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segunda-feira, 31 de março de 2014

Correio MFC Brasil #355


As palavras desejam pousar. Querem fazer-se passar pela metamorfose das ações humanas. Elas movem o mundo, movem as pessoas, movem os professores e as escolas. Neste movimento das palavras, enriquecem-se os conceitos e os ideais de vida, de mundo e de humanidade.

Saber sem conviver?

Nei Alberto Pies*

Prazer maior não há do que compartilhar conquistas de um saber aprendido e apreendido, onde protagonizam educadores e educandos. O prazer maior nas relações de ensino-aprendizagem está na construção do conhecimento como algo útil, agradável e capaz de desencadear alegria e realização. Afinal de contas, para que serve o conhecimento senão para a felicidade?

Viver para a dignidade parece ser a razão maior de nossas vidas. Mas a dignidade humana só será conquistada por cada ser humano quando cada um e cada uma compreender sua condição de sujeito de direitos e for protagonista de sua história. É o que também podemos denominar emancipação. É por isso que uma cultura em e para os direitos humanos se faz com base na democracia, no respeito às nossas diferenças e na vivência cotidiana de nossos direitos. E a emancipação só virá acompanhada pela educação. Já disse Paulo Freire que “se a educação sozinha não transforma o mundo, sem ela nenhuma transformação acontecerá”.

Ações educativas verdadeiras apontam o caminho para que as palavras tomem assento na vida de cada um e cada uma de nós. Como diz Cecília Meireles “as palavras precisam pousar”. Elas precisam encontrar âncoras para seu pouso, pois “palavras voam, às vezes pousam”. Nem todas as palavras precisam pousar, interessa que pousem aquelas capazes de nos ensinar a viver melhor.

Sempre é tempo de aprender desaprendendo. Desaprender racionalidade para entender emoções e sentimentos. Desaprender preconceitos para construir conceitos mais significantes. Desaprender quem somos para perceber que sempre somos um quase-eu. Desfazer racionalidades para gentificar-se, através das nossas relações de amorosidade. Desaprender falar, para aprender a ouvir, no silêncio e na solidão de cada um.

Eduardo Galeano, em seu poema O Mundo, desafia a cada um e cada uma de nós, na sua condição de

sujeitos de sua história e de seres, na sua diferença. Conta em seu livro, “O livro dos abraços”, que “um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. - O mundo é isso – revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”.

Nossa fome de saber deve traduzir-se, na prática, como busca para transformar ideias em ações. Ações em favor da humanidade que existe em cada um, em nós e em todo mundo. A nossa fome de saber é, igualmente, fome de humanidade. E o segredo de conhecer está muito ligado à necessidade de conviver. O egoísmo de não conviver gera a incompreensão de nós mesmos e dos outros. E diminui as oportunidades de felicidade, matando o desejo latente de vida, vida que morre quando não é compartilhada

*Nei Alberto Pies é professor e ativista em direitos humanos.
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EDITORIAL

O papa consulta os cristãos da base

Helio Amorim

A iniciativa é inédita e surpreendente. A consulta circula mundo afora, com 39 perguntas, em sete idiomas. O tema é a família, seus problemas e esperanças, os questionamentos que circulam pelo mundo e exigem revisão de normas e posturas eclesiásticas para que prevaleça a caridade e o bom senso, mediante a compreensão da realidade humana, - pessoal, familiar e social, com visão nova.

Com a ajuda das ciências humanas e da pesquisa teológica, a Igreja vai revendo e reformulando velhas concepções e interpretações da vontade de Deus, revisando suas doutrinas, reformulando seus ensinamentos, modificando suas práticas, revogando proibições e punições - e pedindo perdão, como fez João Paulo II no início do seu papado, há três décadas. Em suma, submetendo-se à inspiração divina sempre presente, mas à qual tantas vezes a Igreja terá se fechado, ao longo dos tempos.

A postura repressora do passado ainda se abate sobre teólogos e leigos que contestam questões mal resolvidas na vida da Igreja. O celibato forçado dos sacerdotes, o casamento religioso, a participação na eucaristia e o reconhecimento da possível sacramentalidade da união de divorciados que voltam a se casar, o uso de contraceptivos que não aqueles equivocadamente chamados métodos naturais e outras orientações ou normas canônicas e pastorais que continuam sendo tratadas como questões fechadas e assim não admitem discussões, não obstante a inconsistência das bases teológicas que as sustentam.

Frente a esses questionamentos, a única reação da autoridade religiosa, em qualquer nível, sempre foi, ainda no passado recente, a ameaça de condenação, os expurgos, proibições de ensinar ou mesmo de falar em espaços controlados pela Igreja - nunca a análise franca e desarmada de argumentos e proposições inovadoras.

Seria interessante recordar, entretanto, o muito que tem mudado nas doutrinas e práticas da Igreja, não apenas nas grandes mudanças ocorridas ao longo de séculos, mas nos tempos de uma vida. Os mais idosos vão se recordar das normas e disciplinas que lhes eram impostas e ensinadas em sua adolescência e juventude, nos excelentes colégios católicos que frequentaram, e que não sobreviveram a duas gerações.

Assim, permaneceremos abertos ao muito que seguirá mudando nos próximos anos e décadas, permitindo-nos relativizar as "certezas" de ontem, que hoje já não se impõem. É claro que tudo o que se refere ao amor e à justiça, à humanização e à esperança cristã, à caridade e à solidariedade humana, permanecerá como essência da mensagem evangélica. O resto é dinâmico e evolutivo, criações humanas sob influxo da cultura, entendimentos provisórios, sujeitos a revisões em vista do avanço das ciências e da reflexão teológica que nenhum autoritarismo impedirá.
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Refletindo com Rubem Alves

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."

Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora.
Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino.
Quem não pode suportar a dor da separação, não está preparado para o amor. Porque o amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça.
Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.

Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".


Novidades da Nucleação


Na última sexta-feira (28), a nucleação do Movimento Familiar Cristão de Curitiba organizou uma reunião com as equipes-base Êxodo e Santa Terezinha, formadas após o 14° Encontro de Corações, na residencia do casal Antonio Carlos e Ângela.

Visando fortalecer os grupos, junto ao MFC Curitiba, a nucleação e os casais participantes optaram pela unificação das equipes Êxodo e Santa Terezinha em um único grupo.

Parabéns ao casal coordenador de Nucleação, Josevam e Rozely e toda sua equipe, pela iniciativa e pelo trabalho desenvolvido sempre em busca do fortalecimento do MFC Curitiba. Esta equipe é muito importante para a existência do Movimento Familiar Cristão.

domingo, 30 de março de 2014

Momento do Angelus - 30/03/2014

O Papa Francisco rezou neste domingo, 30, a oração mariana junto com os fiéis no Vaticano. Graças também ao dia ensolarado de primavera, a Praça São Pedro estava completamente lotada e o clima foi de grande alegria. Francisco apareceu às 12hs em sua janela desejando ‘bom domingo’ a todos e retribuindo com sorrisos o carinho das pessoas presentes.

O Pontífice fez uma alocução baseada no Evangelho do dia, de João, que conta o episódio do homem cego de nascença a quem Jesus doa a vista. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista não queria atrair a atenção para o milagre em si, mas para o que aconteceu depois, para a discussão que ele acarretou. 

Os ‘doutores da lei’ não acreditavam que o cego tivesse sido curado por Jesus. Interrogaram o homem e crivaram de perguntas seus pais, enquanto o cego curado se aproximou da fé. Esta foi a maior graça que Jesus lhe fez: não só a de ver, mas a de conhecê-Lo, Ele que é “a Luz do mundo”. 

Enquanto o cego se aproximava gradualmente da luz, os ‘doutores da lei’, ao contrário, caíam sempre mais na cegueira interior. Obtusos em sua presunção, acreditavam já ter a luz; e por isso, não se abriram à verdade de Jesus. Fizeram de tudo para negar a evidência, até conseguir expulsar o homem curado do templo, excluindo-o da sociedade”. 

O cego curado, por sua vez, não sabia nada de Jesus. Primeiramente O considerava um profeta e depois, um homem próximo de Deus. Mas depois de ser afastado do templo, Jesus o reencontrou e “abriu seus olhos” pela segunda vez, dizendo-lhe quem era. Àquela altura, ele exclamou: “Creio Senhor” e se ajoelhou diante de Jesus. 

O Papa admitiu que “a nossa vida, às vezes, parece com a do cego que se abriu à luz, a Deus e à sua graça. Mas às vezes, infelizmente, é como a dos ‘doutores da lei’: do alto de nosso orgulho, julgamos os outros, e até o Senhor!”. “A luz de Cristo, que nos foi dada no Batismo, nos ajude a nos comportarmos com humildade, paciência e misericórdia”, completou Francisco, dando uma sugestão:

Voltando a suas casas, peguem o Evangelho de João e leiam o capítulo 9. Fará bem a todos. E nos questionemos como está o nosso coração: aberto ou fechado a Deus e ao próximo?”.

“Sempre temos em nós algum ‘fechamento’ consequente do pecado, de nossos erros. Não tenhamos medo; abramo-nos à luz do Senhor, Ele nos espera sempre para nos perdoar, não nos esqueçamos!”. 

Após a sua reflexão, o Papa rezou a oração mariana e concedeu a todos os presentes a bênção apostólica. Em seguida, saudou os grupos credenciados e se despediu dos fiéis, como sempre, desejando 'bom domingo e bom almoço'. 



Texto proveniente do site da Rádio Vaticano 

Liturgia do 4° Domingo da Quaresma

  


4º DOMINGO DA QUARESMA
  


PRIMEIRA LEITURA (1Sm 16,1b.6-7.10-13a)

Leitura do Primeiro Livro de Samuel:
Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: 1bEnche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos. 6Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo “Certamente é este o ungido do Senhor!”

7Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.

10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?”

Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”.

12Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!”

13aSamuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 22)

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma./ Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Para as águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro,/ pela honra do seu nome./ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,/ nenhum mal eu temerei./ Estais comigo com bastão e com cajado,/ eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo;/ com óleo vós ungis minha cabeça,/ e o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me,/ por toda a minha vida;/ e, na casa do Senhor, habitarei/ pelos tempos infinitos.

SEGUNDA LEITURA (Ef 5,8-14)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:
Irmãos: 8Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. 9E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. 10Discerni o que agrada ao Senhor. 11Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. 12O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo.

13Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. 14É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Jo 9,1.6-9.13-17.34-38)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 6E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.

8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”.

Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”

13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre os meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”

16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”

17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”.

34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade.

35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?”37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele:38“Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor!

REFLETINDO A PALAVRA

“AGORA SOIS LUZ NO SENHOR”

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.

EU SOU A LUZ DO MUNDO
Na caminhada para a Páscoa, na qual celebramos os Mistérios centrais da Salvação, somos preparados para vivê-los na celebração e na vida. A liturgia de hoje tem uma mensagem de alegria que preanuncia a Páscoa. É a alegria daquele que não via a luz e, pela fé, vê Jesus que é a Luz. Nesses três domingos da Quaresma temos três ensinamentos: Jesus é a Água Viva, a Luz e a Vida, simbolizados na água oferecida à samaritana, na cura do cego e na ressurreição de Lázaro. Notemos que nos três casos foi um dom foi oferecido por Jesus, sem que fosse pedido. O dom da fé é gratuito. É o ensinamento sobre nosso Batismo. João, em seu evangelho, apresenta sete sinais (milagres) escolhidos que tinham a finalidade de levar à fé e por ela chegar à vida eterna. O oitavo sinal é a Ressurreição de Jesus. Hoje ouvimos a narrativa da cura do cego de nascença. O cego lava os olhos que foram tocados por Jesus com a lama feita com saliva. Ele os lava na piscina de Siloé que significa Enviado. Jesus é o Enviado de Deus. Ao encontrar Jesus que o cura, vendo-O professa a fé. Não crer é não querer ver e permanecer no pecado. Cristo é a Luz que se manifesta, pela sua Ressurreição, como Luz para o mundo para a Glória de Deus. No início de seu Evangelho João diz: “João veio como testemunha, para dar testemunho da Luz a fim de que todos acreditassem por meio Dele… a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1,7.9). A Páscoa está cercada de símbolos de Luz: o fogo novo que acende o Círio Pascal, imagem de Cristo. Essa luz é repartida sem perder o seu fulgor (precônio pascal). No batismo é dada ao que foi batizado uma luz com as palavras: “Agora sois luz de Cristo”.

DEUS ESCOLHE PORQUE AMA
Nesse 4º domingo, lembrando o Batismo na etapa chamada “iluminação”, salienta-se a escolha que Deus faz de cada um como fez a Davi. A escolha é gratuita, pois “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou primeiro e enviou-nos o Seu Filho” (1Jo 4,10) “quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). Temos a declaração da humanidade de Cristo. O cego diz: “O homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ‘Vai, lava-te na piscina de Siloé e lava-te’”. Acentua também que Cristo é divino: “Se este homem não viesse de Deus não poderia fazer nada”. Jesus conclui: “Eu vim ao mundo para exercer um julgamento a fim de que os que não veem, veja, e os que veem se tornem cegos” (Jo 9,39). A iluminação é o resultado da vida que recebemos, como veremos no 5º domingo quando ouviremos a ressurreição de Lázaro. Cristo é Vida, por  isso dá vida aos mortos. Mais que uma vida que termina, dá a Vida Eterna.

AGORA SOIS LUZ EM CRISTO
Ser luz em Cristo é viver como filho da luz na bondade, justiça e verdade, discernindo o que agrada ao Senhor (Rm 5,9-10).  A unção de Davi lembra-nos que somos ungidos no Batismo para receber o Espírito do Senhor. Continuamos o processo de transfiguração que proclamamos no segundo domingo da Quaresma. O testemunho cristão terá sempre oposição, como a Jesus: “A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (Jo 1,5). Voltando à reflexão sobre a Paixão e Morte de Cristo, sabemos que o discípulo passa pelo mesmo caminho do Mestre: “Se eles me perseguiram também vos perseguirão, se guardaram minha palavra também guardarão a vossa” (Jo 15,20). Somente a graça pode nos garantir: “Iluminai nossos corações com o esplendor de vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-Vos de todo o coração” (Pós-Comunhão).

Leituras: 1Samuel 16,1b.6-7.10-13ª; Salmo 22; Efésios 5,8-14; João 9,1-41

ORAÇÃO
                             
Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!

sábado, 29 de março de 2014

Como acontece um processo de Canonização?

Canonização é um processo de tempo indeterminado que deve ser cumprido para que um beato seja proclamado santo da Igreja católica
Canonização é o termo usado pela Igreja católica para o processo em que se proclama um beato como santo. Trata-se de um processo que inclui diversas fases, que vão desde a investigação da vida do candidato a santo até a constatação de milagres realizados por sua intercessão.
Doutor em Direito Canônico, padre Cristiano de Souza e Silva, concedeu entrevista ao Portal Canção Nova explicou como acontece um processo canônico.
Basicamente, é preciso solicitar a abertura da causa, nomear um responsável para acompanhar o processo, investigar a fama de santidade do candidato, comprovar um milagre realizado após a morte do candidato a santo, beatificar o candidato, comprovar um segundo milagre, desta vez realizado após a beatificação, para enfim proclamar o candidato santo, que é a canonização propriamente dita.
Entenda todo o Processo:




Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 28 de março de 2014

Niclevicz contagia os presentes em noite de formação


Uma noite que ficou marcada na história do Movimento Familiar Cristão  (MFC) de Curitiba. "Conquistando o seu Everest", palestra ministrada pelo alpinista Waldemar Niclevicz, foi realizada na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e contou a presença dos Mefecistas e de paroquianos.

Na primeira formação do ano, os presentes foram agraciados com uma trajetória de muita inspiração e admiração. Através da sua chegada ao topo do Everest, Niclevicz mostra para nós como é possível alcançarmos os nossos objetivos, mesmo que o mundo nos proporcione as mais diversas dificuldades como ele relatou nas suas tentativas frustradas na primeira expedição ao Everest e nas duas primeiras tentativas de chegar ao cume do K2, conhecida como a "montanha da morte".

O seu testemunho de superação, em nunca desistir dos seus sonhos na primeira dificuldade imposta e a sua Fé contagiou aos presentes, que se emocionaram em diversos momentos de sua explanação. O Diretor Espiritual do MFC Curitiba, destacou que a palestra de Waldemar Niclevicz é um trabalho de evangelização sem a exploração da fé alheia.

Nós enquanto MFC, conquistamos o nosso Everest? O que eu posso fazer para chegarmos a esta conquista?

Para visualizar o álbum de fotos clique aqui.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Noite de Formação no próximo dia 27/03


Na próxima quinta-feira (27), o Movimento Familiar Cristão (MFC) de Curitiba fará a sua primeira noite de formação de 2014. A atividade será na Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Rua Omílio Monteiro Soares, 847, Fanny), a partir das 19h45.

A nossa formação será conduzida pelo alpinista Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro a chegar ao topo do  Everest. A palestra será voltada para os jovens e adultos. Todos os mefecistas estão convidados.

A palestra é intitulada "Escalando o seu Everest" e mostra como superar desafios, vencer obstáculos e imprevistos, acreditar nos sonhos, superar o medo e buscar o prazer de uma nova conquista.

O palestrante

Além de chegar ao topo do Mundo, Waldemar Niclevicz chegou ao cume das montanhas mais desafiadoras do Mundo como os picos dos montes Kilimanjaro (Tanzânia); K2 (Paquistão),conhecida como a montanha da morte; Aconcágua (Argentina) e Mc Kinley (Argentina). Foi o primeiro brasileiro a Chegar ao topo das maiores montanhas de todos o continentes. Também já escalou sete das 14 montanhas com mais de 8 mil metros de altitude.

Suas conquistas renderam os títulos de Cidadão Honorário de Curitiba e de Cidadão Benemérito do Estado do Paraná e de Foz do Iguaçu.

Niclevicz é autor dos livos "Um sonho chamado K2" e "Everest, o diário de uma vitória". Em agosto de 2014 vai lançar a sua autobiografia.


Audiência Geral com o Papa - 26/03/2014


Queridos irmãos e irmãs,

Já tivemos oportunidade de referir que os três sacramentos, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, constituem juntos o mistério da “iniciação cristã”, um único grande evento de graça que nos regenera em Cristo. É esta a vocação fundamental que une todos na Igreja, como discípulos do Senhor Jesus. Há depois dois sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: trata-se da Ordem e do Matrimônio. Esses constituem dois grandes caminhos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e em nome de Cristo, e assim cooperar à edificação da Igreja.

A Ordem, caracterizado nas três grades do episcopado, presbiterato e diaconato, é o Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos apóstolos, de apascentar o seu rebanho, no poder do seu Espírito e segundo o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana ou com o próprio poder, mas aquela do Espírito e segundo o seu coração, o coração de Jesus que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo, o diácono deve apascentar o rebanho do Senhor com amor. Se não o faz com amor não serve. E nesse sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fazem com o poder do Espírito Santo em nome de Deus e com amor.

1. Um primeiro aspecto. Aqueles que são ordenados são colocados como líderes da comunidade. São “a cabeça” sim, porém para Jesus isso significa colocar a própria autoridade a serviço, como Ele mesmo mostrou e ensinou a seus discípulos com estas palavras: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça o vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão” (Mt 20,25-28 // Mc 10,42-45). Um bispo que não está a serviço da comunidade não faz bem; um sacerdote, um padre que não está a serviço da sua comunidade não faz bem, erra.

2. Uma outra característica que sempre deriva desta união sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja. Pensemos no trecho da Carta aos Efésios, na qual São Paulo diz que Cristo “amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a água, mediante a palavra, para a apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, ou qualquer outra coisa “(5:25-27). Por força da Ordem, o ministro dedica-se totalmente à sua comunidade e a ama de todo o coração coração: é a sua família. O bispo, o padre amam a Igreja em sua própria comunidade, fortemente. Como? Assim como Cristo ama a Igreja. O mesmo dirá São Paulo do casamento: o marido ama sua esposa como Cristo ama a Igreja. É um grande mistério de amor: o ministério sacerdotal e o matrimônio, dois sacramentos, que são a maneira pela qual as pessoas costumam ir para o Senhor.

3. Um último aspecto. O apóstolo Paulo aconselha seu discípulo Timóteo a não descuidar, mais do que isso, a reavivar sempre o dom que há nele. O dom que lhe foi dado através da imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14, 2 Tm 1,6). Quando não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, e com a celebração diária da Eucaristia e também com a presença do sacramento da Penitência, é inevitável perder de vista o o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma comunhão profunda com Jesus.

4. O bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra todos os dias, que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma mediocridade que não é boa para a Igreja. Por isso, devemos ajudar os bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento diário, a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos sacerdotes e bispos.

5. Gostaria de terminar com uma coisa que me vem à mente: mas como se deve fazer para se tornar um sacerdote, onde são vendidos os acessos ao sacerdócio? Não. Não se vendem. Esta é uma iniciativa do Senhor. O Senhor chama. Ele chama cada um daqueles que Ele quer que se torne sacerdote. Talvez existam alguns jovens aqui que sentiram este chamado em seu coração, o desejo de se tornar padre, o desejo de servir aos outros nas coisas de Deus, o desejo de estar por toda a vida a serviço para catequizar, batizar, perdoar, celebrar a Eucaristia, cuidar dos doentes … e toda a vida dessa forma. Se algum de vocês já sentiu isso no coração, é Jesus quem a colocou ai. Prestem atenção a este convite e rezem para que ele possa crescer e dê fruto em toda a Igreja.

terça-feira, 25 de março de 2014

Vaticano apresenta Encontro Mundial das Famílias

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, arcebispo Vincenzo Paglia, e o arcebispo da Filadélfia (EUA), dom Charles Joseph Chaput, apresentaram hoje, 26, pela manhã, o 8º Encontro Mundial das Famílias, que acontecerá de 22 a 27 de setembro de 2015, na Filadélfia.

"O encontro quer envolver todas as Igrejas das Américas, do Alasca à Terra do Fogo, com a participação das diversas culturas que povoam este vasto continente. Não há dúvida de que a presença em Roma do primeiro papa latino-americano faz com que este evento seja particularmente significativo”, disse dom Vincenzo.

De acordo com o arcebispo, o ponto de partida e desenvolvimento do evento será “a beleza da família e do casamento, a grandeza desta realidade simples e ao mesmo tempo tão rica, feita de alegria e esperança, de fadiga e sofrimento, como tudo na vida”. Na ocasião, será aprofundada a teologia da pastoral familiar e as condições atuais de atuação. “Somos convidados a observar a família, à luz do plano de Deus, e ajudar os cônjuges a viver com alegria em Sua presença, acompanhando-os em suas inúmeras dificuldades, com uma pastoral inteligente, corajosa e cheia de amor”, acrescentou.

Dom Vincenzo afirmou que há um desejo de que participem do encontro representantes de outras Igrejas e comunidades cristãs e das grandes religiões mundiais.

Para o presidente do Pontifício Conselho para a Família, o encontro acontece em um momento particular para a vida da Igreja, pois o papa Francisco tem dado evidência à temática. Dom Vincenzo citou, como exemplos, o consistório ocorrido no mês de fevereiro; o próximo Sínodo, que acontecerá em outubro; a peregrinação das famílias a Roma, no Ano da Fé, realizada nos dias 16 e 27 de outubro de 2013; a 21ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família; o encontro do papa com os noivos, no dia 14 de fevereiro deste ano; e a carta do papa às Famílias.

Fonte: CNBB

segunda-feira, 24 de março de 2014

Correio MFC Brasil #354



Campanha da Fraternidade 2014

Destaque da mensagem do papa Francisco aos brasileiros

“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! «A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência». Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?

Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! – a troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós: «Abbá, Pai!» (cf. Gal 4,6).

A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).”

A primavera irrompeu: o Papa Francisco depois de um ano

Esta entrevista* com Leonardo Boff foi publicada originalmente no DW Brasil.

Em 13 de março de 2013, Francisco foi eleito papa. E em apenas um ano à frente do Vaticano, colocou em discussão uma série de assuntos antes deixados de lado pela Igreja, dando início a um processo de transformação da instituição e do papel do pontífice.

DW. Qual foi o papel da Teologia depois que Francisco assumiu o Vaticano?

LBoff. Com o novo papa ela ganhou centralidade, pois ele colocou a questão da justiça social e da igreja pobre para os pobres no centro das preocupações de seu pontificado. Ele vai ao encontro dos pobres, abraça-os e beija-os porque são, segundo suas palavras, “a carne de Cristo”. Ao receber em audiência no dia 11 de setembro de 2013 Gustavo Gutiérrez, um dos fundadores desta teologia, e em seguida o pequeno irmão de Jesus Arturo Paoli, de 102 anos, que trabalhou durante 45 anos na linha da libertação na América Latina, o papa deu sinais claros de que quer prestigiar e até resgatar a Teologia da Libertação.

O papa quer prestigiar e aumentar o poder dos leigos porque a falta de padres no continente é grave. Já há sinais de quais serão esses novos poderes? Eles poderão celebrar a eucaristia ou outros sacramentos?

A categoria central da visão de Igreja que o papa representa é a “Igreja como povo de Deus”. Todos pertencem a este povo, que é constituído principalmente por leigos, homens e mulheres. O papa quer que os leigos, especialmente as mulheres, participem das decisões da Igreja e não apenas participem da vida da Igreja. A forma como o fará não sabemos. Sabemos apenas que ele é surpreendente e que coisas novas poderão ser esperadas, inclusive a nomeação de mulheres como cardeais, já que “cardeal” é na tradição um título, desvinculado do sacramento da Ordem.

Não é preciso ser padre ou bispo para ser cardeal. Não creio que ele permitirá que leigos celebrem eucaristias, pois seria um passo demasiadamente ousado. Mas como ocorre nas comunidades eclesiais de base nas quais não está presente um padre, ritualiza-se e dramatiza-se a ceia do Senhor. Eu creio, como teólogo, que tal prática é uma forma de trazer sacramentalmente Cristo para o seio da comunidade.

Qual a contribuição que a Igreja da América Latina poderia dar para as reformas do Vaticano?

A maior contribuição que a América Latina está dando à reforma do Vaticano é a pessoa do papa Francisco. Ele não começou com a reforma da Cúria, mas com a reforma do papado. Ele não vestiu o figurino clássico do “papa monarca” com o primado jurídico absoluto e com a supremacia doutrinal e pastoral. Ele se entende com bispo de Roma e quer presidir na caridade.

É importante observar que esse papa cresceu dentro do caldo cultural e eclesial da Igreja latino-americana, cujo rosto é muito diferente da Igreja da velha cristandade europeia. É uma Igreja viva, com comunidades de base, com pastorais sociais fortes, com figuras de bispos proféticos e com mártires da perseguição das ditaduras militares.

Que características o papa Francisco trouxe para o pontificado?

Ele traz ao Vaticano hábitos novos, evangélicos e proféticos. Ele se entende como um homem comum que gosta de estar junto com outros homens comuns, partilhando de suas buscas e perplexidades. Mais que ensinar, ele quer aprender no diálogo e na convivência. Estes traços pastorais são típicos da maioria dos bispos da América Latina. Com isso ele está resgatando o rosto humanitário, misericordioso e afável da severa institucionalidade da Igreja. Penso que ele será o primeiro de muitos papas que virão do terceiro mundo, pois aqui vive a maioria dos católicos.

Na sua opinião, qual seria a reforma mais importante que a Igreja Católica teria de fazer?

Eu creio que haverá uma nova forma de direção da Igreja, não mais monárquica, mas colegial. Quer dizer, o papa não dirigirá a Igreja sozinho, mas com um colégio de cardeais, bispos, leigos e mulheres. Ele insinuou claramente isso dizendo que deve haver mais corpos de decisão na Igreja junto com ele.

O Brasil ou a América Latina poderiam ser pioneiros em alguma delas?

Na América Latina temos acumulado boas experiências de pastoral de conjunto, seja no nível nacional, seja
no continental. Quanto ao celibato, já foi dito que não é uma questão fechada como o era no tempo de João Paulo II, que proibia sequer levantar tal questão. A meu ver o caminho será mais ou menos este: primeiro convidará os cem mil padres casados do mundo inteiro que possam, e que queiram, para reassumir o ministério.

Este seria o primeiro passo. Em seguida permitiria o celibato opcional. Não haveria mais a lei do celibato obrigatório. Para este papa a Igreja é de todos, especialmente daqueles que foram postos de lado. A Igreja é uma casa aberta para todos. Todos podem entrar sem prévias condições.

*Reprodução parcial da entrevista
 
Frases para refletir

*      A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido. 
Maxwell Maltz

*      É proibido chorar sem aprender, levantar-se um dia sem saber o que fazer. Ter medo de suas lembranças. É proibido não rir dos problemas. Não lutar pelo que se quer, abandonar tudo por medo, não transformar sonhos em realidade. 
Pablo Neruda

 *      A eternidade começa hoje! 
Paulo Evaristo Arns

 *      Nós não comemos, não bebemos, não dormimos e não acordamos senão para servir aos outros. Gandhi.

domingo, 23 de março de 2014

Momento do Angelus - 23/032014


Ao meio dia deste domingo (23) o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os cerca de 40 mil de fiéis reunidos na Praça São Pedro, a tradicional oração mariana do Angelus. A “água viva da misericórdia que jorra até a vida eterna”, representada pelo encontro de Jesus com a Samaritana junto ao poço em Sicar, esteve no centro da reflexão do Pontífice neste terceiro domingo da Quaresma.

Partindo do Evangelho do dia, Francisco observou que o pedido de Jesus à Samaritana – “Dá-me de beber“, “supera todas as barreiras de hostilidade entre judeus e samaritanos e rompe os esquemas de preconceito em relação às mulheres”:

“O simples pedido de Jesus é o início de um diálogo sincero, mediante o qual Ele, com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à qual, segundo os esquemas sociais, não deveria nem mesmo dirigir uma palavra. Jesus se coloca no lugar dela, não julgando-a, mas fazendo-a sentir-se considerada, reconhecida, e suscitando assim nela o desejo de ir além da rotina cotidiana”.

Ao pedir água à Samaritana, Jesus queria “abrir-lhe o coração”, “colocar em evidência a sede que havia nela”. “A sede de Jesus – disse o Papa, não era tanto de água, mas de encontrar uma alma sequiosa”.

“A Quaresma – recordou Francisco - é o tempo oportuno para olharmos para dentro de nós, para fazer emergir as nossas necessidades espirituais mais verdadeiras e pedir a ajuda do Senhor na oração”. E observou, que a exemplo da Samaritana, também nós temos muitas perguntas a serem feitas a Jesus, “mas não encontramos a coragem” para fazê-las.

O Evangelho diz que os discípulos ficaram maravilhados que o seu Mestre tenha falado com aquela mulher. Mas, “o Senhor é maior do que os preconceitos. E isto devemos aprender bem” – exortou Francisco -, pois a misericórdia é maior do que os preconceitos”. E o resultado do encontro junto ao poço foi o de uma mulher transformada”:

“Deixou o seu jarro com o qual ia buscar água e correu à cidade para contar a sua experiência extraordinária. ‘Encontrei um homem que me disse todas as coisas que eu fiz. Era o Messias? Estava entusiasmada. Foi buscar água no poço, e encontrou uma outra água, a água viva da misericórdia que jorra para a vida eterna. Encontrou a água que sempre procurou! Corre ao vilarejo, aquele vilarejo que a julgava, a condenava e a rejeitava, e anuncia que encontrou o Messias: alguém que mudou a sua vida. Pois cada encontro com Jesus nos muda a vida, sempre. É um passo em frente, um passo mais próximo a Deus”.

Ao concluir sua reflexão, Francisco recordou que no Evangelho de hoje “encontramos também nós o estímulo para ‘deixar o nosso jarro’, símbolo de tudo aquilo que aparentemente é importante, mas que perde valor diante do ‘amor de Deus’, e todos temos um, ou mais de um jarro:

“Eu pergunto a vocês e também a mim: ‘Qual é o teu jarro interior, aquele que te pesa, aquele que te afasta de Deus? Deixemo-lo um pouco de lado e com o coração escutemos a voz de Jesus que nos oferece uma outra água, uma outra água que nos aproxima do Senhor”.

“Somos chamados a redescobrir a importância e o sentido de nossa vida cristã, iniciada no Batismo – disse o Papa - e, como a Samaritana, testemunhar aos nossos irmãos a alegria do encontro com Jesus e as maravilhas que o seu amor realiza na nossa existência”. Mas testemunhar o que?:

“Testemunhar a alegria do encontro com Jesus, pois cada encontro com Jesus muda a nossa vida, e também cada encontro com Jesus nos enche de alegria, aquela alegria que vem de dentro. Contar quantas coisas maravilhosas sabe fazer o Senhor no nosso coração, quando nós temos a coragem de deixar de lado o nosso jarro”.

Após a reflexão e a oração do Angelus, o Papa Francisco dirigiu sua saudação aos fiéis de diversas proveniências reunidos na Praça São Pedro e adjacências. Em particular, ao recordar o Dia Mundial da Tuberculose celebrado nesta segunda-feira (24), pediu orações por todas as pessoas atingidas pela doença e por todos que de alguma maneira se ocupam delas”.


Texto proveniente do site da Rádio Vaticano

Liturgia do 3° Domingo da Quaresma - 23/03/2014


  


3º DOMINGO DA QUARESMA
  


PRIMEIRA LEITURA (Êx 17,3-7)

Leitura do Livro do Êxodo:
Naqueles dias, 3o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?”

4Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!”

5O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”.

Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. 7E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 94)

— Hoje não fecheis o vosso coração,/ mas ouvi a voz do Senhor!

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor,/ aclamemos o Rochedo que nos salva!/ Ao seu encontro caminhemos com louvores,/ e com cantos de alegria o celebremos!

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra,/ e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!/ Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,/ e nós somos o seu povo e seu rebanho,/ as ovelhas que conduz com sua mão.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:/ “Não fecheis os corações como em Meriba,/ como em Massa, no deserto, aquele dia,/ em que outrora vossos pais me provocaram,/ apesar de terem visto as minhas obras”.

SEGUNDA LEITURA (Rm 5,1-2.5-8)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:
Irmãos: 1Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus.

5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 5Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta de meio-dia.7Chegou uma mulher de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.

8Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.

10Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.

11A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? 12Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”

13Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

15A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b“Senhor, vejo que és um profeta!” 20Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.

21Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

23Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura.24Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”.

25A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”.

39aMuitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41E muitos outros creram por causa da sua palavra.42E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

REFLEXÃO DA PALAVRA
“DÁ-ME DE BEBER!”
Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.

UM DEUS QUE TEM SEDE
A celebração da Quaresma é batismal. A Páscoa é o momento da celebração dos batismos porque participamos do mistério Pascal de Cristo em sua Morte e Ressurreição. Temos três esquemas que acompanham os três ciclos (anos A.B e C). Na estrutura do ano A os textos acompanham as etapas da catequese batismal que é dada aos catecúmenos, os adultos que serão batizados, e a nós para renovarmos nosso Batismo. É o momento de voltar às fontes batismais e reforçar o compromisso cristão para que a Páscoa da Ressurreição se realize em nós. O Evangelho nos traz uma cena magnífica da missão de Jesus: O encontro com a samaritana. Ela representa o povo de Deus que tem sede da verdade plena, e Jesus, a fonte da Água Viva, a Vida de Deus para todos. Ele vai clamar: “Quem tem sede venha a mim e beba! De seu seio brotarão rios de água viva” que é o Espírito Santo (Jo 7,38). Jesus, pedindo água a uma samaritana, estrangeira e de vida atribulada, demonstra sua sede de levar a todos a Água Viva, como diz à mulher: “Se tu conhecesses do dom de Deus e quem te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma Lhe pedirias e Ele te daria a água viva” (Jo 6,10). A missão de Jesus mata fome, sacia a sede, cura os doentes, ressuscita os mortos e se debruça sobre os sofredores. Ele realiza em si mesmo o que propõe como caminho para todos. Naquele poço cavado por Jacó foi saciado o Antigo Testamento. No deserto Moisés bateu no rochedo com a vara com que fizera os milagres no Egito. Agora é Jesus a nova fonte de Água Viva que sacia para a vida eterna. Ele é a rocha. Pela fé estamos justificados por Cristo.

LAVAR-SE NAS ÁGUAS.
O salmo 94 clama, lembrando que o povo debatera com Deus pela falta da água: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis o coração como o povo em Meriba” (Sl 84 8).

Ouvir a voz do Senhor é abrir-se ao amor de Deus manifestado em Cristo: “A prova que Deus nos ama é que Cristo morreu por nos, quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). Na morte de Cristo, de Seu lado atravessado pela lança, saiu sangue e água (Jo 19,34). Esta fonte jorra para a purificação do Batismo e de nossas falhas. Jesus continua sentado à beira do poço pedindo água para dar a Água Viva. A Páscoa celebra a vida que Jesus nos deu e nos oferece continuamente nos sacramentos pascais. O Batismo é o sacramento fonte de todos os outros sacramentos. Ele é a porta pela qual entramos e a fonte da qual retiramos continuamente as águas vivas para nosso ser cristão.

MANIFESTAR NA VIDA A GRAÇA RECEBIDA (pós-comunhão)
A samaritana, depois de conhecer Jesus, O anuncia. Ela agora é figura da Igreja missionária. Seu anúncio levou seus conterrâneos a crer em Jesus. A descoberta de Jesus como fonte de Água Viva leva-nos a duas atitudes: Não fechar o coração como fizeram os judeus no deserto e também comunicar a outros a Vida Nova que veio pela água e pelo Espírito Santo. Podemos afirmar que quem não anuncia Jesus não compreendeu o Batismo que o lavou e o Espírito que deu nova vida. Na Campanha da Fraternidade deste ano, refletimos sobre a necessidade do respeito à pessoa humana. A vida de todo ser humano é um convite a reconhecer a grandeza de Deus que tão maravilhosamente faz cada pessoa. Esta vida merece respeito porque nela habita seu Criador. “Quem humilha um pequenino, ofende seu Criador” (Pr 14,31). Quanto mais se o explora e destrói. O respeito ao ser humano é fruto do Batismo. Em cada celebração está aberta para nós a fonte das Águas Vivas

Leituras: Êxodo 17,3-7; Salmo 94; Romanos 5,1-2.5-8; João 4,5-42

ORAÇÃO
                             
Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicasse o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza, para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Amém!

Editado por JorgeMacielNews