tipos de recompensa que não sejam as trinta moedas de prata. Trai a Cristo quem trai a própria esposa ou o próprio marido. Trai a Jesus o ministro de Deus infiel ao seu estado, ou que, em vez de apascentar o rebanho apascenta a si mesmo. Trai a Jesus quem trai a própria consciência".

O religioso franciscano observou que Judas tinha um atenuante que nós não temos. Ele não sabia quem era Jesus, considerava-o somente “um homem justo”; não sabia que era o Filho de Deus, nós sim.

O Evangelho descreve o fim horrível de Judas: "Judas, que o havia traído, vendo que Jesus tinha sido condenado, se arrependeu, e devolveu as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: pequei, entregando-vos sangue inocente. Mas eles disseram: O que nos importa? O problema é seu. E ele, jogando as moedas no templo, partiu e foi enforcar-se” ( Mt 27 , 3-5).

Mas não julguemos apressadamente, disse o pregador da Casa Pontifícia. Jesus nunca abandonou a Judas e ninguém sabe onde ele caiu quando se jogou da árvore com a corda no pescoço: se nas mãos de Satanás ou naquelas de Deus. Quem pode dizer o que aconteceu na sua alma naqueles últimos instantes? "Amigo", foi a última palavra que Jesus lhe disse no horto e ele não podia tê-la esquecido, como não podia ter esquecido o seu olhar.

O destino eterno da criatura é um segredo inviolável de Deus. A Igreja nos garante que um homem ou uma mulher proclamados santos estão na bem-aventurança eterna; mas de ninguém a Igreja sabe com certeza que esteja no inferno.

Da mesma forma que procurou o rosto de Pedro depois de sua negação para dar-lhe o seu perdão, terá procurado também o de Judas em algum momento da sua via crucis! Quando da cruz reza: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23 , 34), não exclui certamente deles a Judas.

Então, o que faremos, portanto, nós? Quem seguiremos, Judas ou Pedro? – perguntou o religioso. Pedro teve remorso pelo que ele tinha feito, mas também Judas teve remorso, tanto que gritou: "Eu traí sangue inocente!", e devolveu as trinta moedas de prata. Onde está, então, a diferença? Em apenas uma coisa: Pedro teve confiança na misericórdia de Cristo, Judas não! O maior pecado de Judas não foi ter traído Jesus, mas ter duvidado da sua misericórdia.

Se nós o imitamos, quem mais quem menos, na traição, não o imitemos nesta sua falta de confiança no perdão, exortou. Existe um sacramento no qual é possível fazer uma experiência segura da misericórdia de Cristo: o sacramento da reconciliação. Como é belo este sacramento! É doce experimentar Jesus como mestre, como Senhor, mas ainda mais doce experimentá-lo como Redentor: como aquele que te tira para fora do abismo.

Concluindo, o pregador da Casa Pontifícia recordou que Jesus sabe fazer de todas as culpas humanas, uma vez que nos tenhamos arrependido, “felizes culpas”, culpas que não são mais lembradas a não ser pela experiência da misericórdia e pela ternura divina da qual foram ocasião! 



Texto proveniente do site da Rádio Vaticano 

O Sofrimento de Cristo


O mundo cristão contempla no horizonte a paixão e morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus, na Sexta-feira Santa. Assim, celebra o mistério da salvação e, com reverência amorosa, faz ecoar um silêncio que é a via única para entender o mais perfeito gesto de amor da história da humanidade. Só esse silêncio não dispersa a inteligência na tarefa de inspirar-se pelo amor verdadeiro de Deus, para compreender o sentido redentor do sofrimento de Cristo. O sentido dessa paixão é a salvação de todos, caminho para o entendimento sábio e adequado da dor que acompanha a humanidade. Compreendê-lo é indispensável para que as muitas dificuldades não apaguem a chama da esperança, obscurecendo a vida.

Indispensável é o desafio de considerar como essencial à natureza humana aquilo que nós exprimimos com a palavra “sofrimento”. As muitas dores manifestam a profundidade que é própria do homem. Assim, o sofrimento parece pertencer ao domínio da transcendência. Indica que a humanidade está, em certo sentido, “destinada” à busca pela superação e é chamada, de modo misterioso, a seguir esse percurso. Uma caminhada que só é possível a partir de uma sabedoria adequada. Enfrentar o sofrimento sem essa consciência pode fazer crescer as lutas e disputas que promovem o caos da desumanização, afetando, de modo particular, a realidade contemporânea.

Sofrer é inerente à condição terrena do homem; mas é importante compreender que, pela paixão de Cristo na Cruz, o Salvador realizou a redenção da humanidade. Não se pode, portanto, evitar ou tratar com indiferença a realidade da dor. Todos devem assumir o dever cristão de ir ao encontro de cada pessoa que sofre. Assim, o padecer humano deve suscitar compaixão e inspirar também respeito, pois guarda a grandeza de um mistério específico. Esse respeito particular por todo e qualquer sofrimento humano merece ser claramente compreendido como necessidade profunda do coração e exigência da fé. Somos chamados, pela fé, a estar junto a cada irmão que sofre. A dor de cada um, à luz da fé, iluminada pela paixão de Cristo Salvador, não pode ser simplesmente objeto de descrição.

Oportuno é recordar a palavra do Bem-Aventurado João Paulo II na sua Carta Apostólica sobre o sentido cristão das mais diversas dores. Ele sublinha que o “sofrimento é algo mais amplo e mais complexo do que a doença”. Lembra que a ciência e suas terapias não conseguem compreender e tratar todas as dores, que formam uma dimensão “enraizada na própria humanidade”. João Paulo II alerta que a dor espiritual acompanha sempre as aflições físicas e morais: “A amplidão do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas não são menores do que as do sofrimento físico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais difícil de identificar e de ser atingido pela terapia”.

Todo sofrimento é sempre causado pelo mal. Caberá a permanente interrogação a respeito desse mal como possibilidade de uma experiência com força de recuperar a sociedade contemporânea da grave crise moral que ela enfrenta. Diante de todo sofrimento, no combate ao mal que o causa, a solidariedade é a dinâmica indispensável para construir um caminho humanitariamente possível e justo. Nenhuma dor pode ser entendida e enfrentada senão pela sabedoria do amor. E a fonte inesgotável dessa sabedoria é Deus. Jesus Cristo na Cruz, marcante pelo silêncio de sua morte, é a revelação plena do amor divino. Pelo sofrimento redentor de Cristo, Ele atinge as raízes do mal, também existencial e histórico. Existe, pois, um Evangelho do Sofrimento como fonte de imprescindíveis lições para que a humanidade enfrente os seus desafios. O capítulo central desse Evangelho, a ser aprendido para superar todo mal, é o mistério do sofrimento de Cristo. Hoje, Sexta-feira Santa, é oportunidade para que todos compreendam melhor o sentido desse mistério e se fortaleçam no enfrentamento de todas as dores do mundo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Hoje é aniversário do Papa Emérito Bento XVI


Hoje o Papa emérito Bento XVI completa 87 anos. Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 em Marktl am Inn, município do estado de Baviera, na Alemanha.

Foi o 265º papa, de 19 de abril 2005 a 28 fevereiro 2013. E foi o 7º pontífice alemão na história da Igreja Católica. Sua atual residência é o convento Mater Ecclesiae, situado nos Jardins do Vaticano.

Desejamos a Bento XVI, muitas felicidades, que Deus na sua infinita bondade e misericórdia possa lhe conceder paz, saúde e muitas alegrias. E uma feliz e Santa Páscoa!

O Papa Francisco telefonou ao Papa emérito Bento XVI para parabenizá-lo, assegurando-lhe que rezou por ele de maneira especial esta manhã na celebração da missa.

"Como estamos na Semana Santa, Bento XVI quis transcorrer o dia no clima usual de meditação e oração, sem festejar seu aniversário", informou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.

Texto proveniente do site da Rádio Vaticano

Audiência: na Semana Santa, nos fará bem beijar o crucifixo e agradecer ao Senhor


A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai: palavras de Francisco na Audiência Geral desta manhã, na Praça S. Pedro.

Antes da catequese, o Pontífice fez o giro da Praça de papamóvel, para saudar os mais de 30 mil fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo.

Ao tomar a palavra, Francisco falou da liturgia do dia, que nos apresenta a narração da traição de Judas, como se Jesus tivesse um preço e estivesse num mercado. Este ato dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele escolhe com absoluta liberdade e que atinge o ponto mais profundo na morte de cruz: morre como um derrotado, um falido! 

Olhando Jesus na sua paixão, nós vemos como num espelho os sofrimentos da humanidade e encontramos a resposta divina ao mistério do mal, da dor e da morte. Tantas vezes, sentimos horror pelo mal e pela dor que nos circunda e nos perguntamos como Deus permite o sofrimento e a morte, principalmente dos inocentes. Quando vemos as crianças sofrerem, é uma ferida no coração. E Jesus toma todo este mal, este sofrimento sobre si. 
Nós esperamos que Ele, na sua omnipotência, derrote a injustiça, o mal, o pecado e o sofrimento com uma vitória divina triunfante. Ao contrário, Deus nos mostra uma vitória humilde, que humanamente parece uma falência.

Mas, aceitando esta falência por amor, supera-a e vence-a. “Vence na falência”, explicou o Papa. Trata-se de um mistério desconcertante Se, depois de todo o bem que realizara, não tivesse existido esta morte tão humilhante, Jesus não teria mostrado a medida total do seu amor. A falência histórica de Jesus e as frustrações de muitas esperanças humanas são a estrada mestra, por onde Deus realiza a nossa salvação. É uma estrada que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os: pelas suas chagas fomos curados. 

Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição. 

A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando toda a esperança humana já tinha desmoronado. E também nós somos chamados a seguir Jesus por este caminho de humilhação. 

Quando acontecer que, mergulhados na mais densa escuridão, não vemos qualquer via de saída para as nossas dificuldades, então é o momento da nossa humilhação e despojamento total, é a hora em que experimentamos como somos frágeis e pecadores. “Nesse momento, não devemos mascarar a nossa falência, mas, cheios de confiança em Deus, abrir-nos à esperança, como fez Jesus”, prosseguiu.

O Papa então concluiu sua catequese com um conselho:

Queridos irmãos e irmãs, nesta semana nos fará bem pegar o crucifixo nas mãos e beijá-lo muitas vezes. E dizer: obrigado Jesus, obrigado Senhor.

Texto proveniente do site da Rádio Vaticano

terça-feira, 15 de abril de 2014

Entenda o Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII

João XXIII convocou o Concílio para que a doutrina cristã fosse guardada e ensinada de forma mais eficaz
O Concílio Ecumênico Vaticano II é considerado um dos maiores acontecimentos da Igreja no Século XX. Constitui também um dos maiores feitos do pontificado de Angelo Giuseppe Roncalli, o Papa João XXIII, e trouxe grandes renovações para a Igreja Católica.
O Concílio é a assembleia de todos os bispos do mundo ou de uma representação dos bispos do mundo inteiro que, em comunhão com o Papa, procura esclarecer questões de fé, de moral ou da vida prática da Igreja.
“Os concílios são momentos fortes e importantíssimos para a vida de toda a comunidade dos discípulos de Cristo”, explica o bispo auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares, em sua página pessoal na internet.
João XXIII anunciou o Vaticano II em 25 de janeiro de 1959, três meses após sua eleição como Papa. O anúncio se deu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, quando se encerrava a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A convocação oficial ocorreu em 25 de dezembro de 1961, com a publicação da Constituição Apostólica Humanae Salutis.
Já a a abertura do Concílio aconteceu no dia 11 de outubro de 1962, na Basílica de São Pedro, em Roma. Durante o discurso oficial de abertura, João XXIII expressou sua intenção ao convocar o Concílio Vaticano II.
“O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a pátria celeste”, disse João XXIII.
Como explicou o próprio João XXIII nesse discurso de abertura, a convocação do Concílio Vaticano II foi “uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. Ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio”.Os preparativos para o Vaticano II
A preparação do evento foi trabalhosa, conforme considerou João XXIII. Durou cerca de três anos. Nesse período, foram criadas comissões para assuntos específicos, entre eles o da liturgia.
Estas comissões enviaram questionários às sedes episcopais de todo o mundo para levantar os principais temas a serem discutidos durante o encontro. A ideia era indagar profundamente as condições modernas da fé e da prática religiosa, de modo especial da vitalidade cristã e católica.
A partir destes questionamentos, a Igreja conseguiria, conforme queria o Papa, que os homens, as famílias e os povos voltassem realmente a alma para as coisas celestiais. Uma tarefa que, segundo explicação do bispo emérito de Blumenau, Dom Angélico Sândalo Bernardino, foi muito exigente.
“Tivemos enormes dificuldades na preparação, na realização do concílio e no pós-concílio, dentro da Igreja. Algumas chagas ainda sangram em consequência das mudanças, que muitas pessoas, bem intencionadas, não compreenderam, agarradas que estavam a certas tradições com “t” minúsculo, a certos costumes. Não conseguiram abraçar a voz do Espírito que gritava para a Igreja naquele momento tão importante da história”.
Concílios Ecumênicos
Ao todo, foram realizados vinte e um concílios ecumênicos em toda a história da Igreja. Este último, o Vaticano II, visava, segundo João XXIII, guardar o depósito sagrado da doutrina cristã e ensiná-lo de forma mais eficaz ao mundo moderno.
De acordo com Dom Henrique, a palavra “ecumênico”, no âmbito do Vaticano II, não significa uma reunião com outras religiões. Neste caso, trata-se de afirmar que o concílio vale para toda a Igreja; isso para distinguir dos concílios regionais ou nacionais, com bispos só de uma região ou de um país.
“Os concílios ecumênicos têm, pois, autoridade sobre toda a Igreja de Cristo, pois aí está reunido o Colégio dos Bispos juntamente com o Papa, como o Colégio dos Apóstolos juntamente com Pedro. A fé nos ensina que os participantes de um concílio gozam de especial assistência do Espírito Santo: ‘Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós [...]’ (At 15,28)”, escreve Dom Henrique. 
João XXIII não acompanhou o transcorrer nem a conclusão daquele que é considerado um dos maiores eventos católicos até hoje. Ele morreu na noite do dia 3 de junho de 1963.
Em 21 de junho do mesmo ano, foi eleito Sumo Pontífice o Cardeal Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI. Foi ele quem deu continuidade ao Concílio e o concluiu em 8 de dezembro de 1965.
Na cerimônia de conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, o Papa Paulo VI leu a Carta Apostólica In Spiritu Sancto que encerrava o evento. “Mandamos também e ordenamos que tudo quanto foi estabelecido conciliarmente seja observado santa e religiosamente por todos os fiéis, para glória de Deus, honra da santa mãe Igreja, tranquilidade e paz de todos os homens”, afirma um trecho da carta.
André Alves
Portal Canção Nova

domingo, 13 de abril de 2014

Quem sou eu diante do meu Senhor?


O Papa Francisco deu início neste domingo aos ritos da Semana Santa, com a procissão de ramos, dia em que a Igreja recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. E o fez entre ramos de oliveiras e palmas, trazidas por milhares de fiéis que vieram até a Praça São Pedro para participar da celebração eucarística. É o início da festa cristã que, ao longo de toda a semana e com diversos atos litúrgicos, celebrará a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

Na procissão pelo interior da Praça São Pedro, que deu início à celebração eucarística, Francisco foi precedido por jovens da Diocese de Roma e de todos os continentes, por cerca de 100 sacerdotes, bispos e cardeais que concelebram a Santa Missa. 

Cerca de 3 mil ‘parmureli’ – folhas novas brancas de palmeira tramadas – foram usadas na Praça São Pedro. Seguindo uma antiga tradição, estes trabalhos artesanais com valor religioso e também ornamental, foram enviados de San Remo e de Bordighera, região da Ligúria, e foram entregues ao Santo Padre, aos Cardeais, Bispos e fiéis presentes na cerimônia.

A ‘parmurelu’ que foi entregue ao Papa Francisco foi entrelaçada com três folhas de palmeira unidas, simbolizando a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. A obra foi confeccionada nos dias passados na Cooperativa ‘Il cammino’, junto aos outros 3 mil exemplares de dimensões menores, todos entrelaçados segundo a tradição da Ligúria. 

Francisco também usou um báculo de madeira, trabalhado de um tronco de oliveira, doado por um grupo de detentos da Casa de Detenção de Sanremo, noroeste da Itália, que estão sendo acompanhados por uma cooperativa fundada pelo bispo daquela Diocese, Dom Antonio Suetta. 

Também neste domingo a Igreja celebra a Jornada Mundial da Juventude em nível diocesano. No encerramento da celebração a entrega por jovens brasileiros, dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude – a Cruz da redenção e o Ícone de Nossa Senhora – aos jovens poloneses. Recordamos que a próxima JMJ com a presença do Santo Padre será em Cracóvia, em 2016.

O Papa deixou de lado a sua homilia escrita e improvisou uma profunda reflexão recordando os personagens descritos na leitura do Evangelho deste domingo. O Papa pediu um exame de consciência a todos os fiéis, e com qual personagem nos identificamos.

Esta semana tem início com a procissão alegre com os ramos de oliveira – disse o Papa -: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os jovens cantam, louvam a Jesus. Mas esta semana vai avante no mistério da morte de Jesus e da sua ressurreição. Ouvimos as palavras da Paixão do Senhor. Então o Papa faz uma pergunta:

Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu, diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Eu sou capaz de expressar a minha alegria, de louvá-lo? Ou me distancio? Quem sou eu, diante de Jesus que sofre? Ouvimos muitos nomes: muitos nomes. O grupo de líderes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns mestres da lei que tinham decidido matá-lo. Eles estavam esperando a oportunidade para prendê-lo. 

E o Papa continua as suas perguntas:

Eu sou como um deles? Também ouvimos outro nome: Judas. 30 moedas. Eu sou como Judas? Ouvimos ainda outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que se adormentavam enquanto o Senhor sofria.

A minha vida está adormentada? Ou sou como os discípulos, que não entendiam o que significava trair Jesus? Como aquele discípulo que queria resolver tudo com a espada: eu sou como eles? 

Eu sou como Judas, que finge amar e beija o Mestre para entregá-lo, para traí-lo? Eu sou um traidor? Eu sou como os líderes que, com pressa, fazem o tribunal e procuram falsos testemunhos: Eu sou como eles? E quando eu faço essas coisas, se eu as faço, acredito que com isso salvo o povo?

Francisco continua com as suas perguntas em meio a uma Praça silenciosa e reflexiva. 

Eu sou como Pilatos que, quando vejo que a situação está difícil, eu lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar - ou condeno eu - as pessoas? Eu sou como aquela multidão que não sabia bem se se encontravam em uma reunião religiosa, ou num processo ou em um circo, e escolhe Barrabás? Para eles é a mesma coisa: era mais divertido humilhar Jesus.
Eu sou como os soldados que batem no Senhor, cospem n’Ele, O insultam, se divertem com a humilhação do Senhor? Eu sou como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, mas ele teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz ? Eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz de Jesus e zombavam d’Ele: “Mas ... tão corajoso! Desça da cruz, e nós vamos acreditar n’Ele”. O insulto a Jesus ... Eu sou como aquelas mulheres corajosas, e como a Mãe de Jesus, que estavam ali, sofrendo em silêncio? 

Eu sou como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para sepultá-lo? Eu sou como essas duas Marias que permanecem na porta do sepulcro, chorando, rezando? Eu sou como esses líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Mas, olha ele dizia que iria ressuscitar; que não seja mais um engano”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora? Onde está meu coração? 
E o Papa conclui: “A qual dessas pessoas eu me assemelho? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana.


Texto proveniente do site da Rádio Vaticano

Liturgia do domingo de Ramos e da Paixão do Senhor




 
DOMINGO DE RAMOS E

DA PAIXÃO DO SENHOR




PRIMEIRA LEITURA (Is 50,4-7)


Leitura do Livro do profeta Isaías:
4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás.

6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


RESPONSÓRIO (Sl 21)


— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me veem,/ torcem os lábios e sacodem a cabeça:/ ao Senhor se confiou, ele o liberte/ e agora o salve, se é verdade que ele o ama!

— Cães numerosos me rodeiam furiosos/ e por um bando de malvados fui cercado./ Transpassaram minhas mãos e os meus pés/ e eu posso contar todos os meus ossos.

— Eles repartem entre si as minhas vestes/ e sorteiam entre eles minha túnica./ Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,/ ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos/ e no meio da assembleia hei de louvar-vos!/ Vós, que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,/ glorificai-o, descendentes de Jacó,/ e respeitai-o, toda a raça de Israel!


SEGUNDA LEITURA (Fl 2,6-11)


Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:
6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.

9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


EVANGELHO (Mt 27,11-54)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo,11Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:
Ass.: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador 1: Jesus declarou:
Pres.: “É como dizes”.
Narrador 1: 12E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. 13Então Pilatos perguntou:
Leitor: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?”
Narrador 1: 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão reunida:
Ass.: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?”
Narrador 2: 18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja.19Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:
Mulher: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele”.
Narrador 2: 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a perguntar:
Ass.: “Qual dos dois quereis que eu solte?”
Narrador 2: Eles gritaram:
Ass.: “Barrabás”.
Narrador 2: 22Pilatos perguntou:
Leitor: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?”
Narrador 2: Todos gritaram:
Ass.: “Seja crucificado!”
Narrador 2: 23Pilatos falou:
Leitor: “Mas, que mal ele fez?”
Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força:
Ass.: “Seja crucificado!”
Narrador 1: 24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:
Leitor: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!”
Narrador 1: 25O povo todo respondeu:
Ass.: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.
Narrador 1: 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. 27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele.
Ass.: 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho;
Narrador 1: 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:
Ass.: “Salve, rei dos judeus!”
Narrador 2: 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça.31Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. 32Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”.
Narrador 1: 34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando guarda. 37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
Ass.: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.
Narrador 1: 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. 39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
Ass.: 40”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Narrador 2: 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus:
Ass.: 42”A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”.
Narrador 1: 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:
Pres.: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”
Narrador 1: Que quer dizer:
Pres.: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Narrador 1: 47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
Ass.: “Ele está chamando Elias!”
Narrador 1: 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros, porém, disseram:
Ass.: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”
Narrador 1: 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. (Todos se ajoelham.)
Narrador 2: 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:
Ass.: “Ele era mesmo Filho de Deus!”
Narrador 1: Palavra da Salvação.
Ass.: Glória a vós, Senhor!


REFLETINDO A PALAVRA

“BENDITO O QUE VEM


EM NOME DO SENHOR”

Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.


SEGUINDO COM ALEGRIA CRISTO
Celebramos o início da Semana Santa com a preparação ao Tríduo Pascal de Jesus no qual celebramos a Ceia, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. O Domingo de Ramos é uma síntese deste mistério mostrando a Paixão e a Glória de Jesus. A liturgia destes dias tem origem em Jerusalém como podemos ler no “Diário de Etéria”, escrito do final do século IV (380), que testemunhou esta liturgia. Esta tem caráter geográfico e é celebrada onde aconteceram os fatos. Os evangelistas narram que Jesus veio de Betfagé, no Monte das Oliveiras. Este monte é um local bíblico de grande importância. Ali iniciou sua caminha final para a realização do desígnio do Pai. Ele é o grande rei que vem tomar posse de sua cidade (Sl 47,3). Apresenta-se na humilde, como diz Zacarias (Zc 9,10). O povo O acolhe e coloca-Lhe mantos para que Ele passe. É uma entrada gloriosa. Jesus aceita a glorificação do povo, mas a assume como serviço. Até hoje, a sofrida Igreja de Jerusalém faz esta caminhada festiva. As orações da celebração conduzem os fiéis a perceberem que a caminhada continua até à Jerusalém Celeste. Esta glória prenuncia a glória da Ressurreição.  O sofrimento de Cristo não é um fim de tudo, pois Deus não O abandona no poder da morte, como anuncia Pedro no dia de Pentecostes (At 2,31). A celebração lembra que não podemos parar na morte. A liturgia de hoje ensina que Cristo continua entrando para ser acolhido. O povo O aclama. A palavra “Hosana” significa – salvai-nos!  Ele é rei aclamado até na cruz: rei dos judeus. A antífona diz que as crianças cantavam. Infelizmente calaram a boca das crianças na Igreja. O altar deve continuar a ser o colo da mãe Igreja para as crianças.

EXEMPLO DE HUMILDADE
A Paixão é o momento em que Cristo imprime em si com mais grandiosidade nossa humanidade realizando em Sua vontade humana a vontade Divina. A segunda leitura, que é um hino da Igreja primitiva, é uma profissão de fé em Jesus sofredor e glorioso. É o processo de transfiguração da humildade à glória. O homem foi feito imagem e semelhança de Deus. Na Encarnação que culmina na Paixão, Ele se faz imagem e semelhança do homem escravo do pecado, servo sofredor na morte vergonhosa da cruz. Por isso Deus o superexaltou. O nome que está acima de todo nome é a Sua Divindade. O próprio nome de Jesus revela o Pai, Deus é salvação. Ele foi o cordeiro mudo. Humilha-se e tem confiança no socorro de Deus. Como o Servo sofredor, cantado por Isaias (Is 50,4-7) ouve a voz de Deus e tem consciência de sua missão. Jesus em Seu sofrimento ouve a vontade do Pai. Ensina-nos que a humildade é estar aberto a Deus cada manhã.

NÃO CALAR A VOZ DO POVO
A entrada de Jesus em Jerusalém foi um momento em que o povo pôde soltar a voz e acolher Jesus como o Messias: “Bendito o que vem em nome do Senhor”... “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia” (Mt 21,9.13). O povo escolhe quem o salva. Não se pode dizer que na Sexta-Feira o mesmo povo o condena. Podemos dizer que será ele a acolher as Palavras de Pedro no dia de Pentecostes. Deus está do lado do povo e o leva a manter-se de cabeça erguida e ter autonomia de sua consciência. Deus abre seus ouvidos para ouvir Sua voz. Como o Servo, aprende com o sofrimento a confortar os que sofrem. O povo é solidário e socorre os abatidos. Por isso resiste com a cabeça erguida. É pacífico e tem confiança que seu sofrimento não é o fim, mas a passagem para a Glória.


ORAÇÃO

                             
Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Amém!