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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Correio MFC Brasil

“A fome é criminosa!”
(Do discurso do papa Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano)

No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sofrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais.
A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção.
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A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome.
Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo.
A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300).                                              


Oremos.
Que a Paz proclamada no Natal seja verdadeiramente conquistada no mundo e permaneça em cada dia de nossas vidas.
Amém


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A criatividade é a dinâmica do próprio universo. Seu estado natural não é a estabilidade mas a mutação criativa. Tudo é fruto da criatividade natural ou humana.
A Terra é fruto de uma Energia criadora, misteriosa e carregada de propósito que atua já há 13,7 bilhões de anos.

Homens e mulheres:
novas relações criativas              
http://www.libertas.com.br/libertas/wp-content/uploads/2014/05/2014_04_15_21_43_38_leonardo_boff2.jpg Leonardo Boff
Um dia, um peixe primitivo, "decidiu”, num ato criador, deixar a água e explorar a terra firme. Desse ato criativo, vieram os anfíbios, em seguida os répteis, depois os dinossauros, as aves, os mamíferos e por fim os seres humanos, portadores de consciência e de inteligência.
Se não estivéssemos sob a ação desta criatividade, nunca teríamos chegado até aqui. Detenhamo-nos, por um momento, num tipo de criatividade, aquela na relação homem-mulher, ponto central nas discussões atuais na Igreja que se propôs debater as questões da família e da sexualidade.
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Sabemos que há dez mil anos, a história foi marcada pelo patriarcado. Este representou uma via-sacra de sofrimento para todas as mulheres. Mas o que foi construído historicamente pode ser também historicamente desconstruído.
É o que está ocorrendo. Essa é a esperança subjacente nas lutas das mulheres oprimidas e de seus aliados entre os homens, esperança de um novo patamar de civilização não mais estigmatizado pela dominação do homem sobre a mulher.
Mais e mais homens e mulheres são definidos não a partir de seu sexo biológico ou fator cultural, mas a partir do fato de serem pessoas. Entendemos aqui por pessoa todo aquele ou aquela que se sente dono de si e que exercita a liberdade para plasmar sua própria vida. A capacidade de autoprodução em liberdade (autopoiesis) é a suprema dignidade do ser humano que não deve ser negada a ninguém.
Depois do reconhecimento da pessoa como pessoa, decisivos são os valores da cooperaçãoe da democracia como valor universal no sentido da participação na vida social, da qual as mulheres historicamente foram alijadas.
A ausência desses valores ajudou a consolidar a dominação e a subordinação histórica das mulheres. Hoje é pela cooperação de ambos, numa ética da solidariedade e do cuidado mútuos, que se construirão relações inclusivas e igualitárias.
cooperação supõe confiança e respeito mútuo numa atmosfera onde a coexistência se funda no amor, na proximidade, no diálogo aberto como tem insistido e mostrado o Papa Francisco.
Bem enfatizava o grande biólogo chileno Humberto Maturana: a permanência do patriarcalismo e do machismo representa a tentativa de regressão a um estágio pré-humano que nos remete ao nível dos chimpanzés, societários mas dominadores.
Por isso que a luta pela superação do patriarcalismo é uma luta pelo resgate de nossa verdadeira humanidade. Mulheres pelo fato de serem mulheres, ainda hoje, mesmo nos países ricos, recebem menor salário fazendo o mesmo trabalho. E elas compõem mais da metade da humanidade.
democracia participativa e sem fim, fundamentalmente, quer dizer participação, sentido do direito e do dever e senso de corresponsabilidade. Antes de ser uma forma de organização do Estado, a democracia é um valor a ser vivido sempre e em todo o lugar onde seres humanos se encontram. Essa democracia não se restringe apenas aos humanos mas se abre aos demais seres vivos da comunidade biótica, pois se reconhece neles um valor intrínseco e por isso direitos e dignidade. A democracia integral possui, pois, uma característica sócio-cósmica..
A superação da ancestral guerra dos sexos e das políticas opressivas e repressivas contra a mulher se dá na mesma proporção em que se introduz e se pratica a democracia real e cotidiana. Foi em nome desta bandeira que a grande escritora e feminista Virgínia Wolff (1882-1941) podia proclamar: "Com mulher não tenho pátria, como mulher não quero pátria, como mulher minha pátria é o mundo inteiro”.
A luta contra o patriarcado supõe um reengendramento do homem. Seguramente nessa tarefa ele não conseguiria dar o salto de qualidade sozinho e por si mesmo. Daí ser importante a presença da mulher ao seu lado. Ela poderá evocar nos homens o feminino escondido sob cinzas seculares (o cuidado, a cooperação, o poder como serviço, etc.). Ela poderá ser co-parteira de uma nova relação humanizadora.
O primeiro a se fazer é privilegiar os laços de interação mútua e a cooperação igualitária entre homem e mulher. Aqui se impõe um processo pedagógico na linha de Paulo Freire: ninguém liberta ninguém, mas juntos, homens e mulheres, se libertarão num exercício partilhado de liberdade criadora. A partir deste novo contexto devem-se recuperar aqueles valores considerados antigos e próprios da socialização feminina, mas que agora devem ser gritados aos ouvidos dos homens e junto com as mulheres procurar vivê-los.
Trata-se de um ideal humanitário para ambos. Permito-me resgatar alguns:
- As pessoas são mais importantes que as coisas. Cada pessoa deve ser tratada humanamente e com respeito.
- A violência jamais é um caminho aceitável para a solução dos problemas.
- É melhor ajudar do que explorar as pessoas, dando atenção especial aos pobres, aos excluídos e às crianças.
- A cooperação, a parceria e a partilha são preferíveis à concorrência, à autoafirmação e ao conflito.
- Nas decisões que afetam a todos, cada pessoa tem o direito de dizer a sua palavra e ajudar na decisão coletiva.
- Estar profundamente convencido de que o certo está do lado da justiça, da solidariedade e do amor e de que a dominação, a exploração e a opressão estão do lado do errado.
Outrora tais valores, tidos exclusivamente como femininos, foram manipulados pela mentalidade patriarcal para manter as mulheres subordinadas e dóceis.
Hoje, com a mudança do quadro do mundo e da sociedade, tais valores são aqueles que estão no centro do novo tipo de relação homem-mulher.
É no exercício dessa mutualidade e reciprocidade paritária que ambos estão se humanizando.
As cinco primeiras colocadas na lista da Forbes são Angela Merkel, Janet Yellen, Melinda Gates, Dilma Rousseff e Christine Lagarde (Foto: AP)
A pesquisa da Forbes neste ano apontou as cinco mulheres mais poderosas na política mundial
*Leonardo Boff escreveu com Rose-Marie Muraro Feminino-masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças, Record 2002,]


Só haverá um professor se um aluno assim o reconhecer, e um pai, se houver um filho. Já dizia Sartre: “O outro guarda um segredo: a minha identidade”. E Maturana afirma que o conhecimento é um presente do outro. Somos quem somos porque alguém assim nos reconhece.
Família, espaço privilegiado de formação

Deonira L Viganó La Rosa
Terapeuta de Casal e de Família. Mestre em Psicologia.
Com frequência, falamos como se a identidade de alguém fosse uma propriedade permanente e estrutural. Mas não, a identidade resulta de uma dinâmica relacional. As características de um organismo qualquer resultam de uma história de interações... Por isso a identidade de cada um de nós nunca está completa, constrói-se durante uma vida.  O verbo “individuar” é extremamente rico em sentido.
Todos nos tornamos humanos no convívio com outros humanos. É dentro de uma rede social que construímos a imagem que temos de nós mesmos.
Mas qual é o “outro” por excelência, quais são estes “outros” que vêm em primeiro lugar e com os quais nos relacionamos desde nossa concepção? Com certeza nossa mãe, nosso pai, nossos irmãos e familiares. Em uma palavra, é a Família, seja ela qual for, o primeiro espaço, o primeiro ambiente onde vamos dar início à formação de nossa identidade e do cidadão que seremos no futuro. A família é o espaço indispensável para nossa saúde física, psicológica e mental.Cabe à família, ainda que esteja em constante transformação, tornar humano cada membro que nasce. Tornar este humano um cidadão consciente, ético e responsável.
A família ainda é, e nunca deixará de ser, o lugar privilegiado de crescimento, desenvolvimento de valores, afetos e emoções responsáveis por estruturar os indivíduos e, por fim, a sociedade. E esta proposta é mais séria do que se pensa.
Um importante pré-requisito para o casamento é que homem e mulher tenham um grau de maturidade emocional, pelo menos suficiente, para uma convivência saudável, capaz de administrar conflitos com o menor estresse possível.
Homem e mulher, ao decidirem ter filhos, precisam estar dispostos a assegurar a sobrevivência dos novos seres, através do cuidado. Nutri-los afetivamente, pois o alimento afetivo é tão indispensável ao ser humano quanto o são o oxigênio que respira e a água e nutrientes orgânicos que ingere.
Ser capaz de fazer do ambiente familiar um ambiente acolhedor para as ansiedades existenciais dos filhos durante seu processo evolutivo.
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Pais preparados sabem ainda que a função normativa da família pede-lhes que estabeleçam limites aos filhos, e que a função educadora lhes exige que proporcionem aos filhos a vivência de valores éticos, religiosos e culturais. Pais responsáveis não abrem mão desta missão.
Não há como entender e administrar as complexas relações que permeiam a família, sem conhecimento, sem maturidade emocional e capacidade de troca, sem empenhar seu tempo com os filhos.   Sem preparo.
Dificuldades sempre aparecerão. Convém pensar as relações familiares não tão somente da ótica da moral imperante, mas também dos sofrimentos subjacentes a ela. Um modelo familiar utópico jamais pode ser um fator de discriminação de alguma família. Tampouco pode levar-nos a negar seus conflitos e dificuldades para poder apresentá-la mais parecida a um “modelo idealizado” de família.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Doação de Sangue - MFC Macapá

Amigos MeFeCistas,

O estado de saúde do garotinho Felipe Guimarães (2 anos) de Macapá, ainda  requer muita atenção.
Ele está internado no Hospital Nossa Senhora das Graças a mais de 2 meses e necessita de doações de sangue (Granulócitos).

Os nossos amigos que possuem sangue tipo O+ e O- e que estiverem em boas condições de saúde, compareçam no Instituto Pasquino (Rua Alcides Munhoz, 433, Mercês, anexo ao Hospital Nossa Senhora das Graças). Mais informações pelo telefone (41) 3240-6578 – Falar com Leonardo.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Liturgia do 3º domingo do Advento

  
   
3º DOMINGO DO ADVENTO
14/12/2014





PRIMEIRA LEITURA
(Is 61,1-2a.10-11)


Leitura do Livro do Profeta Isaías:
1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; 2apara proclamar o tempo da graça do Senhor.

10Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias.

11Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


RESPONSÓRIO (Lc 1,46ss.)


— A minh’alma se alegra no meu Deus.

— A minha alma engrandece ao Senhor,/ e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,/ pois ele viu a pequenez de sua serva,/ desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.

— O Poderoso fez por mim maravilhas./ E Santo é o seu nome!/ Seu amor, de geração em geração,/ chega a todos que o respeitam.

— De bens saciou os famintos,/ e despediu os ricos sem nada./ Acolheu Israel, seu servidor,/ fiel ao seu amor.


SEGUNDA LEITURA (1Ts 5,16-24)


Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:
Irmãos: 16Estai sempre alegres! 17Rezai sem cessar. 18Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.

19Não apagueis o espírito! 20Não desprezeis as profecias, 21mas examinai tudo e guardai o que for bom. 22Afastai-vos de toda espécie de maldade! 23Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois — espírito, alma e corpo — seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! 24Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


EVANGELHO (Jo 1,6-8.19-28)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz. 19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”

20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”.

21Eles perguntaram: “Quem és então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És profeta?” Ele respondeu: “Não”.

22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.

24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”

26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.

28Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


HOMILIA
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília


O terceiro Domingo do Advento é denominado Domingo “Gaudete” ou “Domingo da Alegria”. A palavra latina “gaudete” é tomada da antífona de entrada da missa, “Gaudete in Domino”, isto é, “Alegrai-vos no Senhor”, extraída da Carta de S. Paulo aos Filipenses (Fl 4,4s), que se completa com a afirmação “O Senhor está perto”, indicando a razão de ser dessa alegria. Na liturgia deste domingo, pode-se utilizar a cor rósea para melhor exprimir a alegria que acompanha a espera do Senhor. As leituras proclamadas manifestam também o motivo deste convite à alegria, no Advento. A missão proclamada pelo profeta Isaías se realiza plenamente em Jesus, o Messias: “proclamar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos, proclamar o tempo da graça do Senhor” (Is 61,1-2). O cumprimento dessa missão é fonte de alegria: “exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus”, proclama o profeta. O convite à alegria encontra-se também na Primeira Carta aos Tesssalonicenses: “Irmãos, estai sempre alegres!” (1Ts 5,16). Com Maria, mãe do Salvador e nossa Mãe, cantamos o Magnificat como Salmo responsorial deste domingo, reconhecendo “o amor de Deus” que se estende “de geração em geração”, realizando “maravilhas” em sua vida e na vida “dos que o respeitam”.

Entretanto, a alegria cristã deve ser acompanhada da conversão e do crescimento na vida nova em Cristo. Afirma S. Paulo: “Rezai sem cessar. Daí graças em todas as circunstâncias... Afastai-vos de toda espécie de maldade!” (1Ts 5,17.22), recordando que é Deus quem nos “santifica totalmente”, de modo que tudo o que somos “seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (5,23).

O Evangelho nos mostra o “testemunho” de João Batista motivando-nos à conversão, através da humildade, da verdade e da coragem, por ele demonstradas diante dos sacerdotes e levitas que o questionavam. “Ele confessou e não negou” (Jo 1,20). Necessitamos hoje testemunhar publicamente a nossa fé, imitando a humildade e a firmeza de João Batista, jamais negando Jesus Cristo, seja por palavras, seja pelo nosso modo de agir.

Em todo o Brasil, estamos vivendo a Campanha para a Evangelização. Além da oração e da participação nas iniciativas pastorais da Igreja, somos convidados a participar, neste domingo, da Coleta Nacional para a Evangelização. Trata-se de um gesto muito importante de comunhão e partilha, pois a coleta é destinada à promoção e à manutenção da evangelização na Arquidiocese e em todo o Brasil.


ORAÇÃO

                             
Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da Salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia. Amém!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Correio MFC Brasil

Mensagem para Dia Mundial da Paz
Papa condena escravidão


Francisco pensa na realidade de pessoas submetidas a várias formas de escravidão moderna / Foto: L'Osservatore RomanoFrancisco pensa na realidade de pessoas
submetidas a várias formas de escravidão moderna

Francisco pede leis justas e esforço comum para acabar com a escravidão à qual milhões de pessoas ainda são submetidas

O Vaticano publicou a mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1ª de janeiro de 2015. No texto, que tem como tema “Já não escravos, mas irmãos”, o Pontífice aborda as causas da escravidão bem como as formas de solucioná-la, o que envolve um esforço comum para globalizar a solidariedade.
O Papa diz que a sociedade conhece a escravidão há muito tempo, tendo passado por períodos em que o fenômeno foi admitido e até regulamentado. E embora hoje a liberdade de cada pessoa tenha sido reconhecida no direito internacional, milhões de pessoas continuam privadas desse direito e vivem em condições semelhantes à da escravidão.
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Como exemplo, o Pontífice cita trabalhadores escravizados em diversos setores, migrantes que sofrem com condições desumanas, pessoas submetidas à prostituição, mulheres forçadas a se casar, menores e adultos que são objeto de tráfico de pessoas e de órgãos, bem como nos que são sequestrados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas.
As causas da escravidão também são citadas pelo Papa na mensagem: pobreza, subdesenvolvimento exclusão, falta de acesso à educação, escassez ou inexistência de emprego, conflitos armados, criminalidade e o terrorismo. O Pontífice não deixa de mencionar como causa pessoas corruptas que estão dispostas a tudo para enriquecer.
“Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros atores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares”.
Apesar da indiferença que perpassa esse fenômeno, o Pontífice lembra o trabalho silencioso de muitas congregações religiosas em prol das vítimas. Ele defende que, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, é preciso um esforço comum de toda a sociedade para vencer a escravidão.
“Os Estados deveriam vigiar para que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adoções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa”.
Francisco pede ações de fraternidade em prol dos que são mantidos em estado de servidão, mesmo que seja com pequenos gestos no cotidiano, como oferecer um sorriso a uma pessoa que pode estar vivendo essa realidade.
“Lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo”.
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Francisco reza para que as pessoas saibam resistir à tentação de se comportar de forma não digna de sua humanidade. Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa já havia mencionado o respeito à dignidade, liberdade e autonomia do homem como aspecto fundamental para o seu desenvolvimento.
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O Movimento Familiar Cristão assume uma missão profética de levar o evangelho às famílias, em seu contexto vivido diante das injustiças, violação dos direitos humanos e exclusão social, que ameaçam a vida em toda a sua extensão.

Missão profética
Jorge Leão*
Sobre a atuação com os jovens, o Brasil está caminhando para um trabalho de maior envolvimento com os grupos existentes. O crescimento e o maior compromisso em assumir esta causa tem possibilitado um diálogo mais estreito entre os diversos grupos existentes no MFC. Ainda precisamos, entretanto, avançar a nucleação, sobretudo em realidades de difícil acesso.
O contexto sociopolítico e econômico em que vivemos atualmente envolve muitos desafios, dentre eles como atuar de modo transformador em um estado de grave crise global de valores éticos e culturais. Este constitui o grande desafio do caminhar dos jovens em seu protagonismo eminente. A economia de mercado, voltada para o enriquecimento das grandes corporações transnacionais, traz como impacto socioambiental uma lastimável condição de agressões globais e aumento da miséria e do desemprego, fabricados sobretudo pela máquina de exclusão social que se constitui o processo de mundialização do capitalismo. Como afirma Santos (2002, p. 23), "a globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista".
Diante deste panorama, como colocar-se a partir da máxima evangélica: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância" (Jo 10, 10)? Em nossas comunidades, como é possível observar a negação da vida? E os processos de afirmação? Falar em protagonismo da juventude implica, pois, em assumir a missão de anunciar a vida e denunciar o mecanismo de empobrecimento a que estão sujeitas as famílias latino-americanas, assim também como em outras regiões do globo, que sofrem o mesmo processo de massacre econômico.
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Devemos lutar por um mundo justo, e tal decisão nos exige renunciar a todo fator desagredador da vida plena, como a busca exacerbada pelo ter, o consumismo, a violência no campo e nas cidades e a exploração do trabalho humano pela máquina capitalista. Segundo Boff, "o modelo de sociedade e o sentido de vida que os seres humanos projetaram para si, pelo menos nos últimos 400 anos, estão em crise".
Diante deste diagnóstico, trata-se de levantar com urgência a causa preferencial por aqueles que permanecem excluídos, sem voz e vez, diante de um projeto cujo único empenho tem sido o acúmulo de bens materiais nas mãos de aproximadamente 20% da população mundial, enquanto os outros 80% permanecem fora do processo de repartição desigual da riqueza produzida. A frase memorável de Gandhi nunca esteve tão atual: "a terra é suficiente para todos, mas não para a voracidade dos consumistas".
Os compromissos que devemos assumir se alicerçam no fundamento evangélico do amor: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15, 12). Desse modo, o primeiro passo deve ser estar em sintonia com o mandamento incondicional do amor, pois, de maneira irrestrita, ele abraça a todos e a todas de maneira única, não fazendo distinção de etnia, credo, sexo, condição social, ideologia etc.
O desafio da "centralidade do amor" (Boff, 2003, p. 105), nos lança para a perspectiva do encontro, como princípio fundamental de nossa ação comunitária. Vale ressaltar a reflexão do filósofo contemporâneo Hans Jonas: "age  de tal maneira que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana".
Por consequência, julgar a realidade à luz do evangelho significa acolher e abraçar o diferente, como proclama a parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 29-37). O pilar de toda ética é o movimento da liberdade humana no mundo. Somos livres para decidir que rumo tomar. O que justifica o samaritano não é sua condição enquanto próximo do homem caído, mas vê-lo como seu semelhante.
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Este é o risco de assumir a causa do empobrecido, caído, marginalizado, esquecido, discriminado. Acolher o outro como ele é, não como nós projetamos que ele seja.
Ser jovem missionário é por isso compreender o porquê de sua missão no mundo. Como Jeremias (cf. Jr 1, 4-12), sentir-se chamado é abraçar a voz do alto como projeto de mudança pessoal e cósmica. A caminhada impõe da vida a via da adesão. A força do amor constitui o alimento diário, por isso vale a pena entregar-se ao chamado de Deus.
Se queremos ver um mundo transformado pelo amor, é preciso que nos lancemos ao projeto de Deus, que é a implantação de uma nova terra, alimentada pelo sonho do pão partilhado, fruto da justiça. Esta opção traz consequências ao nosso caminho. Corresponde à utopia de Isaías (cf. Is 65, 25), em que "o lobo e o cordeiro pastarão juntos".
O mundo materialista em que vivemos não aceita este caminho. De um mundo amparado pela hipertrofia do individualismo, somente a revolução do amor reverterá a situação em que nos encontramos, pois não é projeto de Deus o sofrimento de seus filhos, causado pelos males da concentração de riqueza nas mãos de poucos. O egoísmo está na raiz do pecado social de que é vítima grande parte da humanidade no mundo de hoje.
Por isso, nosso compromisso é assumir a causa da justiça. Sem ela, qualquer movimento, inclusive a caminhada das igrejas e do MFC, perdem seu sentido maior de ser no mundo. Na história, com o povo em comunhão, o processo da justiça passa a ser uma realidade. Como bem nos lembra Boff, "tal utopia deve realizar-se num processo histórico que tente dar corpo ao sonho e construir passo a passo os mil passos que o caminho exige".
*Professor de filosofia, membro do MFC de São Luiz, MA.


É uma novidade cuja importância simbólica não é nada insignificante. O Papa Francisco autorizou as comunidades católicas orientais espalhadas em diáspora (isto é, fora do seu berço no Oriente Médio) a poderem dispor de padres casados.
Papa autoriza padres casados orientais no Ocidente

Padre anglicano casado convertido
ao catolicismo e sua família
Até agora, Roma obrigava essas comunidades da diáspora (maronitas, caldeus, melquitas etc.) a recorrerem a padres celibatários das suas respectivas Igrejas, já que se encontram em territórios onde só existem padres celibatários na Igreja (EuropaOceaniaAmérica e África).
Assim, o papa acaba com a ideia de que, no Ocidente, não é oportuno que os fiéis das Igrejas católicas de rito latino "vejam" padres casados entre os seus irmãos católicos das Igrejas orientais. A decisão do papa foi tomada no dia 13 de dezembro de 2013, em uma audiência com o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, mas foi posta por escrito apenas no dia 14 de junho de 2014.
Ela põe fim em uma longa polêmica que começou em torno de 1880 nos Estados Unidos. Na época, os bispos católicos latinos haviam se insurgido contra a presença de padres casados entre os emigrados da Igreja católica rutena (da Ucrânia ocidental), e isso havia levado à sua proibição em 1890, depois à proibição categórica de ordenar homens casados naquela Igreja, em 1930. Em seguida, 200 mil fiéis passaram para a Igreja Ortodoxa.
Paralelamente, um decreto romano de 1929 proibira a presença de padres casados em todas as Igrejas orientais na América do Norte e do Sul, no Canadá e na Austrália, e a medida havia se estendida ao território da Europa ocidental.
Nestes últimos anos, o problema havia surgido novamente na Congregação para as Igrejas Orientais e também na Congregação para a Doutrina da Fé, como explica o decreto publicado em junho passado, que cita a possibilidade de exceções, permitidas por vontade de Bento XVI.
Com efeito, as Igrejas não tinham mais os meios para fornecer padres celibatários às suas respectivas diásporas. A questão havia sido abordada durante o Sínodo para o Oriente Médio em 2010, em especial mediante o arcebispo de ParisAndré Vingt-Trois, que pedia um abrandamento da prática.
No seu decreto de 14 de junho de 2014, o cardeal prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais especifica que a situação também devia evoluir por causa das novidades introduzidas pelo motu proprio Anglicanorum Coetibus de 2009, que autorizava, nos territórios das Igrejas latinas, a presença de ordinariatos (diocese não territoriais) onde atuam padres casados convertidos do anglicanismo que foram ordenados padres católicos.
Assim, tornava-se impossível continuar legitimando a não presença de padres casados em territórios canônicos "latinos".Pode-se interpretar essa decisão de Francisco como uma vontade de abrir o arquivo da ordenação de homens casados para a Igreja latina, não só ex-ministros do culto protestante ou anglicano (já são diversas centenas).
Em maio passado, o papa declarara que "a porta estava sempre aberta", quando ele tinha sido perguntado sobre o celibato dos

Com esposa e filho, padre casado convertido do anglicanismo para catolicismo
padres no avião que o trazia de volta da Terra Santa a Roma.
Segundo a interpretação mais plausível, não se trataria de autorizar os padres celibatários a se casarem, mas da possibilidade de ordenar homens casados de fé comprovada (viri probati), uma hipótese regularmente evocada.
Interrogado por um bispo brasileiro, no ano passado, o papa teria respondido que cabia à base fazer propostas a esse respeito. Uma visão coerente com a vontade do papa de dar às Igrejas locais uma autonomia doutrinal (cf. Evangelii gaudium, n. 35-37), mas que não prevê a ideia segundo a qual tal decisão deveria ser elaborada no nível da Igreja universal, por ocasião de um eventual Vaticano III ou no marco de um Sínodo romano.
(A reportagem é de Jean Mercier, publicada no sítio da revista La Vie, 18-11-2014.  A tradução é de Moisés Sbardelotto)